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12.7.26

"Morra, Amor" - Lynne Ramsay (Reino Unido/Canadá/EUA, 2025)

Sinopse:
Em uma área rural remota e esquecida, uma mãe (Jennifer Lawrence) luta para manter sua sanidade enquanto luta contra a psicose.
Comentário: Lynne Ramsay (1969) é uma cineasta e roteirista escocesa. Ela ganhou reconhecimento internacional com filmes como "O Lixo e o Sonho" (1999), "O Romance de Morvern Callar" (2002) e "Precisamos Falar Sobre Kevin" (2011). Sua obra explora temas complexos como trauma, violência e relações familiares. Assisti dela o excelente "Precisamos Falar Sobre Kevin" (2011) e o mediano "Você Nunca Esteve Realmente Aqui" (2017). Desta vez vou conferir "Morra, Amor" (2025).
Aline Telles da Carta Capital publicou: "Com o renomado diretor Martin Scorsese entre os produtores, o drama psicológico 'Morra, Amor', estrelado por Jennifer Lawrence e Robert Pattinson, (...) promete mais do que uma história intensa: o longa reacende discussões urgentes sobre saúde mental materna, isolamento e transtornos pós-parto.
Inspirado no livro da escritora argentina Ariana Harwicz, o filme dirigido pela britânica Lynne Ramsay acompanha Grace, uma mulher que, após se mudar com o marido para uma fazenda isolada, começa a vivenciar sintomas graves de deterioração mental após o nascimento do primeiro filho. A trama reflete os conflitos internos de uma maternidade real, distante do ideal romântico frequentemente retratado pela sociedade.
Para Fernando Tomita, coordenador da psiquiatria do Vera Cruz Hospital, em Campinas (SP), a obra de Lynne Ramsay traz à tona uma realidade pouco comum, mas de extrema gravidade, gerando a necessidade de ser mais bem disseminada na população. 'O período pós-parto é um dos momentos mais vulneráveis na vida da mulher. Há mudanças hormonais intensas, privação de sono, inseguranças, ansiedade e, em muitos casos, solidão. O isolamento e a cobrança interna podem contribuir para o risco de desenvolver quadros como a depressão ou a psicose pós-parto', explica.
A psicose pós-parto, aliás, tema central do filme, é um transtorno grave, de evolução rápida, e que exige atenção médica imediata. 'É importante diferenciar a psicose de condições mais leves, como o chamado baby blues, que provoca tristeza e oscilação de humor nos primeiros dias após o parto. A psicose, por outro lado, envolve delírios, alucinações e desconexão com a realidade, podendo colocar em risco a mãe e o bebê', alerta Fernando Tomita.
Segundo o médico, o isolamento é um fator de risco determinante, algo que o filme retrata de forma simbólica e angustiante. 'A personagem se vê sozinha em meio ao campo, sem suporte, cercada pelo silêncio. Esse isolamento é um reflexo potente de muitas mulheres que, mesmo cercadas de pessoas, sentem-se invisíveis ou incompreendidas. Falar sobre isso é essencial para quebrar o tabu e promover empatia', analisa.
Com uma estética visceral e um olhar feminino sobre o sofrimento psicológico, 'Morra, Amor' faz eco à trilogia involuntária de Ariana Harwicz (composta também por 'A Débil Mental' e 'Precoz'), que discute a inadequação às normas sociais e o peso dos papéis tradicionais de gênero. 'A maternidade é frequentemente retratada como um momento de plenitude, mas, para muitas mulheres, ela também pode vir acompanhada de medo, exaustão e culpa. Reconhecer essas emoções é parte do cuidado', adiciona o psiquiatra.
Por isso, o acompanhamento psiquiátrico e psicológico no pós-parto é fundamental. Observar sinais como tristeza persistente, irritabilidade, apatia, pensamentos negativos ou comportamentos confusos, incluindo possível recusa de dar atenção ao bebê, pode fazer toda a diferença para um diagnóstico precoce e uma recuperação segura.
Com uma atuação elogiada e direção sensível, 'Morra, Amor' promete ser um dos filmes mais impactantes de 2025 — tanto pelo retrato cru da maternidade quanto pela reflexão que provoca sobre a saúde mental feminina. 'Quando a sociedade compreende que pedir ajuda é um ato de coragem, e não de fraqueza, damos um passo importante rumo à prevenção. O cinema, nesse sentido, tem um papel valioso: ele sensibiliza, humaniza e amplia o diálogo sobre temas que ainda são silenciados', finaliza Fernando Tomita".
O que disse a crítica 1: Isadora Granato do site Oxente Pipoca avaliou com 2 estrelas, ou seja, fraco. Disse: "A execução dessa jornada mental é o grande tropeço de 'Morra, Amor'. O filme erra em concentrar todo o seu ímpeto dramático e narrativo nos primeiros 20 minutos. É nesse breve período que o espectador é bombardeado com as tensões, os questionamentos e o prenúncio da espiral psicótica de Grace. A montagem inicial é frenética e desconfortável, cumprindo a função de nos inserir no estado de espírito caótico da protagonista. O problema é que, após essa explosão inicial, o filme mergulha em um marasmo que se estende pela maior parte da sua duração. A promessa de uma desintegração mental constante se transforma em uma repetição tediosa de cenas que não avançam a narrativa nem aprofundam a crise da personagem de forma eficaz. O ritmo arrastado da 1h30min subsequente esgota a paciência, perdendo qualquer interesse gerado no começo".
O que disse a crítica 2: Kevin Rick do site Plano Crítico avaliou com 4 estrelas, ou seja, ótimo. Escreveu: "É um filme difícil em diversos sentidos, devastador e profundamente humano. Não nos pede para julgar Grace, mas para acompanhá-la até o limite daquilo que ela consegue suportar. E, no fim, talvez seja esse o maior horror: perceber que a protagonista poderia ter sido salva, se alguém tivesse realmente escutado antes de apenas olhar. Se 'Morra, Amor' é tão devastador emocionalmente, muito disso vem do modo como sua direção e sua concepção estética moldam a subjetividade de Grace. O filme poderia facilmente cair no melodrama ou na caricatura de 'mulher à beira de um ataque de nervos', mas a cineasta entende que o colapso mental não se expressa em explosões, e sim em gestos mínimos, silêncios, e uma câmera que observa mais do que explica".
O que eu achei: Baseado no romance homônimo de Ariana Harwicz, o drama acompanha uma mulher que vive em uma casa isolada em uma cidade rural no interior dos Estados Unidos, convivendo com uma condição de psicose, batalhando diariamente com sua sanidade enquanto a maternidade e o casamento a enlouquecem. O complicado no longa é que essa condição não fica clara. Não se mostra, em nenhum momento, tratar-se de uma psicose, muito menos que seja uma psicose pós-parto. O casal, desde o início do filme se mostra diferenciado. Não sabemos se ela sofre de algum transtorno mental ou se é apenas um daqueles casais estilo ‘sexo, drogas e rock’n roll. Há cenas de sexo selvagem, um bebê abandonado na casa enquanto o casal sai de carro com o cachorro, um desleixo com a casa, com a alimentação e com a higiene que você fica se perguntando como a criança não fica doente vivendo com esses dois. Ao mesmo tempo nota-se que ela não está bem nas suas atitudes que oscilam entre a apatia e a agressividade, contra os outros ou contra ela mesma. Por conta do vai-e-vem temporal não se explicita em nenhum momento que a mãe fosse outra antes da criança nascer. Essa montagem confusa - que tenta simular o colapso mental da personagem - falha em estabelecer um fio condutor claro, tornando a experiência confusa, opaca e cansativa ao invés de imersiva. O ritmo também não é dos melhores: o filme começa acelerado e depois mergulha num marasmo repetitivo que não faz a narrativa avançar nem aprofunda a crise da protagonista de maneira eficaz. Fiquei lembrando de outros dois filmes que vi da mesma diretora. Em comparação com o excelente “Precisamos Falar Sobre Kevin” (2011), este não chega nem aos pés. No anterior, também havia a questão da maternidade. Mostrava o sofrimento da ambivalência materna: por um lado a alegria de ser mãe e, por outro, o luto pela perda de liberdade e da falta de conexão biológica com o bebê desde a gestação. Em "Morra, Amor" (2025), o colapso da mãe é predominantemente químico. Ela sofre de uma depressão pós-parto severa que escala para a psicose perinatal. A diferença crucial é que enquanto “Precisamos Falar Sobre Kevin” constrói uma tensão progressiva com um propósito narrativo claro, “Morra, Amor” prioriza a imersão sensorial em detrimento do desenvolvimento da história. A estrutura imersiva deste longa me parece ter mais a ver com o outro longa que vi da diretora, que eu também não gostei, chamado “Você Nunca Esteve Realmente Aqui” (2017), sobre um veterano de guerra traumatizado. E isso pra mim, assim como não funcionou no filme de 2017, também não me agradou neste. Muitos vão gostar, mas para mim é um filme no máximo mediano.

28.5.19

"Você Nunca Esteve Realmente Aqui" - Lynne Ramsay (Reino Unido/França/EUA, 2017)

Sinopse: Joe (Joaquin Phoenix), um veterano de guerra traumatizado, ganha a vida sendo matador de aluguel. Não um matador de aluguel convencional que aceita qualquer tipo de encomenda. A sua especialidade e foco de trabalho é rastrear e libertar jovens desaparecidas que foram sequestradas por redes de tráfico sexual. Quando um trabalho fica fora de controle, seus pesadelos o alcançam. Ao mesmo tempo, uma conspiração é descoberta, o levando a uma viagem que pode ser para a sua morte ou para seu despertar.
Comentário: Lynne Ramsay (1969) é uma cineasta e roteirista escocesa. Ela ganhou reconhecimento internacional com filmes como "O Lixo e o Sonho" (1999) e "O Romance de Morvern Callar" (2002). Sua obra explora temas complexos como trauma, violência e relações familiares. Assisti dela o excelente "Precisamos Falar Sobre Kevin" (2011). Desta vez vou conferir "Você Nunca Esteve Realmente Aqui" (2017).
Trata-se de um thriller psicológico dirigido por Lynne Ramsay, baseado na novela homônima "You Were Never Really Here", publicada em 2013. O roteiro foi adaptado pela própria Ramsay, que manteve a essência da obra original, mas imprimiu um estilo bastante pessoal, privilegiando a narrativa visual e o estado psicológico do protagonista.
A história acompanha Joe, um ex-soldado e ex-agente do FBI que trabalha resgatando meninas vítimas de exploração sexual. Marcado por traumas de guerra e da infância, ele aceita uma missão para encontrar a filha de um influente político, mas acaba envolvido em uma conspiração muito maior do que imaginava.
O protagonista é interpretado por Joaquin Phoenix, em uma atuação considerada uma das melhores de sua carreira. O elenco ainda conta com Judith Roberts, no papel da mãe de Joe, Ekaterina Samsonov e Alex Manette. Embora Phoenix concentre quase toda a atenção, o restante do elenco contribui para a atmosfera intimista e opressiva do filme.
As filmagens ocorreram principalmente na cidade de Nova York, aproveitando ruas, hotéis e bairros menos turísticos para construir um ambiente sombrio e realista. A fotografia de Thomas Townend utiliza sombras, reflexos e iluminação urbana para reforçar a sensação de isolamento do protagonista.
O longa estreou em competição no Festival de Cannes 2017, onde conquistou dois dos principais prêmios da mostra: Melhor Ator para Joaquin Phoenix e Melhor Roteiro para Lynne Ramsay. Também recebeu diversas indicações de associações de críticos ao redor do mundo.
Uma curiosidade interessante é que Ramsay optou por eliminar grande parte da violência gráfica. Em vez de mostrar as agressões diretamente, ela frequentemente as apresenta por meio de câmeras de segurança, reflexos ou apenas por suas consequências. Essa escolha desloca o foco da ação para o impacto emocional e psicológico dos acontecimentos.
Outro aspecto bastante comentado foi a trilha sonora composta por Jonny Greenwood, guitarrista da banda Radiohead. Sua música alterna passagens minimalistas e explosões sonoras, tornando-se um elemento fundamental na construção da atmosfera angustiante que caracteriza o filme.
O que eu achei: Depois de realizar o sensacional “Precisamos Falar Sobre Kevin” (2011), Ramsay parecia caminhar para consolidar uma filmografia impecável. Aqui, porém, ela entrega um filme que parece acreditar que omitir informações é sinônimo de profundidade. Nada é devidamente explicado e quase nada é desenvolvido. Os traumas do protagonista, a conspiração envolvendo a garota desaparecida e as motivações dos personagens permanecem superficiais, como se o espectador tivesse de preencher sozinho lacunas demais. É verdade que nem todo filme precisa responder a tudo. O problema é quando a falta de explicações impede qualquer envolvimento com a história. Em vez de despertar curiosidade, a narrativa acaba gerando distanciamento. Quando os créditos finais aparecem, fica a sensação de que muito ficou apenas esboçado. Quem realmente sustenta o longa é Joaquin Phoenix. Sua interpretação é excelente e consegue transmitir a dor, o trauma e a exaustão física e emocional de Joe com pouquíssimos diálogos. Mesmo quando o roteiro parece perdido, Phoenix permanece hipnotizante em cena, demonstrando mais uma vez por que é um dos grandes atores de sua geração. Tecnicamente, o filme também é competente. A fotografia, a montagem e a trilha sonora criam uma atmosfera opressiva e melancólica. Mas, no meu caso, isso não foi suficiente para compensar a fragilidade da narrativa. No fim, “Você Nunca Esteve Realmente Aqui” me pareceu um filme muito mais interessado em cultivar um clima do que em contar uma história. Vale pela atuação de Joaquin Phoenix, que é extraordinária. Fora isso, sobra pouco. Foi uma experiência frustrante, especialmente por vir de uma diretora que já demonstrou ser capaz de fazer muito melhor.

16.2.13

"Precisamos Falar Sobre Kevin" - Lynne Ramsay (Reino Unido/EUA, 2011)

Sinopse: Eva (Tilda Swinton) é mãe de Kevin (Ezra Miller), adolescente que cometeu assassinato em massa em sua escola. Sem conseguir entender as ações do filho, ela tenta lidar com sua dor e o sentimento de culpa, por se sentir responsável pelo fato.
Comentário: Lynne Ramsay (1969) é uma cineasta e roteirista escocesa. Ela ganhou reconhecimento internacional com filmes como "O Lixo e o Sonho" (1999) e "O Romance de Morvern Callar" (2002). Sua obra explora temas complexos como trauma, violência e relações familiares. "Precisamos Falar Sobre Kevin" (2011) é o primeiro filme que vejo dela.
O longa é um drama psicológico baseado no romance homônimo "Precisamos Falar Sobre Kevin", publicado em 2003 por Lionel Shriver. O roteiro, assinado por Ramsay em parceria com Rory Kinnear, adapta a história preservando sua estrutura fragmentada e seu foco na perspectiva da mãe do protagonista. 
O filme acompanha Eva Khatchadourian, interpretada por Tilda Swinton, uma escritora de livros de viagem cuja vida muda radicalmente após o nascimento de seu filho Kevin. A narrativa alterna diferentes momentos da vida da família, revelando aos poucos os acontecimentos que culminaram em uma tragédia envolvendo o adolescente. Em vez de construir um suspense tradicional, o longa concentra sua atenção na relação conflituosa entre mãe e filho, explorando sentimentos de culpa, responsabilidade e incompreensão.
Além de Tilda Swinton, o elenco conta com John C. Reilly no papel do pai de Kevin e Ezra Miller, cuja interpretação do adolescente foi amplamente elogiada e ajudou a consolidar sua carreira em Hollywood.
As filmagens ocorreram principalmente na Escócia, embora a história se passe nos Estados Unidos. A diretora utilizou locações reais e uma fotografia cuidadosamente planejada, marcada pelo uso recorrente da cor vermelha como elemento simbólico ao longo da narrativa.
O filme estreou em competição no Festival de Cannes 2011, onde recebeu excelente acolhida da crítica. Embora não tenha conquistado indicações ao Oscar, acumulou dezenas de prêmios e indicações em festivais e associações de críticos, com destaque para a atuação de Tilda Swinton, frequentemente apontada como uma das melhores de sua carreira.
Uma curiosidade interessante é que a autora do romance, Lionel Shriver, declarou ter ficado muito satisfeita com a adaptação, especialmente pela forma como Lynne Ramsay transformou um livro escrito em primeira pessoa em uma experiência essencialmente visual. Outro aspecto bastante comentado foi a escolha de evitar explicações simplistas para o comportamento de Kevin, deixando ao espectador a tarefa de refletir sobre até que ponto fatores como genética, criação e ambiente influenciam a formação de um indivíduo.
O que disse a crítica 1: Roberto Guerra do Cineclick gostou. Disse: "'Precisamos Falar Sobre Kevin' promove um mergulho pungente no submundo de duas pessoas (mãe e filho) marcadas pelo ato monstruoso de um deles, Kevin, um jovem capaz de inspirar na audiência os piores receios sobre a paternidade. Adaptado do romance de Lionel Shriver, o filme é uma experiência dilacerante e impossível de apagar da mente depois de encerrada a sessão. A intensa experiência de assistir ao longa vai acompanhá-lo por dias, mesmo semanas depois de vê-lo. (...) Imperdível para quem deseja uma experiência na sala de cinema provocativa e, ao mesmo tempo, devastadora emocionalmente".
O que eu achei: Em “Precisamos Falar Sobre Kevin” (2011), Lynne Ramsay transforma um drama familiar em uma experiência profundamente perturbadora. Mais do que contar a história de um adolescente que comete um ato extremo, o filme investiga as zonas cinzentas da maternidade, da culpa e da impossibilidade de compreender completamente o outro. Baseado no romance de Lionel Shriver, o longa evita respostas fáceis. Ramsay fragmenta a narrativa, alternando passado e presente, de modo que a tragédia é conhecida desde o início. O interesse não está no "o quê", mas no "como" e, principalmente, no "por quê". Essa estrutura faz com que o espectador participe ativamente da reconstrução emocional de Eva, mãe de Kevin. É impossível falar do filme sem destacar a atuação extraordinária de Tilda Swinton. Sua interpretação é devastadora. Eva vive atormentada por culpa, vergonha e isolamento, enquanto tenta compreender se falhou como mãe ou se estava diante de algo que jamais poderia controlar. Swinton transmite tudo isso muitas vezes apenas com um olhar. Também merece destaque Ezra Miller, cuja composição de Kevin é inquietante justamente por evitar caricaturas. Seu personagem nunca se torna um vilão convencional, mas uma presença constante de desconforto, tornando a relação entre mãe e filho ainda mais angustiante. Visualmente, o filme é impecável. Ramsay utiliza a cor vermelha como um elemento simbólico recorrente, enquanto a montagem fragmentada e a trilha sonora ampliam a sensação de tensão permanente. Tudo parece cuidadosamente pensado para refletir o estado emocional da protagonista. O mais impressionante é que “Precisamos Falar Sobre Kevin” não oferece respostas nem absolvições. Ele convida o espectador a enfrentar perguntas difíceis sobre maternidade, responsabilidade, afeto e violência, sabendo que talvez elas jamais tenham solução. É uma obra corajosa, incômoda e brilhantemente realizada, daquelas que provocam discussões muito mais do que oferecem certezas. Sensacional.