
Comentário: Antônio Pitanga (1939) é um ator e cineasta brasileiro. Ele foi casado com a atriz Vera Manhães, com quem teve dois filhos que também são atores: Camila Pitanga e Rocco Pitanga. Atualmente ele está casado com Benedita da Silva, ex-governadora do Rio de Janeiro. No cinema ele atuou nos filmes “O Homem que Desafiou o Diabo” (2007), “Zuzu Angel” (2006), “Vila Lobos, Uma Vida de Paixão” (2000) e mais 54 filmes. Na televisão participou de novelas e séries como “O Clone” (2001), “Celebridade” (2003), “A Próxima Vítima” (1995) e mais 32 trabalhos. No teatro participou da primeira montagem da peça “Após a Chuva” (2007/2008), dentre outros. Como diretor ele fez dois longas-metragens: “Na Boca do Mundo” (1979) e “Malês” (2024) que é o primeiro filme que vejo dele.
O site IMDB publicou: “A Revolta Malê, também conhecida como Revolta Escrava de 1835 na Bahia, foi uma das rebeliões mais importantes de pessoas escravizadas na história do Brasil. Aconteceu durante a noite de 24/25 de janeiro de 1835, em Salvador, e foi organizado principalmente por muçulmanos africanos escravizados e libertos conhecidos como Malês - termo derivado da palavra iorubá imalê, que significa “muçulmano”.
No início do século XIX, Salvador tinha uma forte presença africana: cerca de 40% de sua população era escravizada e muitos eram africanos trazidos diretamente do continente. Entre eles, grupos muçulmanos (principalmente de origem iorubá e hausa) eram altamente organizados, alfabetizados em árabe e mantinham uma forte identidade cultural e religiosa. Esses fatores, combinados com duras condições de vida, repressão religiosa e desejo de liberdade, criaram um terreno fértil para uma revolta.
A conspiração foi cuidadosamente planejada e programada para coincidir com o fim do Ramadã. Os rebeldes pretendiam derrubar o governo provincial, libertar pessoas escravizadas e estabelecer uma sociedade islâmica na Bahia. Estima-se que 300 a 600 pessoas participaram diretamente da revolta. Nas primeiras horas de 24 de janeiro de 1835, os insurgentes lançaram sua revolta em várias partes de Salvador, atacando quartéis, casas e tentando libertar outras pessoas escravizadas. Muitos usavam roupas brancas, carregavam armas brancas e alguns recitavam versículos do Alcorão.
Apesar de sua organização, a revolta foi rapidamente esmagada pelas forças do governo e pelas milícias locais. Em poucas horas, dezenas de rebeldes foram mortos e muitos outros capturados. Cerca de 70 a 100 pessoas foram mortas nos combates. Mais de 200 foram presos, com muitos condenados a açoitamento, prisão ou deportação de volta para a África. Líderes importantes, como Pacífico Licutan, foram executados ou severamente punidos. Após a revolta, as autoridades reforçaram a vigilância da população africana e impuseram proibições mais rígidas às práticas islâmicas e à educação entre os escravos, temendo futuras revoltas.
A Revolta Malê é lembrada por vários motivos: foi a maior rebelião de escravos urbanos no Brasil. Demonstrou a capacidade política, religiosa e organizacional dos africanos no Brasil. Expôs as profundas tensões sociais da escravidão e influenciou debates posteriores sobre a abolição. Hoje, a revolta se destaca como um poderoso símbolo da resistência negra e da liberdade religiosa na história do Brasil”.
Com argumento de Orlando Senna (codiretor de “Iracema, Uma Transa Amazônica” e “Gitirana”) e roteiro de Manuela Dias (autora das novelas “Amor de Mãe” e do remake de “Vale Tudo”), Pitanga contracena no filme com seus filhos, Camila Pitanga e Rocco Pitanga.
O que disse a crítica 1: Bruno Carmelo do site Meio Amargo avaliou com 2,5 estrelas, ou seja, regular. Disse: “Infelizmente, o resultado fica aquém de tantos afetos e convicções. O drama histórico soa como um filme possível, ao invés de um filme desejado - no sentido de ter sido feito como se pôde, após tanta espera, apesar das dificuldades de produção. Logo, os problemas são evidentes: há diálogos dublados sem nenhuma sincronia com a boca dos atores, deficiências de montagem e continuidade e, em especial, ferramentas questionáveis de roteiro. ‘Malês’ aposta numa estrutura coral, sem protagonista definido, algo que se torna um desafio na hora de equilibrar as narrativas. (...) ‘Malês’ carrega mais valor por sua iniciativa e existência do que pelo resultado exibido nas telas”.
O que disse a crítica 2: Janda Montenegro do site Cine POP avaliou com 3,5 estrelas, ou seja, muito bom. Escreveu: “É palpável a delicadeza e a firmeza de Antonio Pitanga na direção de ‘Malês’, e mais palpável ainda o profundo respeito que o elenco tem em sua presença, o que torna o filme ainda mais especial. Sem dúvidas, ‘Malês’ era um filme que precisava ser feito, e é extremamente correto que o projeto tenha sido comandado por Antonio Pitanga e vivido por esse elenco que ouviu o chamado ancestral para dar vida e voz a esses bravos guerreiros. Intenso, ‘Malês’ é um filme para o Brasil ver e nunca mais esquecer daqueles que lutaram pela liberdade”.
O que eu achei: Trata-se de um filme brasileiro que narra a Revolta dos Malês (imalê significa muçulmano) - de 1835 na Bahia, retratando o maior levante de escravizados no Brasil. O filme começa na África de 1830, no Reino de Oyo, quando um casal muçulmano é sequestrado, separado e trazido à força para o Brasil para ser escravo. Enquanto sobrevivem aos horrores da escravidão na Bahia, eles se envolvem no levante organizado de 1835. O livro “A Rebelião Escrava no Brasil: A História do Levante dos Malês em 1835” de João José Reis, serve como referência e o autor é um dos consultores do projeto, o que faz com que a parte histórica e de reconstituição de época seja confiável. Antonio Pitanga, além de assumir a direção do filme, interpreta Pacífico Licutan, um homem escravizado que trabalhava alugado como enrolador de fumo e morava no Cruzeiro de São Francisco com seu senhor, um médico. Entre os malês, Pacífico era considerado uma espécie de mestre, pois ensinava a religião aos demais, pregava e recrutava novos adeptos ao islamismo. Durante a Revolta dos Malês, Licutan estava preso por causa de seu senhor, que estava cheio de dívidas com os frades carmelitas. Sem dinheiro para confiscar, o governo levou o escravo e o prendeu na Câmara Municipal para ser levado a leilão, de modo que fosse pago o débito. A rebelião foi marcada para o dia 25 de janeiro, data que celebrava o fim do Ramadã, mês sagrado para os muçulmanos. Licutan foi informado que seria libertado. O plano era, após começar a revolta em Salvador, conseguir novos recrutas (entre escravizados e alforriados) e seguir para os engenhos, o epicentro da escravidão baiana. No dia 24, cerca de 60 revoltosos se reuniram no porão de um sobrado na Ladeira da Praça. No entanto, logo se viram cercados por oficiais. Segundo os registros históricos, uma negra liberta chamada Guilhermina de Roza Souza traiu a revolta e denunciou seus líderes. No filme essa traição é atribuída a Sabina da Cruz. Letreiros finais do filme informam que mesmo com a delação de Sabina da Cruz, o levante reuniu em torno de 600 escravos e libertos nas ruas de Salvador, sendo que 100 foram mortos pela polícia e 120 foram presos. 380 fugiram. Depois desse levante o governo deu início a um sistema de deportações em massa para a África, tendo como destino Uidá e Lagos, onde até hoje existe uma forte colônia de descendentes de brasileiros. O filme infelizmente não é tão bem executado. Em entrevista, Pitanga conta que fizeram diversas versões de roteiros nos quase 30 anos que o filme demorou para ficar pronto. Com isso, roteiro e edição acabaram confusos, o filme termina e você acaba tendo que recorrer a uma pesquisa para entender melhor o que houve. O destaque fica para o bom elenco e para o mérito de retratar uma parte oculta da história brasileira.
O site IMDB publicou: “A Revolta Malê, também conhecida como Revolta Escrava de 1835 na Bahia, foi uma das rebeliões mais importantes de pessoas escravizadas na história do Brasil. Aconteceu durante a noite de 24/25 de janeiro de 1835, em Salvador, e foi organizado principalmente por muçulmanos africanos escravizados e libertos conhecidos como Malês - termo derivado da palavra iorubá imalê, que significa “muçulmano”.
No início do século XIX, Salvador tinha uma forte presença africana: cerca de 40% de sua população era escravizada e muitos eram africanos trazidos diretamente do continente. Entre eles, grupos muçulmanos (principalmente de origem iorubá e hausa) eram altamente organizados, alfabetizados em árabe e mantinham uma forte identidade cultural e religiosa. Esses fatores, combinados com duras condições de vida, repressão religiosa e desejo de liberdade, criaram um terreno fértil para uma revolta.
A conspiração foi cuidadosamente planejada e programada para coincidir com o fim do Ramadã. Os rebeldes pretendiam derrubar o governo provincial, libertar pessoas escravizadas e estabelecer uma sociedade islâmica na Bahia. Estima-se que 300 a 600 pessoas participaram diretamente da revolta. Nas primeiras horas de 24 de janeiro de 1835, os insurgentes lançaram sua revolta em várias partes de Salvador, atacando quartéis, casas e tentando libertar outras pessoas escravizadas. Muitos usavam roupas brancas, carregavam armas brancas e alguns recitavam versículos do Alcorão.
Apesar de sua organização, a revolta foi rapidamente esmagada pelas forças do governo e pelas milícias locais. Em poucas horas, dezenas de rebeldes foram mortos e muitos outros capturados. Cerca de 70 a 100 pessoas foram mortas nos combates. Mais de 200 foram presos, com muitos condenados a açoitamento, prisão ou deportação de volta para a África. Líderes importantes, como Pacífico Licutan, foram executados ou severamente punidos. Após a revolta, as autoridades reforçaram a vigilância da população africana e impuseram proibições mais rígidas às práticas islâmicas e à educação entre os escravos, temendo futuras revoltas.
A Revolta Malê é lembrada por vários motivos: foi a maior rebelião de escravos urbanos no Brasil. Demonstrou a capacidade política, religiosa e organizacional dos africanos no Brasil. Expôs as profundas tensões sociais da escravidão e influenciou debates posteriores sobre a abolição. Hoje, a revolta se destaca como um poderoso símbolo da resistência negra e da liberdade religiosa na história do Brasil”.
Com argumento de Orlando Senna (codiretor de “Iracema, Uma Transa Amazônica” e “Gitirana”) e roteiro de Manuela Dias (autora das novelas “Amor de Mãe” e do remake de “Vale Tudo”), Pitanga contracena no filme com seus filhos, Camila Pitanga e Rocco Pitanga.
O que disse a crítica 1: Bruno Carmelo do site Meio Amargo avaliou com 2,5 estrelas, ou seja, regular. Disse: “Infelizmente, o resultado fica aquém de tantos afetos e convicções. O drama histórico soa como um filme possível, ao invés de um filme desejado - no sentido de ter sido feito como se pôde, após tanta espera, apesar das dificuldades de produção. Logo, os problemas são evidentes: há diálogos dublados sem nenhuma sincronia com a boca dos atores, deficiências de montagem e continuidade e, em especial, ferramentas questionáveis de roteiro. ‘Malês’ aposta numa estrutura coral, sem protagonista definido, algo que se torna um desafio na hora de equilibrar as narrativas. (...) ‘Malês’ carrega mais valor por sua iniciativa e existência do que pelo resultado exibido nas telas”.
O que disse a crítica 2: Janda Montenegro do site Cine POP avaliou com 3,5 estrelas, ou seja, muito bom. Escreveu: “É palpável a delicadeza e a firmeza de Antonio Pitanga na direção de ‘Malês’, e mais palpável ainda o profundo respeito que o elenco tem em sua presença, o que torna o filme ainda mais especial. Sem dúvidas, ‘Malês’ era um filme que precisava ser feito, e é extremamente correto que o projeto tenha sido comandado por Antonio Pitanga e vivido por esse elenco que ouviu o chamado ancestral para dar vida e voz a esses bravos guerreiros. Intenso, ‘Malês’ é um filme para o Brasil ver e nunca mais esquecer daqueles que lutaram pela liberdade”.
O que eu achei: Trata-se de um filme brasileiro que narra a Revolta dos Malês (imalê significa muçulmano) - de 1835 na Bahia, retratando o maior levante de escravizados no Brasil. O filme começa na África de 1830, no Reino de Oyo, quando um casal muçulmano é sequestrado, separado e trazido à força para o Brasil para ser escravo. Enquanto sobrevivem aos horrores da escravidão na Bahia, eles se envolvem no levante organizado de 1835. O livro “A Rebelião Escrava no Brasil: A História do Levante dos Malês em 1835” de João José Reis, serve como referência e o autor é um dos consultores do projeto, o que faz com que a parte histórica e de reconstituição de época seja confiável. Antonio Pitanga, além de assumir a direção do filme, interpreta Pacífico Licutan, um homem escravizado que trabalhava alugado como enrolador de fumo e morava no Cruzeiro de São Francisco com seu senhor, um médico. Entre os malês, Pacífico era considerado uma espécie de mestre, pois ensinava a religião aos demais, pregava e recrutava novos adeptos ao islamismo. Durante a Revolta dos Malês, Licutan estava preso por causa de seu senhor, que estava cheio de dívidas com os frades carmelitas. Sem dinheiro para confiscar, o governo levou o escravo e o prendeu na Câmara Municipal para ser levado a leilão, de modo que fosse pago o débito. A rebelião foi marcada para o dia 25 de janeiro, data que celebrava o fim do Ramadã, mês sagrado para os muçulmanos. Licutan foi informado que seria libertado. O plano era, após começar a revolta em Salvador, conseguir novos recrutas (entre escravizados e alforriados) e seguir para os engenhos, o epicentro da escravidão baiana. No dia 24, cerca de 60 revoltosos se reuniram no porão de um sobrado na Ladeira da Praça. No entanto, logo se viram cercados por oficiais. Segundo os registros históricos, uma negra liberta chamada Guilhermina de Roza Souza traiu a revolta e denunciou seus líderes. No filme essa traição é atribuída a Sabina da Cruz. Letreiros finais do filme informam que mesmo com a delação de Sabina da Cruz, o levante reuniu em torno de 600 escravos e libertos nas ruas de Salvador, sendo que 100 foram mortos pela polícia e 120 foram presos. 380 fugiram. Depois desse levante o governo deu início a um sistema de deportações em massa para a África, tendo como destino Uidá e Lagos, onde até hoje existe uma forte colônia de descendentes de brasileiros. O filme infelizmente não é tão bem executado. Em entrevista, Pitanga conta que fizeram diversas versões de roteiros nos quase 30 anos que o filme demorou para ficar pronto. Com isso, roteiro e edição acabaram confusos, o filme termina e você acaba tendo que recorrer a uma pesquisa para entender melhor o que houve. O destaque fica para o bom elenco e para o mérito de retratar uma parte oculta da história brasileira.








