
Comentário: Julinho Bittencourt da Revista Fórum publicou: "O título pode parecer irônico – e é mesmo – mas, tudo na vida é referência. Após fazer parte desde a adolescência daquela que é considerada até hoje a 'maior banda do planeta', ou seja, os Beatles, o músico Paul McCartney cai em depressão com a dissolução do grupo, no final da década de 60. Milionário, autor de inúmeros sucessos e com a vida ganha com menos de trinta anos de idade, o personagem se vê desolado.
Ao leitor, que assim como a maioria de nós, aposta corrida com os boletos mês a mês, a reação de Paul McCartney pode parecer ultrajante. Não há, afinal, do que reclamar, não é mesmo? O fato é que nenhum de nós é Paul McCartney, objeto de milhares (ou até mesmo milhões) de reportagens, filmes, especulações, triunfos e, por fim, fracassos também.
E é justamente a visão de uma celebridade que chega ao topo e, quando tudo acaba, fica sem saber o que fazer da vida, que trata o excelente documentário 'Paul McCartney: Man on the Run', de Morgan Neville.
O longa tem duas importâncias vitais. A primeira delas bastante óbvia, é o acervo enorme de imagens inéditas, depoimentos e registros sobre o ex-beatle, o casamento com Linda – e sua enorme importância na reconstrução de sua vida – e a sinceridade com que tudo é tratado.
A segunda é que, todos nós, sobretudo os que viveram um pouco mais, temos um momento na vida que nos parece ser o auge, o melhor e que jamais será superado. E é justamente aí que Paul McCartney nos ensina uma lição imprescindível neste documentário: o que fomos sempre vai existir em nós.
Ao afirmar, atônito, que jamais seria capaz de superar o que os Beatles fizeram, nenhum espectador em sã consciência é capaz de discordar. Apesar da obviedade, McCartney junta todos os seus preciosos cacos sem deixar nada para trás e se recompõe. Abre mão da pirraça de nunca mais tocar canções do antigo grupo, monta uma banda digna de respeito e, mais uma vez, se reinventa em um astro de primeira grandeza da canção mundial.
As imagens são o que todos os fãs adoram assistir. Cenas íntimas no meio de excursões, os músicos se divertindo no ônibus, as crianças e, sobretudo, Linda McCartney sempre presente, enfrentando falatório da imprensa e toda a sorte de maldades.
Paul afirmou que o que mais o comoveu na realização do documentário foi rever as imagens da sua ex-esposa, morta em decorrência de um câncer em 1998. O filme deixa a impressão nítida que, não fosse ela e ele jamais teria atravessado este rubicão em sua vida.
O filme termina em 1980, com o assassinato de John Lennon e a constatação final de que os Beatles jamais voltariam a se juntar. As cenas da primeira entrevista de McCartney ao falar sobre a morte do parceiro comentadas pelo filho mais novo de Lennon, Sean Ono Lennon, são comoventes.
O resto da história a gente conhece. Paul McCartney prossegue, aos 83 anos, fazendo shows mundo afora. E nós, da plateia ou não, seguimos assim como ele perseguindo a reconstrução do que fomos em nós mesmos.
O que disse a crítica 1: Matt Zoller Seitz do site Roger Ebbert avaliou com o equivalente a 3,1 estrelas, ou seja, bom Disse: A Fazenda High Park é "um santuário mental para o qual Paul escapa regularmente porque agora o reconhece como o local do período mais feliz de sua vida. Seu amor por Linda e o amor de Linda por Paul são reiterados inúmeras vezes, em palavras e imagens. O mesmo acontece com o laço fraternal entre John e Paul, que transcendeu suas disputas e se tornou mais caloroso e afetuoso quando eles não precisavam mais competir pelo controle dos Beatles. É comovente ouvir um homem de 83 anos ainda lamentando a perda de seus companheiros de vida mais importantes, John e Linda, nenhum dos quais ele esperava que morressem tão jovens".
O que disse a crítica 2: Jake Sokolsky do site Punch Drunk Critics avaliou com 4 estrelas, ou seja, ótimo. Escreveu: "Um dos aspectos mais marcantes de 'Paul McCartney: Homem em Fuga' são os vídeos caseiros e as fotos que Paul e sua esposa Linda guardavam meticulosamente. A família e o relacionamento de Paul com Linda são elementos centrais do filme. 'Paul McCartney: Homem em Fuga' foca nas transições que ocorreram na vida de McCartney, não apenas musicalmente, mas também pessoalmente. De certa forma, é uma história de amadurecimento, uma história de crescimento. Todos os elementos do filme se unem de forma primorosa. Neville e sua equipe conseguem apresentar um olhar envolvente sobre um dos maiores ícones da música. O filme definitivamente vale a pena ser assistido por pessoas de todos, não apenas pelos fãs dos Beatles".
O que eu achei: Nascida nos anos 60, sempre fui fã dos Beatles e sempre me surpreendo com a informação, que não me entra na cabeça, de que essa banda só esteve em atividade por meros 10 anos: de 1960 até 1970. Parece muito mais. Estou com 65 anos e, sempre que ouço uma música deles elas me soam empolgantes como soaria uma boa grande novidade. É difícil assimilar o tanto que eles produziram em apenas uma década. O documentário "Paul McCartney: Man on the Run" (2025) – traduzido para o português literalmente como "Paul McCartney: Homem em Fuga" -, se atém à vida do Paul McCartney após o fim dos Beatles. Ele tinha apenas 27 anos, já estava milionário, dinheiro não era problema, mas ele literalmente 'não sabia para onde correr', afinal ser um ex-beatle não é algo tão fácil de assimilar e, muito menos, de reconstruir. Nascido em Liverpool no Reino Unido, pode-se dizer que a paixão pela nova-iorquina Linda Eastman foi seu grande bote salva-vidas. Seu casamento com ela, ainda em 1969 - ano turbulento na relação entre Paul e John Lennon e também do fim dos Beatles - levou o casal a buscar uma vida pacata na fazenda High Park, na costa oeste da Escócia, onde puderam se isolar do mundo da fama e do assédio para respirar, acalmar a mente e refletir sobre novos rumos. Apesar de Linda ser do mundo da fotografia e não da música, foi com ela nos vocais que ele lançou seu primeiro álbum solo. No segundo, já houve a participação de outros músicos. E assim é que a banda Wings foi entrando em atividade, sendo o foco do documentário. Assim como The Beatles, a banda Wings durou 10 anos: de 1971 a 1981. A discografia completa começa com "Wild Life" (1971), passa por "Red Rose Speedway" (1973), "Band on the Run" (1973), "Venus and Mars" (1975), "Wings at the Speed of Sound" (1976), "Wings Over America" (1976), "London Town" (1978), "Wings Greatest" (1978), "Back to the Egg" (1979) e finaliza com "Concerts for the People of Kampuchea" (1981). No documentário é possível perceber como as tretas com John Lennon nunca deixaram Paul realmente em paz. Amigos de longa data que eram, felizmente conseguiram uma reaproximação das famílias antes de John ser assassinado em 1980, aos 40 anos, em frente ao edifício The Dakota, onde ele morava, na cidade de Nova Iorque. O documentário termina em 1980-1981 com o fim da banda Wings, não chegando a mostrar a morte de Linda por câncer em 1998, mas é possível ver tanto a adoção que Paul fez da filha que Linda já tinha antes de conhecê-lo - Heather McCartney Potter – bem como o nascimento de Mary (1969), Stella (1971) e James Louis (1977). Bem interessante. Com certeza quem é fã vai gostar de ver. Desliguei com aquela sensação agradável de ver um gênio se reconstruindo. Boa pedida.
Ao leitor, que assim como a maioria de nós, aposta corrida com os boletos mês a mês, a reação de Paul McCartney pode parecer ultrajante. Não há, afinal, do que reclamar, não é mesmo? O fato é que nenhum de nós é Paul McCartney, objeto de milhares (ou até mesmo milhões) de reportagens, filmes, especulações, triunfos e, por fim, fracassos também.
E é justamente a visão de uma celebridade que chega ao topo e, quando tudo acaba, fica sem saber o que fazer da vida, que trata o excelente documentário 'Paul McCartney: Man on the Run', de Morgan Neville.
O longa tem duas importâncias vitais. A primeira delas bastante óbvia, é o acervo enorme de imagens inéditas, depoimentos e registros sobre o ex-beatle, o casamento com Linda – e sua enorme importância na reconstrução de sua vida – e a sinceridade com que tudo é tratado.
A segunda é que, todos nós, sobretudo os que viveram um pouco mais, temos um momento na vida que nos parece ser o auge, o melhor e que jamais será superado. E é justamente aí que Paul McCartney nos ensina uma lição imprescindível neste documentário: o que fomos sempre vai existir em nós.
Ao afirmar, atônito, que jamais seria capaz de superar o que os Beatles fizeram, nenhum espectador em sã consciência é capaz de discordar. Apesar da obviedade, McCartney junta todos os seus preciosos cacos sem deixar nada para trás e se recompõe. Abre mão da pirraça de nunca mais tocar canções do antigo grupo, monta uma banda digna de respeito e, mais uma vez, se reinventa em um astro de primeira grandeza da canção mundial.
As imagens são o que todos os fãs adoram assistir. Cenas íntimas no meio de excursões, os músicos se divertindo no ônibus, as crianças e, sobretudo, Linda McCartney sempre presente, enfrentando falatório da imprensa e toda a sorte de maldades.
Paul afirmou que o que mais o comoveu na realização do documentário foi rever as imagens da sua ex-esposa, morta em decorrência de um câncer em 1998. O filme deixa a impressão nítida que, não fosse ela e ele jamais teria atravessado este rubicão em sua vida.
O filme termina em 1980, com o assassinato de John Lennon e a constatação final de que os Beatles jamais voltariam a se juntar. As cenas da primeira entrevista de McCartney ao falar sobre a morte do parceiro comentadas pelo filho mais novo de Lennon, Sean Ono Lennon, são comoventes.
O resto da história a gente conhece. Paul McCartney prossegue, aos 83 anos, fazendo shows mundo afora. E nós, da plateia ou não, seguimos assim como ele perseguindo a reconstrução do que fomos em nós mesmos.
O que disse a crítica 1: Matt Zoller Seitz do site Roger Ebbert avaliou com o equivalente a 3,1 estrelas, ou seja, bom Disse: A Fazenda High Park é "um santuário mental para o qual Paul escapa regularmente porque agora o reconhece como o local do período mais feliz de sua vida. Seu amor por Linda e o amor de Linda por Paul são reiterados inúmeras vezes, em palavras e imagens. O mesmo acontece com o laço fraternal entre John e Paul, que transcendeu suas disputas e se tornou mais caloroso e afetuoso quando eles não precisavam mais competir pelo controle dos Beatles. É comovente ouvir um homem de 83 anos ainda lamentando a perda de seus companheiros de vida mais importantes, John e Linda, nenhum dos quais ele esperava que morressem tão jovens".
O que disse a crítica 2: Jake Sokolsky do site Punch Drunk Critics avaliou com 4 estrelas, ou seja, ótimo. Escreveu: "Um dos aspectos mais marcantes de 'Paul McCartney: Homem em Fuga' são os vídeos caseiros e as fotos que Paul e sua esposa Linda guardavam meticulosamente. A família e o relacionamento de Paul com Linda são elementos centrais do filme. 'Paul McCartney: Homem em Fuga' foca nas transições que ocorreram na vida de McCartney, não apenas musicalmente, mas também pessoalmente. De certa forma, é uma história de amadurecimento, uma história de crescimento. Todos os elementos do filme se unem de forma primorosa. Neville e sua equipe conseguem apresentar um olhar envolvente sobre um dos maiores ícones da música. O filme definitivamente vale a pena ser assistido por pessoas de todos, não apenas pelos fãs dos Beatles".
O que eu achei: Nascida nos anos 60, sempre fui fã dos Beatles e sempre me surpreendo com a informação, que não me entra na cabeça, de que essa banda só esteve em atividade por meros 10 anos: de 1960 até 1970. Parece muito mais. Estou com 65 anos e, sempre que ouço uma música deles elas me soam empolgantes como soaria uma boa grande novidade. É difícil assimilar o tanto que eles produziram em apenas uma década. O documentário "Paul McCartney: Man on the Run" (2025) – traduzido para o português literalmente como "Paul McCartney: Homem em Fuga" -, se atém à vida do Paul McCartney após o fim dos Beatles. Ele tinha apenas 27 anos, já estava milionário, dinheiro não era problema, mas ele literalmente 'não sabia para onde correr', afinal ser um ex-beatle não é algo tão fácil de assimilar e, muito menos, de reconstruir. Nascido em Liverpool no Reino Unido, pode-se dizer que a paixão pela nova-iorquina Linda Eastman foi seu grande bote salva-vidas. Seu casamento com ela, ainda em 1969 - ano turbulento na relação entre Paul e John Lennon e também do fim dos Beatles - levou o casal a buscar uma vida pacata na fazenda High Park, na costa oeste da Escócia, onde puderam se isolar do mundo da fama e do assédio para respirar, acalmar a mente e refletir sobre novos rumos. Apesar de Linda ser do mundo da fotografia e não da música, foi com ela nos vocais que ele lançou seu primeiro álbum solo. No segundo, já houve a participação de outros músicos. E assim é que a banda Wings foi entrando em atividade, sendo o foco do documentário. Assim como The Beatles, a banda Wings durou 10 anos: de 1971 a 1981. A discografia completa começa com "Wild Life" (1971), passa por "Red Rose Speedway" (1973), "Band on the Run" (1973), "Venus and Mars" (1975), "Wings at the Speed of Sound" (1976), "Wings Over America" (1976), "London Town" (1978), "Wings Greatest" (1978), "Back to the Egg" (1979) e finaliza com "Concerts for the People of Kampuchea" (1981). No documentário é possível perceber como as tretas com John Lennon nunca deixaram Paul realmente em paz. Amigos de longa data que eram, felizmente conseguiram uma reaproximação das famílias antes de John ser assassinado em 1980, aos 40 anos, em frente ao edifício The Dakota, onde ele morava, na cidade de Nova Iorque. O documentário termina em 1980-1981 com o fim da banda Wings, não chegando a mostrar a morte de Linda por câncer em 1998, mas é possível ver tanto a adoção que Paul fez da filha que Linda já tinha antes de conhecê-lo - Heather McCartney Potter – bem como o nascimento de Mary (1969), Stella (1971) e James Louis (1977). Bem interessante. Com certeza quem é fã vai gostar de ver. Desliguei com aquela sensação agradável de ver um gênio se reconstruindo. Boa pedida.