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18.7.20

"Agnus Dei" - Anne Fontaine (França/Polônia, 2016)

Sinopse: Em 1945, na Polônia, Mathilde (Lou de Laâge), uma jovem médica francesa da Cruz Vermelha, descobre que freiras moradoras de um convento foram estupradas por soldados e muitas delas engravidaram. Mathilde, escalada somente para cuidar dos franceses, secretamente começa a ajudar as freiras. A médica ainda precisa enfrentar os julgamentos das religiosas que se sentem culpadas por terem violado o voto de castidade.
Comentário: Anne Fontaine (1959) é uma cineasta e roteirista luxemburguesa. Assisti dela o mediano "Coco Antes de Chanel" (2008). Desta vez vou conferir "Agnus Dei" (2016).
Trata-se de um drama baseado em eventos reais ocorridos na Polônia logo após a Segunda Guerra Mundial. O roteiro se inspira em relatos de uma médica da Cruz Vermelha Francesa que, nos anos 1940, prestou ajuda a freiras em um convento isolado.
A história acompanha Mathilde, vivida por Lou de Laâge, uma jovem médica francesa enviada à Polônia para tratar sobreviventes de guerra. Ela é chamada a um convento beneditino onde descobre que várias freiras estão grávidas após terem sido vítimas de violência por soldados. A partir desse ponto, o filme acompanha o dilema entre fé, silêncio e sobrevivência enfrentado pelas religiosas, além do envolvimento crescente da médica com aquela comunidade.
O elenco reúne principalmente atrizes europeias, incluindo Agata Kulesza, conhecida por Ida, e Agata Buzek. As interpretações seguem um tom contido, alinhado ao ambiente austero do convento.
As filmagens ocorreram em locações na própria Polônia, o que contribui para a autenticidade visual, especialmente na recriação do inverno rigoroso e do isolamento geográfico do convento. A fotografia utiliza cores frias e luz natural para reforçar o clima da narrativa.
O filme foi bem recebido em festivais internacionais e conquistou prêmios importantes, incluindo o César de Melhor Filme Estrangeiro na França. Também foi exibido em eventos como o Festival de Sundance.
“Agnus Dei” - também conhecido pelo título internacional “The Innocents” - se destaca por abordar um episódio histórico pouco retratado no cinema, trazendo à tona histórias que permaneceram silenciadas por décadas.
O que eu achei: Muito pertinente o comentário de Bruno Carmelo do site Adoro Cinema escrito à época do lançamento deste filme no Brasil: "o Brasil atravessa, neste momento, uma discussão ética fundamental a respeito do estupro. Após 33 homens violentarem uma jovem, grande parte da comunidade cristã se calou, alguns homens machistas preferiram culpar a vítima e, entre as vozes denunciando o ato bárbaro, repetiu-se a ideia de que o estupro não está relacionado ao desejo sexual, e sim à sensação de poder. Esta ideia fica bastante clara diante de um drama como 'Agnus Dei', no qual dezenas de freiras polonesas são violentadas por soldados inimigos em 1945. A questão, no caso, não diz respeito ao desejo sexual dos homens, nem à vestimenta das religiosas ou ao seu comportamento - impossível encontrar figuras mais “recatadas e do lar” do que elas. Trata-se do estupro como instrumento de dominação, como arma de guerra". Uma pena que, apesar do filme ter qualidades, ele não se desenvolve muito além da situação em si. As soluções apresentadas são bem simples e em nada aprofundam a questão proposta. Mediano no máximo.

13.9.15

"Coco Antes de Chanel" - Anne Fontaine (França, 2008)

Sinopse: Quando criança Gabrielle (Audrey Tautou) é deixada, junto com a irmã Adrienne (Marie Gillain), em um orfanato. Ao crescer ela divide seu tempo como cantora de cabaré e costureira, fazendo bainha nos fundos da alfaiataria de uma pequena cidade. Até que ela recebe o apoio de Étienne Balsan (Benoît Poelvoorde), que passa a ser seu protetor. Recusando-se a ser a esposa de alguém, até mesmo de seu amado Arthur Capel (Alessandro Nivola), ela revoluciona a moda ao passar a se vestir com roupas de homem, abolindo os espartilhos e adereços exagerados típicos da época.
Comentário: Anne Fontaine (1959) é uma cineasta e roteirista luxemburguesa. "Coco Antes de Chanel" (2008) é o primeiro filme que vejo dela.
Trata-se de um drama biográfico baseado em livros sobre a vida de Coco Chanel, especialmente a obra de Edmonde Charles-Roux. O filme não é uma biografia completa, mas se concentra nos anos formativos da estilista, antes de ela se tornar um ícone da moda mundial.
A história acompanha Gabrielle “Coco” Chanel desde a juventude, quando vive em um orfanato e depois passa a trabalhar como cantora em cafés, até seus primeiros passos no universo da moda. O longa mostra como suas experiências pessoais, seus relacionamentos e sua personalidade independente influenciaram a criação de um estilo que romperia com os padrões femininos da época, marcados por roupas desconfortáveis e excessivamente ornamentadas.
No papel principal está Audrey Tautou, conhecida internacionalmente por "O Fabuloso Destino de Amélie Poulain". Sua interpretação é contida e elegante, alinhada ao perfil da personagem. O elenco inclui ainda Benoît Poelvoorde e Alessandro Nivola, que interpretam figuras importantes na vida de Chanel.
As filmagens ocorreram principalmente na França, com uso de locações e figurinos que recriam o início do século XX. O cuidado com o design de produção e o figurino foi amplamente reconhecido: o filme recebeu uma indicação ao Oscar de Melhor Figurino, destacando a importância estética da obra.
Muitas peças utilizadas no filme foram inspiradas diretamente em criações originais da Chanel, contribuindo para a autenticidade visual. Além disso, o longa enfatiza como a estilista ajudou a popularizar roupas mais simples e funcionais para as mulheres, como o uso de tecidos leves e cortes mais práticos, influenciando profundamente a moda do século XX.
O que eu achei: Como li uma vez numa crítica, trata-se de um filme ok. Ou seja, ele conta de uma forma rasa a história da estilista, sem despertar grandes emoções e sem abordar questões polêmicas. Dirigido por Anne Fontaine, o longa opta por um recorte mais seguro da trajetória de Coco Chanel, focando em sua ascensão e em alguns relacionamentos importantes, mas evitando conflitos mais espinhosos ou contradições da personagem. Essa escolha acaba tornando a narrativa elegante, porém previsível e pouco instigante. No papel principal, Audrey Tautou entrega uma interpretação contida, que combina com a proposta do filme, mas que também contribui para essa sensação de distanciamento emocional. Falta intensidade, tanto na construção da personagem quanto no desenvolvimento dramático. Há méritos técnicos inegáveis. Os figurinos são belíssimos e ajudam a ilustrar a evolução do estilo de Chanel, enquanto a direção de arte recria com cuidado o ambiente da época. No entanto, esse capricho estético não é suficiente para sustentar o interesse ao longo de toda a projeção. No fim, “Coco Antes de Chanel” cumpre o básico: apresenta ao espectador uma versão simplificada do início da trajetória de uma figura icônica. Mas fica a sensação de que havia espaço para um retrato mais profundo, ousado e emocionalmente envolvente. Em suma, é um filme pra quem gosta de nadar no raso.