
Comentário: Petra Biondina Volpe (1970) é uma roteirista e diretora de cinema suíça, conhecida por ter dirigido o filme “A Ordem Divina” (2017). “Turno da Noite” (2025) é o primeiro filme que vejo dela.
Deborah Cole do site The Guardian publicou: “O mundo poderá enfrentar uma escassez de 13 milhões de enfermeiros até o final desta década. Para seu novo filme, a diretora suíça Petra Volpe imaginou as consequências de apenas um plantão perdido em uma noite movimentada em um hospital e acabou criando um filme-catástrofe.
Com ‘Turno da Noite’, Volpe buscou lançar luz sobre a linha de frente da iminente catástrofe na área da saúde, através dos olhos da dedicada e exausta Floria. Interpretada pela atriz alemã Leonie Benesch, a jovem enfermeira demonstra uma graça inicialmente acrobática em seu dia de trabalho, cuja primeira metade lembra um episódio particularmente frenético semelhante ao mostrado na série de culinária do restaurante ‘The Bear’, mas com consequências de vida ou morte.
Ao chegar para o seu turno, alegre e cheia de energia, e depois de perguntar sobre as férias recentes da colega, Floria logo fica sabendo que outra enfermeira ligou dizendo que estava doente. A carga de trabalho iminente aumenta exponencialmente, intensificando o estresse e elevando a probabilidade de ela cometer um erro fatal.
A cineasta Volpe, nascida na Suíça, afirma que escolheu o título alemão do filme, Heldin (Heroína), porque ele é um termo mítico frequentemente reservado para guerreiros e o aplicou à bravura e ao sacrifício inerentes ao trabalho de cuidado.
‘Este trabalho, que é extremamente complexo e carregado de emoção, é completamente desvalorizado em nossas sociedades’, diz Volpe. ‘Considero isso muito sintomático, pois é um trabalho feminino – 80% das pessoas [em muitos países] que realizam esse trabalho são mulheres’.
Volpe inspirou-se em uma colega de quarto de longa data que trabalhava como enfermeira e no romance autobiográfico ‘Nossa profissão não é o problema – são as circunstâncias’, da ex-cuidadora alemã Madeline Calvelage, que a aconselhou no roteiro. ‘Meu coração estava acelerado desde o primeiro capítulo e pensei comigo mesma: ‘Isso parece um thriller’, diz Volpe. ‘Mas em meio a essa tensão, você encontra os momentos mais ternos e humanos’.
O filme gira em torno das necessidades crescentes e conflitantes dos pacientes em uma enfermaria hospitalar, com um conjunto diferente de demandas médicas e emocionais à espreita atrás de cada porta, sinalizadas à equipe por uma campainha estridente.
A carreira meteórica de Benesch já incluiu papéis em ‘The Crown’ e ‘Babylon Berlin’, além de participações em filmes como ‘A Fita Branca’, de Michael Haneke, o drama sobre os ataques nas Olimpíadas de Munique, ‘September 5’, e o indicado ao Oscar alemão ‘A Sala dos Professores’. Ela afirma que um tema comum em seus personagens mais recentes é ‘pessoas que se dedicam intensamente ao que fazem’. Mas observa que é raro ver enfermeiras e suas façanhas cotidianas como protagonistas em séries médicas.
‘Você está acostumado a ver os médicos como os heróis e, em segundo plano, uma enfermeira pode estar cuidando de uma bolsa de infusão, tomando um café ou tendo um caso com o médico chefe’, diz Benesch. ‘Antes disso, não estava claro para mim quanta responsabilidade médica real recai sobre os ombros dos enfermeiros’.
Benesch, que estudou na Guildhall School of Music & Drama de Londres, disse que passou vários turnos acompanhando enfermeiras de verdade em um hospital suíço para aprender a ‘coreografia’ das interações entre a equipe e os pacientes, e as habilidades manuais de preparar uma seringa ou aferir a pressão arterial. ‘Eu queria que as enfermeiras de verdade não conseguissem me diferenciar de uma profissional’, diz ela. ‘Só espero que as pessoas não se assustem com um filme legendado, porque a história é absolutamente universal’.
O filme ‘Turno da Noite’ gerou debates acalorados sobre reformas políticas e se provou um sucesso de crítica e de bilheteria na Europa de língua alemã, superando até mesmo o último filme de Bridget Jones nos cinemas suíços.
Na estreia mundial no Festival de Cinema de Berlim [...] várias enfermeiras foram convidadas a aparecer em seus uniformes no tapete vermelho e a subir ao palco após a exibição para receber uma salva de palmas. Dias antes das eleições gerais na Alemanha, algumas delas exibiam cartazes com a hashtag #wirsindfloria (Nós Somos Floria). (…)
Volpe, que divide seu tempo entre Berlim e Nova York, diz que ficou satisfeita ao ver enfermeiras indo em grupos assistir ao filme e espera que ele transforme o restante do público em pacientes melhores. ‘As enfermeiras deveriam estar no topo da nossa hierarquia social, mas vivemos em um mundo onde é justamente o contrário’, afirma. ‘Este filme é uma carta de amor à profissão’.
Embora o filme se passe na infraestrutura social precária, porém ainda intacta, da Europa, Volpe disse ter visto nos EUA os cortes drásticos de Donald Trump no Medicaid, programa que atende principalmente pessoas pobres e com deficiência, ameaçando prejudicar os mais vulneráveis. ‘Vemos uma grande crueldade em todas essas medidas’, afirma. ‘Elon Musk disse que considera a empatia o maior problema da nossa época, o que é, obviamente, monstruoso. O mínimo que um artista pode fazer é se opor a isso. Cedo ou tarde, todos nós dependeremos daquela pessoa ao lado da cama’.”
O que disse a crítica 1: Miguel Revel do site The Golden Take gostou. Disse: “O stress vai aumentando à medida que as horas passam, mas a realizadora sabe manter os pés no chão (...) sem partir para os habituais exageros norte-americanos, [finalizando como] um justo reconhecimento e agradecimento pelo esforço desta classe trabalhadora que dá tudo para nos manter vivos e com saúde quando, por alguma razão, vamos parar aos seus cuidados”.
O que disse a crítica 2: Peyton Robinson do site Roger Ebert avaliou com o equivalente a 4 estrelas, ou seja, ótimo. Escreveu: “Manter um ponto de vista próximo, embora essencial para o filme, por vezes é o seu maior ponto fraco. Na cena final, sente-se imensa empatia e exaustão, concluindo de forma impactante a façanha sísifa de Floria (mas com a consciência de que outro turno a aguarda amanhã). "Turno da Noite" nunca perde de vista a compaixão pela protagonista, mas peca por não aprofundar o contexto. Deixando um gostinho de quero mais, o filme de Volpe toca o coração, mas não satisfaz o desejo por uma obra mais completa”.
O que eu achei: “Turno da Noite” é o nome do filme da Suíça pré-selecionado para o Oscar Internacional de 2026. O roteiro foi inspirado no livro de não ficção alemão “Unser beruf ist nicht das problem: es sind die umstände” (Nossa profissão não é o problema: as circunstâncias é que são), escrito pela ex-enfermeira Madeline Calvelage. A obra de Calvelage descreve de forma muito realista e crua a rotina exaustiva e as pressões sistêmicas enfrentadas pelos profissionais de enfermagem no dia a dia. Volpe relatou em entrevistas que ler o livro lhe deu ‘palpitações no coração’ e que a estrutura de acompanhar um único plantão tenso veio diretamente dessa leitura. Na trama, vamos acompanhar a rotina exaustiva de Floria (Leonie Benesch), uma enfermeira dedicada que trabalha em uma enfermaria com falta de pessoal. No dia retratado pelo longa, das três enfermeiras de plantão, apenas duas foram trabalhar, com isso o turno vai ser uma corrida contra o relógio com pacientes exigindo demandas diversas. Apesar de ter o livro como base e ponto de partida, a diretora também complementou o roteiro com um intenso processo de pesquisa, incluindo a imersão em hospitais, acompanhando enfermeiras em seus turnos reais para entender a dinâmica física e emocional do ambiente e entrevistando dezenas de profissionais de saúde, contando com médicos e enfermeiras reais como consultores para garantir o tom quase documental da produção. O resultado é perfeito. A sensação de exaustão da protagonista ultrapassa a tela e contagia quem está assistindo. Essa entrega impressionante se deve ao talento da atriz alemã Leonie Benesch, cuja preparação para o papel foi extremamente rigorosa. Ela aprendeu a manusear equipamentos, aplicar injeções e mover pacientes de forma tecnicamente correta, para que seus movimentos no hospital parecessem automáticos, como os de alguém com anos de experiência. Ela também chegou a acompanhar plantões noturnos reais em hospitais antes das filmagens, para entender não só a técnica, mas o peso físico, a pressão e a fadiga mental que atingem esses profissionais. O estilo de filmagem também ajuda. A direção Petra Volpe foca muito nos detalhes do plano fechado e na câmera na mão, o que nos coloca ‘dentro’ do uniforme da Floria. Não há o glamour ou o melodrama exagerado de séries médicas tradicionais, mas sim o foco no cansaço, com os vilões sendo o relógio e as condições de trabalho. No final do filme um letreiro informa que 36% dos enfermeiros formados largam a profissão após 4 anos de atividade e que, até 2030, a Suíça terá uma carência de 30 mil profissionais de enfermagem, enquanto na Alemanha a carência de enfermeiros pode chegar a 260 mil até 2029. Segundo a OMS, a escassez mundial de enfermeiros atinge toda a Europa. Se observarmos o cenário do Brasil, aqui temos um grande volume de profissionais formados cujo desequilíbrio se concentra mais na distribuição geográfica e na desvalorização financeira. Mas esse volume vem caindo. Há projeções que indicam que, até 2030, o Brasil poderá ter uma quantidade quase equivalente - ou até maior - de médicos em relação a enfermeiros graduados. Isso pode levar a um colapso operacional, já que a enfermagem representa a sustentação diária e o cuidado contínuo à beira do leito nos hospitais. Além disso, governos como o da Alemanha têm feito campanhas ativas para recrutar enfermeiros brasileiros, oferecendo vistos e cursos de idioma. Caso queira assistir, o nome original do longa é “Heldin”, que significa “Heroína”, mas ele também pode ser encontrado como “Late Shift”, “Turno da Noite” ou “Na Linha da Frente”. Com certeza vou repensar meu comportamento quando estiver internada. Excelente pedida.
Deborah Cole do site The Guardian publicou: “O mundo poderá enfrentar uma escassez de 13 milhões de enfermeiros até o final desta década. Para seu novo filme, a diretora suíça Petra Volpe imaginou as consequências de apenas um plantão perdido em uma noite movimentada em um hospital e acabou criando um filme-catástrofe.
Com ‘Turno da Noite’, Volpe buscou lançar luz sobre a linha de frente da iminente catástrofe na área da saúde, através dos olhos da dedicada e exausta Floria. Interpretada pela atriz alemã Leonie Benesch, a jovem enfermeira demonstra uma graça inicialmente acrobática em seu dia de trabalho, cuja primeira metade lembra um episódio particularmente frenético semelhante ao mostrado na série de culinária do restaurante ‘The Bear’, mas com consequências de vida ou morte.
Ao chegar para o seu turno, alegre e cheia de energia, e depois de perguntar sobre as férias recentes da colega, Floria logo fica sabendo que outra enfermeira ligou dizendo que estava doente. A carga de trabalho iminente aumenta exponencialmente, intensificando o estresse e elevando a probabilidade de ela cometer um erro fatal.
A cineasta Volpe, nascida na Suíça, afirma que escolheu o título alemão do filme, Heldin (Heroína), porque ele é um termo mítico frequentemente reservado para guerreiros e o aplicou à bravura e ao sacrifício inerentes ao trabalho de cuidado.
‘Este trabalho, que é extremamente complexo e carregado de emoção, é completamente desvalorizado em nossas sociedades’, diz Volpe. ‘Considero isso muito sintomático, pois é um trabalho feminino – 80% das pessoas [em muitos países] que realizam esse trabalho são mulheres’.
Volpe inspirou-se em uma colega de quarto de longa data que trabalhava como enfermeira e no romance autobiográfico ‘Nossa profissão não é o problema – são as circunstâncias’, da ex-cuidadora alemã Madeline Calvelage, que a aconselhou no roteiro. ‘Meu coração estava acelerado desde o primeiro capítulo e pensei comigo mesma: ‘Isso parece um thriller’, diz Volpe. ‘Mas em meio a essa tensão, você encontra os momentos mais ternos e humanos’.
O filme gira em torno das necessidades crescentes e conflitantes dos pacientes em uma enfermaria hospitalar, com um conjunto diferente de demandas médicas e emocionais à espreita atrás de cada porta, sinalizadas à equipe por uma campainha estridente.
A carreira meteórica de Benesch já incluiu papéis em ‘The Crown’ e ‘Babylon Berlin’, além de participações em filmes como ‘A Fita Branca’, de Michael Haneke, o drama sobre os ataques nas Olimpíadas de Munique, ‘September 5’, e o indicado ao Oscar alemão ‘A Sala dos Professores’. Ela afirma que um tema comum em seus personagens mais recentes é ‘pessoas que se dedicam intensamente ao que fazem’. Mas observa que é raro ver enfermeiras e suas façanhas cotidianas como protagonistas em séries médicas.
‘Você está acostumado a ver os médicos como os heróis e, em segundo plano, uma enfermeira pode estar cuidando de uma bolsa de infusão, tomando um café ou tendo um caso com o médico chefe’, diz Benesch. ‘Antes disso, não estava claro para mim quanta responsabilidade médica real recai sobre os ombros dos enfermeiros’.
Benesch, que estudou na Guildhall School of Music & Drama de Londres, disse que passou vários turnos acompanhando enfermeiras de verdade em um hospital suíço para aprender a ‘coreografia’ das interações entre a equipe e os pacientes, e as habilidades manuais de preparar uma seringa ou aferir a pressão arterial. ‘Eu queria que as enfermeiras de verdade não conseguissem me diferenciar de uma profissional’, diz ela. ‘Só espero que as pessoas não se assustem com um filme legendado, porque a história é absolutamente universal’.
O filme ‘Turno da Noite’ gerou debates acalorados sobre reformas políticas e se provou um sucesso de crítica e de bilheteria na Europa de língua alemã, superando até mesmo o último filme de Bridget Jones nos cinemas suíços.
Na estreia mundial no Festival de Cinema de Berlim [...] várias enfermeiras foram convidadas a aparecer em seus uniformes no tapete vermelho e a subir ao palco após a exibição para receber uma salva de palmas. Dias antes das eleições gerais na Alemanha, algumas delas exibiam cartazes com a hashtag #wirsindfloria (Nós Somos Floria). (…)
Volpe, que divide seu tempo entre Berlim e Nova York, diz que ficou satisfeita ao ver enfermeiras indo em grupos assistir ao filme e espera que ele transforme o restante do público em pacientes melhores. ‘As enfermeiras deveriam estar no topo da nossa hierarquia social, mas vivemos em um mundo onde é justamente o contrário’, afirma. ‘Este filme é uma carta de amor à profissão’.
Embora o filme se passe na infraestrutura social precária, porém ainda intacta, da Europa, Volpe disse ter visto nos EUA os cortes drásticos de Donald Trump no Medicaid, programa que atende principalmente pessoas pobres e com deficiência, ameaçando prejudicar os mais vulneráveis. ‘Vemos uma grande crueldade em todas essas medidas’, afirma. ‘Elon Musk disse que considera a empatia o maior problema da nossa época, o que é, obviamente, monstruoso. O mínimo que um artista pode fazer é se opor a isso. Cedo ou tarde, todos nós dependeremos daquela pessoa ao lado da cama’.”
O que disse a crítica 1: Miguel Revel do site The Golden Take gostou. Disse: “O stress vai aumentando à medida que as horas passam, mas a realizadora sabe manter os pés no chão (...) sem partir para os habituais exageros norte-americanos, [finalizando como] um justo reconhecimento e agradecimento pelo esforço desta classe trabalhadora que dá tudo para nos manter vivos e com saúde quando, por alguma razão, vamos parar aos seus cuidados”.
O que disse a crítica 2: Peyton Robinson do site Roger Ebert avaliou com o equivalente a 4 estrelas, ou seja, ótimo. Escreveu: “Manter um ponto de vista próximo, embora essencial para o filme, por vezes é o seu maior ponto fraco. Na cena final, sente-se imensa empatia e exaustão, concluindo de forma impactante a façanha sísifa de Floria (mas com a consciência de que outro turno a aguarda amanhã). "Turno da Noite" nunca perde de vista a compaixão pela protagonista, mas peca por não aprofundar o contexto. Deixando um gostinho de quero mais, o filme de Volpe toca o coração, mas não satisfaz o desejo por uma obra mais completa”.
O que eu achei: “Turno da Noite” é o nome do filme da Suíça pré-selecionado para o Oscar Internacional de 2026. O roteiro foi inspirado no livro de não ficção alemão “Unser beruf ist nicht das problem: es sind die umstände” (Nossa profissão não é o problema: as circunstâncias é que são), escrito pela ex-enfermeira Madeline Calvelage. A obra de Calvelage descreve de forma muito realista e crua a rotina exaustiva e as pressões sistêmicas enfrentadas pelos profissionais de enfermagem no dia a dia. Volpe relatou em entrevistas que ler o livro lhe deu ‘palpitações no coração’ e que a estrutura de acompanhar um único plantão tenso veio diretamente dessa leitura. Na trama, vamos acompanhar a rotina exaustiva de Floria (Leonie Benesch), uma enfermeira dedicada que trabalha em uma enfermaria com falta de pessoal. No dia retratado pelo longa, das três enfermeiras de plantão, apenas duas foram trabalhar, com isso o turno vai ser uma corrida contra o relógio com pacientes exigindo demandas diversas. Apesar de ter o livro como base e ponto de partida, a diretora também complementou o roteiro com um intenso processo de pesquisa, incluindo a imersão em hospitais, acompanhando enfermeiras em seus turnos reais para entender a dinâmica física e emocional do ambiente e entrevistando dezenas de profissionais de saúde, contando com médicos e enfermeiras reais como consultores para garantir o tom quase documental da produção. O resultado é perfeito. A sensação de exaustão da protagonista ultrapassa a tela e contagia quem está assistindo. Essa entrega impressionante se deve ao talento da atriz alemã Leonie Benesch, cuja preparação para o papel foi extremamente rigorosa. Ela aprendeu a manusear equipamentos, aplicar injeções e mover pacientes de forma tecnicamente correta, para que seus movimentos no hospital parecessem automáticos, como os de alguém com anos de experiência. Ela também chegou a acompanhar plantões noturnos reais em hospitais antes das filmagens, para entender não só a técnica, mas o peso físico, a pressão e a fadiga mental que atingem esses profissionais. O estilo de filmagem também ajuda. A direção Petra Volpe foca muito nos detalhes do plano fechado e na câmera na mão, o que nos coloca ‘dentro’ do uniforme da Floria. Não há o glamour ou o melodrama exagerado de séries médicas tradicionais, mas sim o foco no cansaço, com os vilões sendo o relógio e as condições de trabalho. No final do filme um letreiro informa que 36% dos enfermeiros formados largam a profissão após 4 anos de atividade e que, até 2030, a Suíça terá uma carência de 30 mil profissionais de enfermagem, enquanto na Alemanha a carência de enfermeiros pode chegar a 260 mil até 2029. Segundo a OMS, a escassez mundial de enfermeiros atinge toda a Europa. Se observarmos o cenário do Brasil, aqui temos um grande volume de profissionais formados cujo desequilíbrio se concentra mais na distribuição geográfica e na desvalorização financeira. Mas esse volume vem caindo. Há projeções que indicam que, até 2030, o Brasil poderá ter uma quantidade quase equivalente - ou até maior - de médicos em relação a enfermeiros graduados. Isso pode levar a um colapso operacional, já que a enfermagem representa a sustentação diária e o cuidado contínuo à beira do leito nos hospitais. Além disso, governos como o da Alemanha têm feito campanhas ativas para recrutar enfermeiros brasileiros, oferecendo vistos e cursos de idioma. Caso queira assistir, o nome original do longa é “Heldin”, que significa “Heroína”, mas ele também pode ser encontrado como “Late Shift”, “Turno da Noite” ou “Na Linha da Frente”. Com certeza vou repensar meu comportamento quando estiver internada. Excelente pedida.








