
Comentário: Krzysztof Kieslowski (1941-1996) foi um cineasta polonês de quem já assisti aos ótimos “Decálogo” (1989) - composto por 10 filmes inspirados pelos 10 Mandamentos - e “Trilogia das Cores” (1993-1994) - composta pelos filmes “A Liberdade é Azul”, “A Fraternidade é Vermelha” e “A Igualdade é Branca”, além do bom “Sorte Cega” (1981) e do curioso “Calma” (1976). Desta vez vou rever “A Liberdade é Azul” (1993).
O caderno Ilustrada da Folha SP publicou: "Juliette Binoche seria legitimada como a maior atriz francesa daquele momento, 1993, graças a esse filme. Seu diretor, o polonês Krzysztof Kieslowski (1941-1996), teria nele seu trabalho mais popular e cultuado. (...)
Quando rodou o longa, Kieslowski já tinha uma rica carreira como cineasta em seu país, sobretudo em documentários sobre o cotidiano de trabalhadores. Já era, também, um artista reconhecido nos grandes festivais internacionais, graças ao seu ótimo 'Decálogo', série televisiva exibida entre 1988 e 1990.
Após rodar a produção francesa 'A Dupla Vida de Véronique' (1991), Kieslowski continuou a trabalhar no país e, com 'A Liberdade É Azul', iniciou a célebre Trilogia das Cores - que fala, com o azul, o branco e o vermelho da bandeira francesa, sobre liberdade, igualdade e fraternidade.
No 'Azul', Binoche é Julie, que sobrevive, mas perde marido e filha num acidente. Primeiramente afunda numa depressão e, aos poucos, vai superando a perda. Mais tarde, assume o trabalho interrompido do marido músico e finaliza uma composição.
Kieslowski destila, aqui, sua visão ácida sobre a vida, mas com muita candura e esperança. Com mais recursos, solta-se às potencialidades estéticas do cinema e compõe um marcante jogo entre imagens e sons, utilizando a música de Zbigniew Preisner para ilustrar os estados de espírito da personagem.
O Festival de Veneza reconheceu tais méritos, e 'A Liberdade É Azul' recebeu os prêmios de Melhor Filme, Direção, Fotografia e Atriz".
O que disse a crítica 1: Roberto Siqueira do site Cinema & Debate avaliou com 5 estrelas, ou seja, obra-prima. Disse: "Kieslowski entrega um filme diferente, tocante e reflexivo neste 'A Liberdade é Azul', que com muita sensibilidade e um visual marcante, questiona a eterna busca do ser humano pela liberdade através da trágica história de Julie, que descobriu da pior maneira o quanto esta sensação pode também ser dolorida. Até que ponto queremos ser realmente livres? Que cada um encontre sua resposta sem a necessidade de sofrer como ela".
O que disse a crítica 2: Eduardo Escorel da Revista Piauí também avaliou como obra-prima. Escreveu: "Ter resistido à passagem do tempo e se mantido deslumbrante é prova da rara qualidade de 'A Liberdade é Azul' que, ao estrear, recebeu diversos prêmios, entre eles o de Melhor Filme e Melhor Atriz, atribuído a Juliette Binoche, no Festival de Veneza, em 1993. Passados mais de trinta anos, o filme permanece exemplar – do roteiro à decupagem, das locações à fotografia e às atrizes e atores, da montagem à música de Zbigniew Preisner – contribuições variadas, todas em harmonia, a serviço de tornar a liberdade um tema pessoal intrincado".
O que eu achei: Trata-se do primeiro longa-metragem da trilogia “Trois Couleurs” (Três Cores), roteirizado e dirigido pelo premiado diretor polonês Krzysztof Kieslowski. Em uma perspectiva alegórica, o roteiro dessa trilogia recontextualiza as cores e os ideais da Revolução Francesa, em uma produção francesa, polonesa e suíça, começando pela cor Azul e seguindo para o Branco e o Vermelho, sempre com a atriz Juliette Binoche no papel principal. É possível assistir à trilogia em qualquer ordem, pois cada filme tem sua própria história independente, no entanto, assistir na ordem de lançamento acaba sendo mais interessante para captar as conexões temáticas sutis e o aprofundamento filosófico que as une. Em “A Liberdade é Azul” (1993), Binoche interpreta Julie, a esposa de um renomado maestro e compositor francês que fica sozinha após um acidente de carro. Seu marido morre juntamente com a filha do casal, de cinco anos de idade. Como única sobrevivente da tragédia, ela se vê na situação de ter que lidar com essas perdas e seguir vivendo, lidando com a introspecção inicial e com a negação à vida. O estilo cinematográfico de Kieslowski, como já é de esperar, se apresenta com seu ritmo vagaroso para explorar o mundo interno, o luto e a psicologia dos personagens, portanto não é um filme recomendado para os mais apressados. As cenas longas e os silêncios refletem o tempo interno de Julie, enquanto a cor azul domina a iluminação e os objetos de cena para simbolizar a tristeza. Finaliza como um ensaio sobre o luto e a força exigida frente à descoberta de uma liberdade não prevista e nem desejada. Atenção especial à música de Zbigniew Preisner que embala praticamente todo o filme. Zbigniew Preisner é um dos maiores compositores de trilhas sonoras da história do cinema europeu. O mais curioso sobre ele é que ele é totalmente autodidata, aprendeu música apenas ouvindo e transcrevendo discos. Sua parceria com Kieslowski durou mais de uma década (de 1984 até a morte do diretor em 1996) e definiu a identidade sonora de seus filmes. Neste longa em especial, a música é um elemento chave já que ela é a própria obra inacabada do falecido marido da protagonista, servindo como um gatilho emocional que esmaga Julie a cada audição. Boa pedida.
O caderno Ilustrada da Folha SP publicou: "Juliette Binoche seria legitimada como a maior atriz francesa daquele momento, 1993, graças a esse filme. Seu diretor, o polonês Krzysztof Kieslowski (1941-1996), teria nele seu trabalho mais popular e cultuado. (...)
Quando rodou o longa, Kieslowski já tinha uma rica carreira como cineasta em seu país, sobretudo em documentários sobre o cotidiano de trabalhadores. Já era, também, um artista reconhecido nos grandes festivais internacionais, graças ao seu ótimo 'Decálogo', série televisiva exibida entre 1988 e 1990.
Após rodar a produção francesa 'A Dupla Vida de Véronique' (1991), Kieslowski continuou a trabalhar no país e, com 'A Liberdade É Azul', iniciou a célebre Trilogia das Cores - que fala, com o azul, o branco e o vermelho da bandeira francesa, sobre liberdade, igualdade e fraternidade.
No 'Azul', Binoche é Julie, que sobrevive, mas perde marido e filha num acidente. Primeiramente afunda numa depressão e, aos poucos, vai superando a perda. Mais tarde, assume o trabalho interrompido do marido músico e finaliza uma composição.
Kieslowski destila, aqui, sua visão ácida sobre a vida, mas com muita candura e esperança. Com mais recursos, solta-se às potencialidades estéticas do cinema e compõe um marcante jogo entre imagens e sons, utilizando a música de Zbigniew Preisner para ilustrar os estados de espírito da personagem.
O Festival de Veneza reconheceu tais méritos, e 'A Liberdade É Azul' recebeu os prêmios de Melhor Filme, Direção, Fotografia e Atriz".
O que disse a crítica 1: Roberto Siqueira do site Cinema & Debate avaliou com 5 estrelas, ou seja, obra-prima. Disse: "Kieslowski entrega um filme diferente, tocante e reflexivo neste 'A Liberdade é Azul', que com muita sensibilidade e um visual marcante, questiona a eterna busca do ser humano pela liberdade através da trágica história de Julie, que descobriu da pior maneira o quanto esta sensação pode também ser dolorida. Até que ponto queremos ser realmente livres? Que cada um encontre sua resposta sem a necessidade de sofrer como ela".
O que disse a crítica 2: Eduardo Escorel da Revista Piauí também avaliou como obra-prima. Escreveu: "Ter resistido à passagem do tempo e se mantido deslumbrante é prova da rara qualidade de 'A Liberdade é Azul' que, ao estrear, recebeu diversos prêmios, entre eles o de Melhor Filme e Melhor Atriz, atribuído a Juliette Binoche, no Festival de Veneza, em 1993. Passados mais de trinta anos, o filme permanece exemplar – do roteiro à decupagem, das locações à fotografia e às atrizes e atores, da montagem à música de Zbigniew Preisner – contribuições variadas, todas em harmonia, a serviço de tornar a liberdade um tema pessoal intrincado".
O que eu achei: Trata-se do primeiro longa-metragem da trilogia “Trois Couleurs” (Três Cores), roteirizado e dirigido pelo premiado diretor polonês Krzysztof Kieslowski. Em uma perspectiva alegórica, o roteiro dessa trilogia recontextualiza as cores e os ideais da Revolução Francesa, em uma produção francesa, polonesa e suíça, começando pela cor Azul e seguindo para o Branco e o Vermelho, sempre com a atriz Juliette Binoche no papel principal. É possível assistir à trilogia em qualquer ordem, pois cada filme tem sua própria história independente, no entanto, assistir na ordem de lançamento acaba sendo mais interessante para captar as conexões temáticas sutis e o aprofundamento filosófico que as une. Em “A Liberdade é Azul” (1993), Binoche interpreta Julie, a esposa de um renomado maestro e compositor francês que fica sozinha após um acidente de carro. Seu marido morre juntamente com a filha do casal, de cinco anos de idade. Como única sobrevivente da tragédia, ela se vê na situação de ter que lidar com essas perdas e seguir vivendo, lidando com a introspecção inicial e com a negação à vida. O estilo cinematográfico de Kieslowski, como já é de esperar, se apresenta com seu ritmo vagaroso para explorar o mundo interno, o luto e a psicologia dos personagens, portanto não é um filme recomendado para os mais apressados. As cenas longas e os silêncios refletem o tempo interno de Julie, enquanto a cor azul domina a iluminação e os objetos de cena para simbolizar a tristeza. Finaliza como um ensaio sobre o luto e a força exigida frente à descoberta de uma liberdade não prevista e nem desejada. Atenção especial à música de Zbigniew Preisner que embala praticamente todo o filme. Zbigniew Preisner é um dos maiores compositores de trilhas sonoras da história do cinema europeu. O mais curioso sobre ele é que ele é totalmente autodidata, aprendeu música apenas ouvindo e transcrevendo discos. Sua parceria com Kieslowski durou mais de uma década (de 1984 até a morte do diretor em 1996) e definiu a identidade sonora de seus filmes. Neste longa em especial, a música é um elemento chave já que ela é a própria obra inacabada do falecido marido da protagonista, servindo como um gatilho emocional que esmaga Julie a cada audição. Boa pedida.









