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29.9.25

“A Greve” - Sergei Eisenstein (URSS, 1925)

Sinopse:
O suicídio de um operário injustamente acusado de roubo é o estopim para o início de uma greve numa fábrica russa, em 1903. O lento processo de negociação expõe uma série de ações entre grevistas e polícia.
Comentário: Sergei Eisenstein (1898-1948) foi um cineasta letão dos mais importantes da história do cinema. Relacionado ao movimento de vanguarda da arte russa, participou ativamente da Revolução Bolchevique de 1917 e da consolidação do cinema como meio de expressão artística. Sua obra influenciou fortemente os primeiros cineastas devido ao uso inovador da montagem. Assisti dele a obra prima “O Encouraçado Potemkin” (1925), os excelentes "Outubro" (1927), "Alexandre Nevsky" (1938) e "Ivan, o Terrível” Parte I (1944) e Parte II (1958), além do curioso "Que Viva México!" (1932).
Desta vez vou conferir o primeiro filme feito por Eisenstein: “A Greve” (1925), um filme mudo composto por seis atos, feito quando o cineasta tinha apenas 26 anos de idade. Com uma abordagem didática, ele retrata as lutas ocorridas antes da Revolução de outubro de 1917, mostrando uma ocorrência datada de 1903 na qual trabalhadores de uma fábrica se unem contra a exploração e as injustiças em seu meio de trabalho.
Jesse Lisboa do jornal “A Verdade” nos conta tratar-se de um filme “que aborda a luta dos trabalhadores por seus direitos. Esse longa-metragem é um exemplo do cinema soviético da década de 1920, que tinha como objetivo retratar o cotidiano do povo e suas lutas, além de estabelecer referências de montagem no cinema.
O período que se seguiu à revolução de 1917 na Rússia foi marcado pelo Construtivismo Russo, uma iniciativa que defendia a ideia de que o cinema não poderia estar distante do povo, mas sim que deveria ser construído a partir de seu cotidiano. Assim, os cineastas soviéticos procuravam retratar a realidade de forma direta, pondo em questão a luta de classes e a recente revolução. A montagem era a principal ferramenta para a construção de um filme. A sequência de imagens, organizadas a fim de estabelecer relações de causa e efeito, era capaz de transmitir ideias complexas de maneira acessível. Sendo assim, a montagem era vista como uma forma de transformar o cinema em um recurso de agitação e propaganda.
‘A Greve’ é um exemplo dessa abordagem. O filme retrata a morte de um trabalhador, acusado injustamente de roubo, e a consequente greve organizada pelos trabalhadores. É importante evidenciar que o cenário histórico do filme é a Rússia pré-revolucionária, mais especificamente de 1903. O filme começa mostrando uma frase de Lênin, que diz o seguinte: ‘A força da classe trabalhadora é a organização. Sem organização das massas, o proletariado não é nada; organizado é tudo. Ser organizado significa unidade de ação, unidade de atividade prática’. Mais tarde, a narrativa do filme vai sendo construída a partir de uma série de imagens que mostram a opressão dos trabalhadores pela classe dominante e sua luta por seus direitos. A montagem é utilizada de forma a tornar explícita a ideia de que a greve é uma resposta à opressão sentida pelos trabalhadores.
O filme de Eisenstein utiliza metáforas visuais para enfatizar sua mensagem. As imagens dos animais, tão presentes em suas outras obras cinematográficas, são utilizadas aqui para representar a luta dos trabalhadores contra seus opressores. A imagem mais marcante do filme é a cena que fecha o longa, em que é comparado ao abate de um porco com a chacina dos trabalhadores grevistas. Nesta cena, o diretor propõe uma atmosfera de tensão e angústia, transmitindo a ideia de que a luta dos trabalhadores é uma luta pela vida.
Ao final do filme, a frase ‘Lembrem-se camaradas!’ é exibida, destacando o objetivo do filme de transmitir uma mensagem revolucionária para a população soviética, diante de uma recente revolução que pôs fim às antigas opressões do regime czarista. A mensagem final do filme expressa que a luta da classe trabalhadora é uma luta pela justiça e pela democracia proletária!”
O que disse a crítica 1: Luiz Santiago do Plano Crítico avaliou com 3,5 estrelas, ou seja, muito bom. Disse: “O fluxo de ideias, a inteligência na composição, plasticidade das cenas (os três diretores de fotografia do filme certamente tiveram um imenso trabalho para capturar as imagens) e o sentido final na mesa de edição fizeram deste filme (...) uma referência não só para o cinema soviético mas para o mundo todo. A obra é rica em sua concepção fílmica e o conceito de exibir uma ideia geral poderia facilmente sair vazia, mas não é isso que acontece. A fita cumpre o seu propósito. Existem exageros de concepção e retratação dos ‘atores históricos’, tanto de um lado quanto de outro, mas isto é apenas parte dos pontos interessantes para os quais podemos fazer a leitura e trazer à discussão e crítica. Em ‘A Greve’ temos o nascimento de um novo modelo de fazer cinema, bem como a origem de uma teoria de montagem que geraria inúmeros descendentes pelas décadas seguintes. Um filme de importância histórica em muitas dimensões”.
O que disse a crítica 2: Geoff Andrew da Revista Time Out também gostou. Escreveu: “A história em si é simples: trabalhadores entram em confronto violento com patrões e policiais durante uma greve prolongada na fábrica, provocada pela demissão e subsequente suicídio de um deles. Mas os métodos de Eisenstein são complexos e extraordinários: sua decisão de fazer das massas, em vez de qualquer indivíduo, seu herói confere ao filme um alcance verdadeiramente épico; as caricaturas cruéis dos capitalistas burgueses proporcionam humor e uma manipulação emocional efetivamente poderosa; e a edição, rápida, fluida e extremamente precisa, fornece não apenas ritmo, mas uma miríade de significados metafóricos que vão muito além da mera propaganda”.
O que eu achei: Trata-se do primeiro filme feito pelo grande cineasta russo Sergei Eisenstein aos 26 anos de idade. O filme, que é mudo, foi dividido em 6 partes: "Na fábrica tudo está tranquilo" que descreve a vida na fábrica antes da greve, a opressão dos trabalhadores e a falta de condições de trabalho; "O motivo para a greve" que mostra a causa que leva os operários a organizar a greve e o começo da agitação; "A fábrica paralisa" com a greve se iniciando e a produção da fábrica sendo interrompida; "A greve é desencadeada" mostrando a greve se prolongar e a situação se agravar, com os trabalhadores enfrentando privações; "Provocação e desastre" mostrando os agentes provocando o caos e a violência entre os grevistas e, por fim, "Extermínio" mostrando a implantação de leis marciais e a extinção da greve através de atos de violência. A trama se passa na Rússia pré-revolucionária, numa fábrica em 1903 e, apesar de ser o primeiro filme do diretor, já é possível notar uma grande criatividade na montagem, marcando um momento decisivo de evolução do cinema. No elenco estão os atores do Teatro dos Trabalhadores do Proletcult, um movimento iniciado em 1917 que defendia a ideia da criação de uma nova cultura soviética, incluindo a defesa de uma estética marxista para as artes, uma estética de classe verdadeiramente proletária, livre de todos os vestígios da cultura burguesa. O resultado é um filme cheio de energia, sua edição dinâmica continua emocionante até hoje mostrando um conflito de classes não só pelo viés político, mas também por sua humanidade, transparecendo o brilho imaginativo do diretor. Uma pequena pérola dentro da história do cinema. Imperdível.

24.8.21

“O Encouraçado Potemkin” - Sergei Eisenstein (URSS, 1925)

Sinopse:
 
Em meio à Revolução Russa de 1905, marinheiros do navio de guerra Potemkin rebelam-se contra o regime brutal e tirânico dos oficiais. A população da cidade portuária de Odessa apoia a revolta e é brutalmente reprimida. No mar, o encouraçado parte ao encontro da frota do Mar Negro, que eles acreditam que irá atacá-lo.
Comentário: Segundo a Revista Bravo!, "Depois da estreia bem-sucedida com 'A Greve' (1924), Eisenstein pretendia adaptar o livro 'O Exército da Cavalaria', do escritor russo Isaac Bábel. Mas foi encarregado de produzir um filme que celebrasse os eventos da Revolução de 1905 (revolta popular que inspirou a tomada do poder pelos bolcheviques em 1917). Do projeto original, de proporções épicas, o diretor preservou apenas o motim dos tripulantes do navio Príncipe Potemkin, contra os maus-tratos cotidianos a que estavam submetidos. E ampliou o fato como metáfora para a revolução, agradando público e governantes". O filme, que reinventa a linguagem por meio da montagem, se baseia em história real. É considerado uma obra-prima que levou Eisenstein a entrar definitivamente para a história do cinema. "'O Encouraçado Potemkin' (1925) é seu segundo trabalho. Mas desde sua estreia, com 'A Greve' no ano anterior, o cineasta já propunha uma narrativa em total ruptura com as formas tradicionais, ainda marcada pela linearidade dos fatos e pela teatralidade dos gestos e atuações". Se pensarmos no contexto da época a Rússia passava por um período de grandes experimentações nos campos da pintura, teatro e literatura. Na cinematografia, "Eisenstein enxerga na montagem, no modo como se associam duas imagens (...), um elemento substancial na construção de novos significados". Um filme obrigatório.

7.1.13

"Ivan, o Terrível - Parte II" - Sergei M. Eisenstein (URSS, 1958)

Sinopse: O Czar Ivan (Nikolai Cherkasov) engana os nobres de sua corte enquanto cria um exército particular que o ajudará a reinar novamente e unificar os vários territórios russos em um Império único. Com diversos inimigos e com sua vida ameaçada Ivan alia-se a sua poderosa tia Eufrosinia (Serafima Birman) - que havia envenenado sua primeira esposa anteriormente - e que agora trama colocar seu filho (Pavel Kadochnikov) no trono. Numa tacada genial ele faz com que esse rapaz seja assassinado no seu lugar.
Comentário: Nesta segunda parte, o espetáculo pictorial continua, agora acrescido de cores vistosas. Stalin fez objeções à forma como o Czar foi retratado, frágil e vacilante, o que resultou a proibição do filme na Rússia até 1958. Segundo Guilherme Rodrigues do site Plano Crítico, "A produção da saga de 'Ivan, O Terrível' foi particularmente complicada. Originalmente envisionada como um projeto em três partes, a reação dos órgãos de censura soviéticos à segunda parte foi tão negativa que foi tomada a decisão de não lançá-lo, e a terceira parte, que estava começando a produção, foi encerrada. Sergei Einsenstein morreu quatro anos após o lançamento da primeira parte, em 1948, nunca chegando a ver a segunda parte ser lançada no cinema, o que só ocorreu 10 anos após sua morte, em 1958. (...) O grande destaque do longa fica pelas sequências em cor, nos minutos finais do filme, onde o vermelho impera no cenário, enquanto Ivan arma outra morte. É uma quebra radical do que veio antes, não só pela cor, mas pelo movimento da cena, que é frenético e conta até mesmo com músicas sendo cantadas, mas que representa a derradeira transformação de Ivan em um déspota, algo que permeava o filme até então. Uma pena que nunca veremos uma exploração mais profunda da tirania de Ivan, já que a conclusão dessa história foi perdida".

6.1.13

"Ivan, o Terrível - Parte I" - Sergei M. Eisenstein (URSS, 1944)

Sinopse: Primeira parte do filme que se passa no século 16, quando Ivan (Nicolai Cherkasov) se auto-proclama Czar de todas as Russias, entrando em choque com os senhores feudais, chamados de Boiardos, ao tentar fazer um governo centralizado. Sua mulher é envenenada pela tia, ele retira-se para um convento mas é convocado de novo pelo povo.
Comentário: Segundo o site Wikipédia, "Ivan IV (...), grão-duque de Moscou desde os três anos de idade, foi o primeiro governante a utilizar o título de czar (césar ou imperador) de todas as Rússias. Na tradição russa, é conhecido como Ива́н Гро́зный (Ivan Grozny), geralmente traduzido como Ivã, o Terrível. Ivan estendeu o seu domínio para o oriente, anexando em 1552 o Canato de Kazan e em 1556 o Canato de Astrakhan, para absorver a Sibéria. Estabeleceu relações comerciais com o Ocidente. Ivan teve sete mulheres, uma das quais morreu em circunstâncias suspeitas. Num acesso de raiva Ivan matou acidentalmente o filho mais velho, Ivã Ivanovich, que era tão cruel como ele, e passou o resto da vida imerso em remorso, misturados com atos de crueldade e violência. Em meio ao seu governo, os tártaros da Crimeia saquearam Moscou em 1571, apesar de tê-los vencido no ano seguinte na Batalha de Molodi. Morreu louco, em 1584. No entanto, a sua capacidade" como governante "ficou manchada pela excessiva crueldade. A sua polícia secreta, os Oprichniks, torturou e assassinou todos os suspeitos de traição, como o povo de Novgorod, acusado de rebelião. O comportamento de Ivan IV pode ser explicado pela sua conturbada infância. Filho do grão-duque Vassili III de Moscou, ficou órfão aos oito anos de idade. Praticamente um refém dentro do próprio Kremlin, assistiu às brigas intermináveis entre as diversas facções dos boiardos. Era incentivado a assistir a sessões de tortura e execuções pelos nobres, que mantinham seus feudos independentes e tomavam o comércio como ponto principal de seus interesses, não unificando a Rússia. Assustado durante todo esse período, Ivan passou a ler cada vez mais a Bíblia, especialmente o Velho Testamento, firmando-se como um obcecado cristão ortodoxo". Quanto ao filme, segundo o site Filmes Épicos, "extravagância é a definição correta para descrever esta magnífica obra de Eisenstein. Cada fotograma é um espetáculo visual. Com ângulos de câmera oblíquos, cenários gigantescos, vestuário riquíssimo em detalhes e ótimas interpretações, principalmente de Nicolai Cherkasov, como o Czar Ivan, este épico de grandeza operística, teve uma forte influência da estética expressionista germânica".

19.2.11

"Outubro" - Sergei Eisenstein (URSS, 1927)

Sinopse: Em tom de documentário, acontecimentos em Petrogrado são encenados desde o fim da monarquia, em fevereiro de 1917, até o fim do governo provisório em novembro do mesmo ano. Lênin volta em abril. Em julho, os contra-revolucionários mandam prendê-lo. Em outubro, os Bolsheviks estão prontos para atacar: os dez dias que abalaram o mundo.
Comentário: Filme feito por jovens cineastas soviéticos sob a batuta de Sergei Eisenstein em comemoração ao 10º aniversário da República Soviética. Para entender o filme é necessário conhecer um pouco a hiistória da Rússia, um país que, em meados do século XIX, passou a promover uma série de reformas internas na economia, na administração e no exército que só serviram para agravar ainda mais as tensões que já existiam. A população vivia oprimida pela autocracia czarista , uma espécie de monarquia, que prometia um regime constitucional que nunca acontecia. Em 1904-1905 as elites dirigentes russas avaliaram erroneamente o poderio militar de seu país lançando a Rússia num desastroso confronto com o Japão pela disputa de terras chinesas (Guerra Russo-Japonesa). Essa derrota foi uma gota d'água na insatisfação popular, a gota que faltava para o povo se organizar e redigir uma petição que levaram ao então czar Nicolau II, solicitando a eleição de uma Constituinte que reduzisse a jornada de trabalho para 8hs e fixasse um salário mínimo. A manifestação pacífica envolvendo 200 mil pessoas acabou reprimida pelas tropas cossacas (Exército do governo). Uma onda de protestos, greves e levantes militares se espalharam pelo país. O filme "O Encouraçado Potenkim", do mesmo diretor, mostra um desses levantes no porto de Odessa. Ainda em agosto de 1905 publicaram um regulamento para eleição da DUMA, mas como até outubro o pleito não foi realizado, uma greve geral aconteceu paralisando todo o país. A situação prossegue até 1914, quando a Rússia se envolve num confronto com a Alemanha agravando ainda mais os problemas internos. O povo começou a questionar a legitimidade da guerra e a própria burguesia começa a fazer oposição ao regime. Em fevereiro de 1917 a crise russa chega ao seu ápice pois os estoques de alimentos acabam e a população passa fome. Greves e passeatas pacíficas acontecem, porém o czar ordena que os militares atirem nos manifestantes e várias guarnições militares se revoltam levando o czar a abdicar do poder e formando-se um governo provisório liderado por Kerenski, ministro de Guerra. É aqui que começa o filme "Outubro", com o povo destruindo a estátua do imperador. Esse governo provisório que assume o país estabelece uma ditadura que não resolve os problemas mais prementes. Enquanto isso os líderes bolcheviques Lênin e Trótsky ganham popularidade com suas teses enunciadas na plataforma: paz, terra e pão. Em agosto de 1917 a burguesia conservadora e os altos oficiais do Exército executam um golpe contra-revolucionário tentando segurar o poder, porém em setembro, Trótsky se organiza e as forças burguesas perdem o poder de conduzir a República. Em outubro de 1917 o governo provisório é deposto e Lênin assume o poder. Com isso a Revolução Russa atinge seu objetivo e se inicia a República Soviética comemorada 10 anos depois (1927) com o filme de Eisenstein.

23.9.10

"Alexandre Nevsky" - Sergei Eisenstein e Dmitri Vasiliev (URSS, 1938)

Sinopse: Rússia, primeira metade do século XIII. O príncipe Aleksandr Nevsky (Nicolay Cherkassov) evita o confronto com os tártaros que impunham pesados tributos às cidades russas e concentra os esforços na organização de um exército popular que derrota uma ameaça mais perigosa: os temíveis Cavaleiros Teutônicos, que pretendiam se apossar do território russo, submetê-lo ao Sacro Império Romano-Germânico e erradicar sua cultura.
Comentário: Com este filme Sergei Eisenstein (1898-1948) abandonou, de certa forma, o seu estilo tradicional partindo para seu primeiro trabalho para o grande público. Trata-se de uma história real ocorrida no ano de 1242. O tema é a invasão da Rússia, então República de Novgorod, pelos exércitos teutônicos, formados por membros do exército católico da Ordem Germânica (alemã). O príncipe Aleksandr Yaroslavich, também conhecido como Aleksandr de Novgorod - que recebera o título de Aleksandr Nevsky por derrotar os invasores tártaros em uma batalha à beira do rio Neva – comanda um grande exército que enfrenta os teutônicos no episódio conhecido historicamente como a Batalha do Lago Peipus ou Batalha no Gelo. Nessa batalha, os guerreiros alemães são levados a combater sobre a superfície de um lago congelado. Quando a camada de gelo mais fina se rompe, os guerreiros se afogam nas águas geladas. Foi a maior derrota do exército alemão nas chamadas Cruzadas do Norte. Posteriormente, o príncipe Alexander Nevsky foi canonizado pela Igreja Ortodoxa Russa. Um dos grandes destaques do filme é sua impressionante produção que contou com milhares de soldados do Exército Vermelho que foram postos a serviço de Eisenstein para participar das cenas de batalha. O filme foi um enorme sucesso na URSS e no estrangeiro, parcialmente devido ao sentimento antialemão que se desenvolvia na época. Em fevereiro de 1939, Eisenstein foi premiado com a Ordem de Lenine pelo filme, contudo, a seguir à assinatura do pacto de não-agressão entre a URSS e a Alemanha nazi, "Alexander Nevsky" foi arquivado. Trilha sonora encomendada do compositor russo Sergei Prokofiev.

16.8.10

"Que Viva México!" - Sergei Eisenstein (México/URSS, 1932)

Sinopse: O filme é subdividido em quatro episódios, mais um prólogo e um epílogo. O prólogo apresenta imagens alegóricas do México pré-hispânico. O episódio "Sandunga" recria os preparativos de uma boda indígena em Tehuantepec. "Fiesta" aborda o ritual da "fiesta brava", enquanto "Maguey" encena a tragédia de um camponês vitimado por se rebelar contra o seu patrão. "Soldadera" (episódio não filmado) apresentaria o sacrifício de uma mulher revolucionária. O epílogo, também conhecido como "Dia de Mortos", refere-se ao sincretismo das diversas visões que coexistem no México sob o tema da morte.
Comentário: Trata-se de um projeto cinematográfico não terminado do cineasta vanguardista Sergei Eisenstein, sobre a cultura do México da época pré-hispânica até à revolução mexicana. Tudo começou em 1927, quando o cineasta teve a oportunidade de encontrar o muralista mexicano Diego Rivera, que estava de visita a Moscou para as celebrações do décimo aniversário da Revolução Russa de 1917. Rivera tinha visto o filme mais conhecido de Eisenstein, "O Encouraçado Potemkin", e louvara-o ao compará-lo ao seu próprio trabalho como muralista ao serviço da revolução mexicana. Além disso, Rivera falou obsessivamente da herança artística mexicana, descrevendo as maravilhas da arte e arquitetura dos antigos Astecas e Maias e essa foi a semente para o interesse naquele país. Eisenstein chegou ao México em dezembro de 1930, patrocinado por Upton Sinclair e pela sua esposa Mary Kimbrough Sinclair. Em 1933, preocupado pela ingerência do sobrinho da Sra. Sinclair, pediu aos Sinclair mais fundos, mas foram-lhe recusados. Esgotando-se o visto do passaporte, ele se viu obrigado a regressar à União Soviética enquanto os Sinclairs receberam o filme em Los Angeles. O material original nunca foi montado. O material filmado foi reconstruído por outros. Em 1979 Grigori Aleksandrov, a partir dos storyboards originais de Eisenstein, compilou uma aproximação à montagem que Eisenstein planejara. A produção hoje é descrita como o maior projeto de filme e a maior tragédia pessoal do cineasta. Apenas para cinéfilos.