
Comentário: Benedikt Erlingsson (1969) é um ator e diretor de teatro e cinema islandês. Ele dirigiu dois longas-metragens - “Sobre Cavalos e Homens” (2013) e “Um Mulher em Guerra” (2018 - ambos vencedores do Prêmio de Cinema do Conselho Nórdico. “Sobre Cavalos e Homens” (2013) é o primeiro filme que vejo dele.
Hernandes Matias Junior do site Românticos Radicais publicou “O cineasta islandês Benedikt Erlingsson nos transporta para as paisagens geladas e grandiosas da Islândia rural, tecendo uma série de vinhetas interligadas que revelam a complexa relação entre o homem e o cavalo. A narrativa se desenrola através de diversos episódios, cada um focado em um morador de uma pequena comunidade e seu vínculo, por vezes terno, por vezes brutal, com os animais que são tanto parceiros de trabalho quanto símbolos de orgulho e status. Desde o drama de um cavaleiro cuja égua o humilha publicamente, até a saga de um homem que busca uma égua perdida cruzando mares, a obra desvela as idiossincrasias e as paixões que movem esses indivíduos em um ambiente onde a natureza dita as regras.
A película de Erlingsson distingue-se por sua capacidade de fundir o sublime e o ridículo, o trágico e o cômico, sem jamais suavizar a crueza da existência. Os cavalos, mais do que simples coadjuvantes, emergem como seres de dignidade própria, suas interações com os humanos muitas vezes refletindo e magnificando a própria condição humana em sua forma mais crua. Há uma observação perspicaz sobre a hierarquia social local, as disputas por território e afeto, e os rituais que cimentam (ou fraturam) a comunidade. A beleza estonteante da paisagem islandesa serve como um pano de fundo implacável, lembrando-nos constantemente da força indomável do ambiente.
A genialidade de ‘Sobre Cavalos e Homens’ reside na sua abordagem direta, quase documental, mas imbuída de uma sensibilidade que capta a essência da vida em sua dimensão mais primordial. Não há floreios narrativos desnecessários; a câmera registra os eventos com uma clareza desarmante, permitindo que a comédia surja do absurdo das situações e que a tragédia se instale sem aviso. A película explora como os impulsos mais básicos – amor, ciúme, fúria, lealdade – se manifestam em um cotidiano moldado pela proximidade com a vida selvagem. É um exame sem julgamento da interdependência entre as espécies, onde a sobrevivência e a honra são guiadas por uma lógica que transcende as convenções urbanas. A obra celebra uma forma de vida em que a natureza selvagem e os instintos animais persistem, definindo as ações e o destino de seus habitantes”.
O que disse a crítica 1: Peter Bradshaw do The Guardian avaliou com 4 estrelas, ou seja, ótimo. Escreveu: “Erlingsson se aproxima dos cavalos de uma forma íntima e pessoal, de uma maneira sincera e romântica, em vez de erótica ou irônica; em particular, ele utiliza (...) planos fechados que permitem apreciar a textura e a sensação da pele do animal – claramente o trabalho de um conhecedor. É uma história de amor sobre cavalos, com cavalos, quase como um filme mudo com palavras. Os cavalos são a linguagem que permite aos personagens humanos se comunicarem. Este filme merece seu status de cult”.
O que disse a crítica 2: Camilla Møhring Reestorff do site Lola também gostou. Escreveu: “Isso pode parecer uma narrativa simples, trágica e cômica sobre a preservação da natureza e dos cavalos islandeses, mas é um reflexo mais complexo da conectividade global”.
O que eu achei: Que filme lindo este “Sobre Cavalos e Homens” (2013) do Benedikt Erlingsson! Ele mostra uma pequena comunidade na Islândia que tem uma ligação profunda com os cavalos, contando diferentes histórias dos moradores desse vale que se misturam umas com as outras. Dentre as tramas há um cortejo de um homem que vai visitar uma viúva por quem está interessado e a visita é interrompida por um cavalo que resolve cruzar com uma égua; um alcoólatra que resolve fazer seu cavalo nadar pelo mar congelante apenas para comprar álcool de um marinheiro; uma guerra entre vizinhos por conta da instalação de arames farpados que bloqueia rotas de cavalgada antigas; um turista perdido na nevasca e outras diversas. Todas contadas através de uma observação antropológica, com um humor peculiar e cenas viscerais que retratam amor, morte e a natureza selvagem, muitas vezes através dos olhos dos próprios equinos. Além das histórias gostosas de acompanhar, a fotografia é um deslumbre pois mostra a exuberante paisagem local recheada com esses lindos cavalos islandeses, resultando numa combinação de encher os olhos. A última cena que mostra a reunião do outono é maravilhosa pois retrata o tradicional round-up anual, conhecido na Islândia como Réttir. É o momento em que toda a comunidade se junta para reunir os cavalos que passaram o verão soltos nas montanhas, misturando homens e animais em um grande clímax visual. Li que o diretor, apesar de ter origem urbana – ele nasceu e cresceu em Reykjavík - é um apaixonado criador de cavalos islandeses e frequenta o meio rural desde a infância. Ele próprio define o filme como uma colagem de ‘histórias de bastidores’ que ouviu ou testemunhou ao longo de décadas frequentando fazendas e conversando com fazendeiros locais. Apesar disso, os moradores retratados no filme não são pessoas comuns daquela região, mas sim um elenco composto por atores profissionais, sendo que quase todos já sabiam andar a cavalo perfeitamente, o que é muito comum na cultura do país. O resultado é fruto de uma observação afiada de alguém que conhece intimamente os costumes daquela comunidade, mas que mantém o distanciamento necessário para satirizar suas excentricidades. Quem tiver interesse em ver pode procurar o longa pelo seu título original – “Hross í oss” – ou buscar por nomes como “Horses and Men”, “Cavalos e Homens”, “Sobre Cavalos e Homens” ou mesmo “Corações de Cavalos”. Um filme marcante e digno de aplausos. Excelente.
A película de Erlingsson distingue-se por sua capacidade de fundir o sublime e o ridículo, o trágico e o cômico, sem jamais suavizar a crueza da existência. Os cavalos, mais do que simples coadjuvantes, emergem como seres de dignidade própria, suas interações com os humanos muitas vezes refletindo e magnificando a própria condição humana em sua forma mais crua. Há uma observação perspicaz sobre a hierarquia social local, as disputas por território e afeto, e os rituais que cimentam (ou fraturam) a comunidade. A beleza estonteante da paisagem islandesa serve como um pano de fundo implacável, lembrando-nos constantemente da força indomável do ambiente.
A genialidade de ‘Sobre Cavalos e Homens’ reside na sua abordagem direta, quase documental, mas imbuída de uma sensibilidade que capta a essência da vida em sua dimensão mais primordial. Não há floreios narrativos desnecessários; a câmera registra os eventos com uma clareza desarmante, permitindo que a comédia surja do absurdo das situações e que a tragédia se instale sem aviso. A película explora como os impulsos mais básicos – amor, ciúme, fúria, lealdade – se manifestam em um cotidiano moldado pela proximidade com a vida selvagem. É um exame sem julgamento da interdependência entre as espécies, onde a sobrevivência e a honra são guiadas por uma lógica que transcende as convenções urbanas. A obra celebra uma forma de vida em que a natureza selvagem e os instintos animais persistem, definindo as ações e o destino de seus habitantes”.
O que disse a crítica 1: Peter Bradshaw do The Guardian avaliou com 4 estrelas, ou seja, ótimo. Escreveu: “Erlingsson se aproxima dos cavalos de uma forma íntima e pessoal, de uma maneira sincera e romântica, em vez de erótica ou irônica; em particular, ele utiliza (...) planos fechados que permitem apreciar a textura e a sensação da pele do animal – claramente o trabalho de um conhecedor. É uma história de amor sobre cavalos, com cavalos, quase como um filme mudo com palavras. Os cavalos são a linguagem que permite aos personagens humanos se comunicarem. Este filme merece seu status de cult”.
O que disse a crítica 2: Camilla Møhring Reestorff do site Lola também gostou. Escreveu: “Isso pode parecer uma narrativa simples, trágica e cômica sobre a preservação da natureza e dos cavalos islandeses, mas é um reflexo mais complexo da conectividade global”.
O que eu achei: Que filme lindo este “Sobre Cavalos e Homens” (2013) do Benedikt Erlingsson! Ele mostra uma pequena comunidade na Islândia que tem uma ligação profunda com os cavalos, contando diferentes histórias dos moradores desse vale que se misturam umas com as outras. Dentre as tramas há um cortejo de um homem que vai visitar uma viúva por quem está interessado e a visita é interrompida por um cavalo que resolve cruzar com uma égua; um alcoólatra que resolve fazer seu cavalo nadar pelo mar congelante apenas para comprar álcool de um marinheiro; uma guerra entre vizinhos por conta da instalação de arames farpados que bloqueia rotas de cavalgada antigas; um turista perdido na nevasca e outras diversas. Todas contadas através de uma observação antropológica, com um humor peculiar e cenas viscerais que retratam amor, morte e a natureza selvagem, muitas vezes através dos olhos dos próprios equinos. Além das histórias gostosas de acompanhar, a fotografia é um deslumbre pois mostra a exuberante paisagem local recheada com esses lindos cavalos islandeses, resultando numa combinação de encher os olhos. A última cena que mostra a reunião do outono é maravilhosa pois retrata o tradicional round-up anual, conhecido na Islândia como Réttir. É o momento em que toda a comunidade se junta para reunir os cavalos que passaram o verão soltos nas montanhas, misturando homens e animais em um grande clímax visual. Li que o diretor, apesar de ter origem urbana – ele nasceu e cresceu em Reykjavík - é um apaixonado criador de cavalos islandeses e frequenta o meio rural desde a infância. Ele próprio define o filme como uma colagem de ‘histórias de bastidores’ que ouviu ou testemunhou ao longo de décadas frequentando fazendas e conversando com fazendeiros locais. Apesar disso, os moradores retratados no filme não são pessoas comuns daquela região, mas sim um elenco composto por atores profissionais, sendo que quase todos já sabiam andar a cavalo perfeitamente, o que é muito comum na cultura do país. O resultado é fruto de uma observação afiada de alguém que conhece intimamente os costumes daquela comunidade, mas que mantém o distanciamento necessário para satirizar suas excentricidades. Quem tiver interesse em ver pode procurar o longa pelo seu título original – “Hross í oss” – ou buscar por nomes como “Horses and Men”, “Cavalos e Homens”, “Sobre Cavalos e Homens” ou mesmo “Corações de Cavalos”. Um filme marcante e digno de aplausos. Excelente.










