
Comentário: Maggie Gyllenhaal (1977) é uma atriz, diretora e roteirista estadunidense. Como atriz ela ganhou o Globo de Ouro por seu papel na minissérie britânica “The Honourable Woman” (2014). Como diretora e roteirista, o premiado “A Filha Perdida” (2021) foi seu primeiro longa e o único filme que vi dela. Desta vez vou conferir “A Noiva!” (2026).
Inácio Araújo da Folha SP publicou: “‘A Noiva!’ é, de certa forma, um filme de dualidades, de corpos que se dividem. Assim, logo de início existe uma moça enojada com o grupo de gângsteres, de fato repulsivos, que a cerca. A moça se chama Ida (Jessie Buckley). O líder dos gângsteres se chama Lupino. Juntando os dois, temos Ida Lupino, nome da antiga estrela da Warner e intrépida cineasta independente.
Logo, Ida será morta e ressurgirá entre os vivos como a noiva tão desejada pelo monstro de Frankenstein. Estamos nos anos 1930, era de gângsteres e de filmes. Frankenstein já existia desde o século 19, mas ressurgiu com força no cinema. Agora ressuscita como fã incondicional dos musicais, em especial os estrelados por um certo Ronnie Reed (Jake Gyllenhaal).
O solitário Frankenstein (Christian Bale) exige da Dra. Euphorius (Annette Bening) a criação de uma noiva. E caberá à finada Ida esse papel. Ao contrário da noiva do filme dos anos 1930, desta vez a noiva já vem completa, ainda que um tanto avariada. Tem fraturas, escoriações, uma enorme mancha (...) no rosto.
Juntos, eles saem para o mundo. Mas o mundo que encontram não se parece muito com o de 1930. Agora parece que está dividido em duas partes: o das pessoas ‘de bem’ e as figuras monstruosas (que podem ser prostitutos, músicos, frequentadores de rave etc.). Em vista disso, Frankie (como ela o chama) e Penny (como ele a nomeia) até que começam bem sua passagem pelo mundo civil.
No entanto, logo começam a surgir os obstáculos. Na saída de uma festa, um bando de estupradores ataca Penny; Frankie se enfurece e a defende. Quando a defende não é o monstro gentil que conhecemos, pelo contrário. Os estupradores morrem e, evidentemente, aqui começa a perseguição.
Vemos que, até aqui, Maggie Gyllenhaal mostrou dois aspectos do cinema: os musicais e os monstros. Entra em cena um outro: o policial. Seu xadrez parece pronto. Na verdade, Frankie e Penny serão mais uma espécie de Bonnie & Clyde do que um casal de monstros: uma dupla marginal que sobrevive num sistema opressivo, feito para eliminar os divergentes.
Ou seja, o policial se impõe sobre o terror. As referências ao filme de Arthur Penn são evidentes. Mas também o musical irrompe em contraponto: é o gênero por excelência capaz de prometer felicidade. E aqui ele tem, obviamente, conotação um tanto irônica.
Mais do que todos os gêneros invocados, o cinema é uma presença sempre invocada e sempre questionada. Por um lado, a proximidade entre a produção cinematográfica e o gangsterismo é notória. Mas o cinema é também o lugar onde se promete ao mundo uma felicidade inexistente, que o filme policial virá conjurar. E o horror nisso tudo? Entra sobretudo como dimensão paradoxal: os monstros não são os monstros. São os outros.
Mais exatamente, Maggie Gyllenhaal acrescenta ao mito de Frankenstein a condenação do universo masculino, com tudo o que possa representar de negativo. Basta observar a dupla de simpáticos detetives envolvidos nessa história: Jake Wiles (Peter Sarsgaard) e Myrna Mallow (Penélope Cruz). Ele é o detetive. Ela, a assistente, a secretária. Mas é ela, com seu nome que inevitavelmente evoca o nome de outro detetive, Philip Marlowe (criado por Raymond Chandler), quem tem a capacidade de investigar é a mulher.
A enorme vantagem de "A Noiva!" em relação à maior parte dos filmes que se reivindicam feministas (o que inclui os brasileiros) é que em Gyllenhaal o ideário não atropela a história.
Dizer que o filme é feminista não significa dizer que seu interesse ou seu significado resumem-se a isso. A invocação do monstro visto como vítima de um mundo verdadeiramente monstruoso reflete com alguma desenvoltura a maneira como os liberais sentem-se oprimidos nos EUA sob a atual administração de extrema-direita. E, claro, a cultura do machismo extremo, do sadismo, do estupro (e que se pode replicar, aqui no Brasil, do assassinato de mulheres) mostra sua face horrível por inteiro aqui.
O jogo de espelhos do roteiro, que começa com Ida e Lupino, passa por Frankie e Penny, a era clássica e o contemporâneo etc., ajuda muito na felicidade formal do filme, que consegue superar a empostação desmedida da Mary Shelley que aparece no início e retorna de tempos em tempos”.
O que disse a crítica 1: Mattheus Goto da Revista Veja avaliou com 2 estrelas, ou seja, fraco. Disse: “A premissa de ‘A Noiva!’ tinha potencial: fazer um retrato digno para a protagonista de ‘A Noiva de Frankenstein’ (1936), que foi reduzida a uma perspectiva machista. A diretora e roteirista Maggie Gyllenhaal, com uma visão artística requintada, e a atriz Jessie Buckley, uma camaleoa sempre em transformação, pareciam ser a dupla perfeita para o projeto. O filme é bem ambicioso e aposta em diferentes formatos e gêneros. As tentativas ousadas merecem mais aclamação do que o resultado em si, que é confuso e incoerente”.
O que disse a crítica 2: Pablo Villaça do site Cinema em Cena avaliou com 4 estrelas, ou seja, ótimo. Escreveu: “Com um início que já atira o espectador na lógica de sua história fantástica sem se preocupar com o choque, ‘A Noiva!’ exige uma abertura imediata que talvez seja difícil para alguns espectadores, introduzindo rapidamente camadas metalinguísticas, possessão, reanimações rápidas de cadáveres e um Monstro adaptado a outros contextos. Dito isso, aqueles que conseguirem abraçar a proposta de Gyllenhaal serão recompensados por um filme que, além de não temer riscos, é capaz de encontrar soluções instigantes na maior parte de sua execução. E que mais do que justifica a exclamação em seu título”.
O que eu achei: “Frankenstein” (1818) de autoria de Mary Shelley é um dos livros mais adaptados para o cinema. Dizem que há centenas de versões que vão do terror gótico à comédia. Porém, Shelley nunca escreveu um livro sobre a noiva do Monstro. Essa personagem até aparece no livro de 1818 quando, isolado e odiado pela humanidade, o Monstro exige que o cientista Victor Frankenstein crie uma fêmea para lhe fazer companhia. Victor até começa a montar o corpo da criatura feminina, porém, no meio do processo, ele é tomado pelo medo de que ela seja mais maligna do que o monstro, ou que ela o rejeite, ou que os dois gerem uma ‘raça de demônios’ que ameace a humanidade. Então, em um ataque de pânico, Victor destrói o corpo inacabado. Mas bastou essa citação para a Noiva ir parar nas telas do cinema. James Whale foi o precursor. Seu “Frankenstein” (1931) – com Boris Karloff no papel principal – tem uma sequência chamada “A Noiva de Frankenstein” (1935), com a atriz Elsa Lanchester interpretando a criatura feminina com o icônico cabelo preto com mechas brancas em formato de raio. Depois vieram muitos outros. Agora é a vez de Maggie Gyllenhaal mostrar sua versão feminista da criatura. O filme se passa nos anos 1930 em Chicago. Mary Shelley (1797-1851) já estava morta, então no longa ela é uma narradora fantasmagórica. É do além que ela comenta não ter tido ambiente para criar um livro sobre a noiva do monstro já que, no século XIX, não seria aceita uma criatura feminina tendo a história grandiosa que ela merecia. É lá do além que ela irá ‘encarnar’ em Ida (Jessie Buckley está espetacular fazendo os dois papéis). A moça é uma prostituta contratada pela polícia para se infiltrar na máfia, mas a missão dá terrivelmente errado e ela acaba assassinada. O Monstro – criado originalmente em 1818 - já está com mais de um século de vida e o dr. Victor Frankenstein, que o criou, nem está mais neste mundo. Solitário, ele viaja até Chicago à procura de um cientista que vem se empenhando em pesquisas de ressuscitação. Só ao chegar lá é que ele vê que o cientista é uma mulher. É nesse ponto que a ficção e o além-túmulo se cruzam: o corpo de Ida sem vida será reanimado, encarnando todos os desejos de liberdade e críticas ao machismo de Mary Shelley. Com um visual punk-gótico avassalador que desafia os monstros clássicos do cinema, a criatura inicia uma jornada caótica de vingança e autodescoberta. Eu, particularmente, gostei demais do filme. Mas é preciso ser honesto: não é uma obra que vai agradar todo mundo. Maggie Gyllenhaal não entrega um filme de terror convencional. “A Noiva!” é uma produção visceral, excêntrica e cheia de colagens tonais que misturam o drama histórico com a energia caótica do movimento punk. Quem for ao cinema esperando sustos tradicionais ou o clima gótico preto e branco de outrora pode se frustrar. Tem de tudo no filme: é filme de monstros, é musical, é policial, é road movie, é um manifesto de humor ácido e ultrajante. Maggie Gyllenhaal joga todas essas referências no liquidificador com uma liberdade estética impressionante, criando uma obra que deliberadamente se recusa a se encaixar em uma caixinha só. No entanto, para quem aceita embarcar em uma experiência visceral, corajosa e magnética, o longa se revela uma das releituras mais originais e divertidas que o mito de Mary Shelley já ganhou nas telas. Nós mulheres agradecemos. Se jogue.
Inácio Araújo da Folha SP publicou: “‘A Noiva!’ é, de certa forma, um filme de dualidades, de corpos que se dividem. Assim, logo de início existe uma moça enojada com o grupo de gângsteres, de fato repulsivos, que a cerca. A moça se chama Ida (Jessie Buckley). O líder dos gângsteres se chama Lupino. Juntando os dois, temos Ida Lupino, nome da antiga estrela da Warner e intrépida cineasta independente.
Logo, Ida será morta e ressurgirá entre os vivos como a noiva tão desejada pelo monstro de Frankenstein. Estamos nos anos 1930, era de gângsteres e de filmes. Frankenstein já existia desde o século 19, mas ressurgiu com força no cinema. Agora ressuscita como fã incondicional dos musicais, em especial os estrelados por um certo Ronnie Reed (Jake Gyllenhaal).
O solitário Frankenstein (Christian Bale) exige da Dra. Euphorius (Annette Bening) a criação de uma noiva. E caberá à finada Ida esse papel. Ao contrário da noiva do filme dos anos 1930, desta vez a noiva já vem completa, ainda que um tanto avariada. Tem fraturas, escoriações, uma enorme mancha (...) no rosto.
Juntos, eles saem para o mundo. Mas o mundo que encontram não se parece muito com o de 1930. Agora parece que está dividido em duas partes: o das pessoas ‘de bem’ e as figuras monstruosas (que podem ser prostitutos, músicos, frequentadores de rave etc.). Em vista disso, Frankie (como ela o chama) e Penny (como ele a nomeia) até que começam bem sua passagem pelo mundo civil.
No entanto, logo começam a surgir os obstáculos. Na saída de uma festa, um bando de estupradores ataca Penny; Frankie se enfurece e a defende. Quando a defende não é o monstro gentil que conhecemos, pelo contrário. Os estupradores morrem e, evidentemente, aqui começa a perseguição.
Vemos que, até aqui, Maggie Gyllenhaal mostrou dois aspectos do cinema: os musicais e os monstros. Entra em cena um outro: o policial. Seu xadrez parece pronto. Na verdade, Frankie e Penny serão mais uma espécie de Bonnie & Clyde do que um casal de monstros: uma dupla marginal que sobrevive num sistema opressivo, feito para eliminar os divergentes.
Ou seja, o policial se impõe sobre o terror. As referências ao filme de Arthur Penn são evidentes. Mas também o musical irrompe em contraponto: é o gênero por excelência capaz de prometer felicidade. E aqui ele tem, obviamente, conotação um tanto irônica.
Mais do que todos os gêneros invocados, o cinema é uma presença sempre invocada e sempre questionada. Por um lado, a proximidade entre a produção cinematográfica e o gangsterismo é notória. Mas o cinema é também o lugar onde se promete ao mundo uma felicidade inexistente, que o filme policial virá conjurar. E o horror nisso tudo? Entra sobretudo como dimensão paradoxal: os monstros não são os monstros. São os outros.
Mais exatamente, Maggie Gyllenhaal acrescenta ao mito de Frankenstein a condenação do universo masculino, com tudo o que possa representar de negativo. Basta observar a dupla de simpáticos detetives envolvidos nessa história: Jake Wiles (Peter Sarsgaard) e Myrna Mallow (Penélope Cruz). Ele é o detetive. Ela, a assistente, a secretária. Mas é ela, com seu nome que inevitavelmente evoca o nome de outro detetive, Philip Marlowe (criado por Raymond Chandler), quem tem a capacidade de investigar é a mulher.
A enorme vantagem de "A Noiva!" em relação à maior parte dos filmes que se reivindicam feministas (o que inclui os brasileiros) é que em Gyllenhaal o ideário não atropela a história.
Dizer que o filme é feminista não significa dizer que seu interesse ou seu significado resumem-se a isso. A invocação do monstro visto como vítima de um mundo verdadeiramente monstruoso reflete com alguma desenvoltura a maneira como os liberais sentem-se oprimidos nos EUA sob a atual administração de extrema-direita. E, claro, a cultura do machismo extremo, do sadismo, do estupro (e que se pode replicar, aqui no Brasil, do assassinato de mulheres) mostra sua face horrível por inteiro aqui.
O jogo de espelhos do roteiro, que começa com Ida e Lupino, passa por Frankie e Penny, a era clássica e o contemporâneo etc., ajuda muito na felicidade formal do filme, que consegue superar a empostação desmedida da Mary Shelley que aparece no início e retorna de tempos em tempos”.
O que disse a crítica 1: Mattheus Goto da Revista Veja avaliou com 2 estrelas, ou seja, fraco. Disse: “A premissa de ‘A Noiva!’ tinha potencial: fazer um retrato digno para a protagonista de ‘A Noiva de Frankenstein’ (1936), que foi reduzida a uma perspectiva machista. A diretora e roteirista Maggie Gyllenhaal, com uma visão artística requintada, e a atriz Jessie Buckley, uma camaleoa sempre em transformação, pareciam ser a dupla perfeita para o projeto. O filme é bem ambicioso e aposta em diferentes formatos e gêneros. As tentativas ousadas merecem mais aclamação do que o resultado em si, que é confuso e incoerente”.
O que disse a crítica 2: Pablo Villaça do site Cinema em Cena avaliou com 4 estrelas, ou seja, ótimo. Escreveu: “Com um início que já atira o espectador na lógica de sua história fantástica sem se preocupar com o choque, ‘A Noiva!’ exige uma abertura imediata que talvez seja difícil para alguns espectadores, introduzindo rapidamente camadas metalinguísticas, possessão, reanimações rápidas de cadáveres e um Monstro adaptado a outros contextos. Dito isso, aqueles que conseguirem abraçar a proposta de Gyllenhaal serão recompensados por um filme que, além de não temer riscos, é capaz de encontrar soluções instigantes na maior parte de sua execução. E que mais do que justifica a exclamação em seu título”.
O que eu achei: “Frankenstein” (1818) de autoria de Mary Shelley é um dos livros mais adaptados para o cinema. Dizem que há centenas de versões que vão do terror gótico à comédia. Porém, Shelley nunca escreveu um livro sobre a noiva do Monstro. Essa personagem até aparece no livro de 1818 quando, isolado e odiado pela humanidade, o Monstro exige que o cientista Victor Frankenstein crie uma fêmea para lhe fazer companhia. Victor até começa a montar o corpo da criatura feminina, porém, no meio do processo, ele é tomado pelo medo de que ela seja mais maligna do que o monstro, ou que ela o rejeite, ou que os dois gerem uma ‘raça de demônios’ que ameace a humanidade. Então, em um ataque de pânico, Victor destrói o corpo inacabado. Mas bastou essa citação para a Noiva ir parar nas telas do cinema. James Whale foi o precursor. Seu “Frankenstein” (1931) – com Boris Karloff no papel principal – tem uma sequência chamada “A Noiva de Frankenstein” (1935), com a atriz Elsa Lanchester interpretando a criatura feminina com o icônico cabelo preto com mechas brancas em formato de raio. Depois vieram muitos outros. Agora é a vez de Maggie Gyllenhaal mostrar sua versão feminista da criatura. O filme se passa nos anos 1930 em Chicago. Mary Shelley (1797-1851) já estava morta, então no longa ela é uma narradora fantasmagórica. É do além que ela comenta não ter tido ambiente para criar um livro sobre a noiva do monstro já que, no século XIX, não seria aceita uma criatura feminina tendo a história grandiosa que ela merecia. É lá do além que ela irá ‘encarnar’ em Ida (Jessie Buckley está espetacular fazendo os dois papéis). A moça é uma prostituta contratada pela polícia para se infiltrar na máfia, mas a missão dá terrivelmente errado e ela acaba assassinada. O Monstro – criado originalmente em 1818 - já está com mais de um século de vida e o dr. Victor Frankenstein, que o criou, nem está mais neste mundo. Solitário, ele viaja até Chicago à procura de um cientista que vem se empenhando em pesquisas de ressuscitação. Só ao chegar lá é que ele vê que o cientista é uma mulher. É nesse ponto que a ficção e o além-túmulo se cruzam: o corpo de Ida sem vida será reanimado, encarnando todos os desejos de liberdade e críticas ao machismo de Mary Shelley. Com um visual punk-gótico avassalador que desafia os monstros clássicos do cinema, a criatura inicia uma jornada caótica de vingança e autodescoberta. Eu, particularmente, gostei demais do filme. Mas é preciso ser honesto: não é uma obra que vai agradar todo mundo. Maggie Gyllenhaal não entrega um filme de terror convencional. “A Noiva!” é uma produção visceral, excêntrica e cheia de colagens tonais que misturam o drama histórico com a energia caótica do movimento punk. Quem for ao cinema esperando sustos tradicionais ou o clima gótico preto e branco de outrora pode se frustrar. Tem de tudo no filme: é filme de monstros, é musical, é policial, é road movie, é um manifesto de humor ácido e ultrajante. Maggie Gyllenhaal joga todas essas referências no liquidificador com uma liberdade estética impressionante, criando uma obra que deliberadamente se recusa a se encaixar em uma caixinha só. No entanto, para quem aceita embarcar em uma experiência visceral, corajosa e magnética, o longa se revela uma das releituras mais originais e divertidas que o mito de Mary Shelley já ganhou nas telas. Nós mulheres agradecemos. Se jogue.







