
Comentário: José Mojica Marins (1936-2020) foi um cineasta, ator, apresentador e roteirista de cinema e televisão brasileiro. É considerado o pai do terror nacional, tendo sua obra grande importância para o gênero e influenciando várias gerações. Seu icônico personagem Zé do Caixão, interpretado pelo próprio Mojica, está presente em diversos de seus filmes e é responsável por tê-lo tornado mundialmente conhecido. Assisti dele 12 filmes, todos trash, sendo que os que eu mais gostei foram: "À Meia-Noite Levarei Sua Alma" (1964), "Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver" (1967), "O Estranho Mundo de Zé do Caixão" (1968), "Ritual dos Sádicos / O Despertar da Besta" (1969), "Finis Hominis (O Fim do Homem)" (1971), “Exorcismo Negro” (1974), "Delírios de Um Anormal" (1978) e "Encarnação do Demônio" (2007). Desta vez vou conferir "A Praga" (1980/2021).
O site do IMS nos conta que “’A Praga’ é o último filme inédito dirigido pelo mestre do horror José Mojica Marins (...). No filme, o casal Marina e Juvenal passeia pelo campo e para em frente à casa de uma estranha idosa para tirar fotos. Irritada, a mulher se revela uma bruxa e joga uma maldição em Juvenal: uma perseguição psíquica horrorizante, provocando uma ferida que se abre em seu corpo de forma descontrolada. O ferimento leva Juvenal a uma fome insaciável por carne crua.
Inicialmente, ‘A Praga’ foi concebido como um episódio do programa ‘Além, Muito Além do Além’, escrito por Rubens Francisco Lucchetti e exibido pela TV Bandeirantes entre 1967 e 1968. Essa primeira versão da história se perdeu em um incêndio na emissora e, em 1980, Mojica decidiu refilmá-la, mas não conseguiu concluir o trabalho. Após mais de 15 anos empenhado na recuperação das obras de Mojica, Eugênio Puppo encontrou os rolos de filme originais do projeto, que eram considerados perdidos. Sabendo da grande afeição do mestre pela obra, o produtor trabalhou na correção de cores, remasterização sonora, trilha musical e até na inclusão de dublagem, já que as gravações das vozes originais não foram encontradas. A história desse processo de restauro em 4k foi registrada no curta-metragem documental ‘A Última Praga de Mojica’, que antecede a exibição do filme.
‘Todo o cuidado que tivemos com a recuperação do filme foi importante para não deixar que ele se perdesse através da história’, conta Puppo em depoimento disponível no material de imprensa do filme. ‘Fizemos de tudo para manter a autenticidade, oferecer ao público algo muito próximo do que tínhamos encontrado, com a veracidade de um autêntico filme de Mojica. Quando me contava sobre os vários trabalhos que não conseguiu concluir, ele sempre fazia referências a ‘A Praga’. Agora, finalmente, o filme terá um lançamento à altura de sua importância’.”
A versão "definitiva" da obra com nova montagem e efeitos, teve estreia mundial no Festival de Sitges, na Espanha, em outubro de 2021. Depois, correu o mundo em dezenas de festivais, em mostras e em exibições especiais. O diretor não chegou a ver o lançamento da obra, pois morreu em 2020.
Zé do Caixão, o personagem mais famoso de Mojica, não aparece na trama, mas serve como uma espécie de mestre de cerimônia, um narrador da história.
O que disse a crítica 1: Marcelo Müller do site Papo de Cinema avaliou com 3 estrelas, ou seja, bom. Escreveu: “’A Praga’ é um filme marcado pela penúria, carregando em seus fotogramas as marcas do descaso de um país com o seu legado cultural. O aspecto formal mais interessante resultante do processo de resgate é a preservação de certas manchas de deterioração na película original para conferir um aspecto tétrico aos pesadelos de Juvenal. Quanto ao desenrolar da trama propriamente dita, ela ocorre num crescendo moderado de tensão e angústia, desenvolvimento prejudicado pela interpretação do casal protagonista. (...) O filme tem algumas transições abruptas, como quando José Mojica Marins pula de uma cena tensa para outra de conteúdo gratuitamente erótico. Nunca saberemos se essas mudanças bruscas de direção foram fruto de um desejo consciente de romper inesperadamente um fluxo narrativo ou se resquício da arqueologia possível que não encontrou peças faltantes. De toda forma, a existência desse média-metragem resultante dos enormes esforços da geração que cresceu amando Mojica deve ser comemorada”.
O que disse a crítica 2: Bruno Ghetti da Folha SP avaliou com 4 estrelas, ou seja, ótimo. Disse: “Em seu excelente trabalho de pós-produção, ‘A Praga’ se revela uma pequena joia do cinema fantástico brasileiro. Há o esdrúxulo, o tosco, e todo o prazer mundano que lhes são peculiares. Mas há também o espírito de descumprimento de regras de um dos nossos maiores artistas instintivos, cujo cinema ia costumeiramente muito além das módicas pretensões iniciais do diretor”.
O que eu achei: Quem esperava, a esta altura do campeonato, poder ver um filme "novo" do José Mojica Marins (1936-2020)? O longa "A Praga" (1980/2021) era considerado como perdido por muito tempo. Foi pensado para ser exibido no programa "Além, Muito Além do Além" que ia ao ar na TV Bandeirantes nos anos 1967-1968, mas praticamente ficou no projeto, só começando a ser rodado de fato em 1980, quando o programa nem existia mais. Porém Mojica não conseguiu concluir a edição e acabou deixando de lado. Foi o cineasta e pesquisador Eugênio Puppo que encontrou o material bruto gravado em super-8 e se dedicou, junto com sua equipe, a fazer a edição, acrescentando cenas adicionais faltantes no projeto e colocando uma dublagem nas falas não capturadas. Por sorte o roteiro de Mojica escrito em parceria com Rubens Francisco Lucchetti havia sido lançado na forma de quadrinhos nos anos 60, então toda a trama estava lá. Ainda deu tempo de, em 2020, filmar o próprio Mojica, em seu último ano de vida, vestido com as roupas de Zé do Caixão, funcionando como um apresentador da história, uma espécie de mestre de cerimônias, tal qual ele fazia costumeiramente em várias de suas obras mais antigas. Uma pena a versão finalizada da obra só ter ficado pronta em 2021, com Mojica já falecido, então ele próprio não conseguiu assistir. O resultado – pra quem como eu gosta do estilo trash do diretor – é ótimo, dura em torno de 50 minutos e vale ser visto juntamente com o documentário "A Última Praga de Mojica" (2021) que conta toda essa história do restauro. Atenção para o elenco que conta com a excelente Wanda Kosmo (1930-2007). Que achado!
O site do IMS nos conta que “’A Praga’ é o último filme inédito dirigido pelo mestre do horror José Mojica Marins (...). No filme, o casal Marina e Juvenal passeia pelo campo e para em frente à casa de uma estranha idosa para tirar fotos. Irritada, a mulher se revela uma bruxa e joga uma maldição em Juvenal: uma perseguição psíquica horrorizante, provocando uma ferida que se abre em seu corpo de forma descontrolada. O ferimento leva Juvenal a uma fome insaciável por carne crua.
Inicialmente, ‘A Praga’ foi concebido como um episódio do programa ‘Além, Muito Além do Além’, escrito por Rubens Francisco Lucchetti e exibido pela TV Bandeirantes entre 1967 e 1968. Essa primeira versão da história se perdeu em um incêndio na emissora e, em 1980, Mojica decidiu refilmá-la, mas não conseguiu concluir o trabalho. Após mais de 15 anos empenhado na recuperação das obras de Mojica, Eugênio Puppo encontrou os rolos de filme originais do projeto, que eram considerados perdidos. Sabendo da grande afeição do mestre pela obra, o produtor trabalhou na correção de cores, remasterização sonora, trilha musical e até na inclusão de dublagem, já que as gravações das vozes originais não foram encontradas. A história desse processo de restauro em 4k foi registrada no curta-metragem documental ‘A Última Praga de Mojica’, que antecede a exibição do filme.
‘Todo o cuidado que tivemos com a recuperação do filme foi importante para não deixar que ele se perdesse através da história’, conta Puppo em depoimento disponível no material de imprensa do filme. ‘Fizemos de tudo para manter a autenticidade, oferecer ao público algo muito próximo do que tínhamos encontrado, com a veracidade de um autêntico filme de Mojica. Quando me contava sobre os vários trabalhos que não conseguiu concluir, ele sempre fazia referências a ‘A Praga’. Agora, finalmente, o filme terá um lançamento à altura de sua importância’.”
A versão "definitiva" da obra com nova montagem e efeitos, teve estreia mundial no Festival de Sitges, na Espanha, em outubro de 2021. Depois, correu o mundo em dezenas de festivais, em mostras e em exibições especiais. O diretor não chegou a ver o lançamento da obra, pois morreu em 2020.
Zé do Caixão, o personagem mais famoso de Mojica, não aparece na trama, mas serve como uma espécie de mestre de cerimônia, um narrador da história.
O que disse a crítica 1: Marcelo Müller do site Papo de Cinema avaliou com 3 estrelas, ou seja, bom. Escreveu: “’A Praga’ é um filme marcado pela penúria, carregando em seus fotogramas as marcas do descaso de um país com o seu legado cultural. O aspecto formal mais interessante resultante do processo de resgate é a preservação de certas manchas de deterioração na película original para conferir um aspecto tétrico aos pesadelos de Juvenal. Quanto ao desenrolar da trama propriamente dita, ela ocorre num crescendo moderado de tensão e angústia, desenvolvimento prejudicado pela interpretação do casal protagonista. (...) O filme tem algumas transições abruptas, como quando José Mojica Marins pula de uma cena tensa para outra de conteúdo gratuitamente erótico. Nunca saberemos se essas mudanças bruscas de direção foram fruto de um desejo consciente de romper inesperadamente um fluxo narrativo ou se resquício da arqueologia possível que não encontrou peças faltantes. De toda forma, a existência desse média-metragem resultante dos enormes esforços da geração que cresceu amando Mojica deve ser comemorada”.
O que disse a crítica 2: Bruno Ghetti da Folha SP avaliou com 4 estrelas, ou seja, ótimo. Disse: “Em seu excelente trabalho de pós-produção, ‘A Praga’ se revela uma pequena joia do cinema fantástico brasileiro. Há o esdrúxulo, o tosco, e todo o prazer mundano que lhes são peculiares. Mas há também o espírito de descumprimento de regras de um dos nossos maiores artistas instintivos, cujo cinema ia costumeiramente muito além das módicas pretensões iniciais do diretor”.
O que eu achei: Quem esperava, a esta altura do campeonato, poder ver um filme "novo" do José Mojica Marins (1936-2020)? O longa "A Praga" (1980/2021) era considerado como perdido por muito tempo. Foi pensado para ser exibido no programa "Além, Muito Além do Além" que ia ao ar na TV Bandeirantes nos anos 1967-1968, mas praticamente ficou no projeto, só começando a ser rodado de fato em 1980, quando o programa nem existia mais. Porém Mojica não conseguiu concluir a edição e acabou deixando de lado. Foi o cineasta e pesquisador Eugênio Puppo que encontrou o material bruto gravado em super-8 e se dedicou, junto com sua equipe, a fazer a edição, acrescentando cenas adicionais faltantes no projeto e colocando uma dublagem nas falas não capturadas. Por sorte o roteiro de Mojica escrito em parceria com Rubens Francisco Lucchetti havia sido lançado na forma de quadrinhos nos anos 60, então toda a trama estava lá. Ainda deu tempo de, em 2020, filmar o próprio Mojica, em seu último ano de vida, vestido com as roupas de Zé do Caixão, funcionando como um apresentador da história, uma espécie de mestre de cerimônias, tal qual ele fazia costumeiramente em várias de suas obras mais antigas. Uma pena a versão finalizada da obra só ter ficado pronta em 2021, com Mojica já falecido, então ele próprio não conseguiu assistir. O resultado – pra quem como eu gosta do estilo trash do diretor – é ótimo, dura em torno de 50 minutos e vale ser visto juntamente com o documentário "A Última Praga de Mojica" (2021) que conta toda essa história do restauro. Atenção para o elenco que conta com a excelente Wanda Kosmo (1930-2007). Que achado!











