
Comentário: Sabemos que filmes do gênero ficção científica são caros, exigem altos orçamentos com investimentos alcançáveis apenas por quem dispõe de muito dinheiro como os ligados à indústria cinematográfica de Holywood, por exemplo. No âmbito do cinema independente bancar esse tipo de produção é uma raridade que requer uma espécie de ‘pulo do gato’, algo ‘fora da caixinha’ como se diz por aí. E esse não é o caso de “Mar Infinito”. Carlos Amaral é um cineasta especializado em efeitos visuais que até consegue, dentro de sua expertise, criar visualmente um filme belo todo em tons de azuis. Com fotografia assinada por Jorge Quintela, excelente trilha sonora e dois bons atores fazendo o par romântico da história – Nuno Nolasco e Maria Leite – o roteiro não ajuda e o filme simplesmente não decola.
O que disse a crítica: Bruno Carmelo do site Papo de Cinema diz: “Para representar este cenário desolador, ele recorre à simbologia clássica desta forma de cinema. Corpos flutuam em silêncio na água; sistemas avançados de tecnologia são representados por computadores antigos ligados a centenas de cabos; Proxima Centauri se limita a um lamaçal registrado por drones, enquanto as pessoas vestem os tradicionais uniformes espaciais, com suas insígnias costuradas ao tecido. Pouco se nota de original nesta concepção futurista, e em particular, pouco se encontra de tipicamente português. O autor recorre a uma versão de baixo orçamento dos cânones norte-americanos, sem adaptá-los nem subvertê-los à realidade local. (..) As figuras do ermitão perito em tecnologia, preso a uma garagem qualquer, e da mulher rica abandonada numa mesa solitária tampouco ajudam a dissipar a sensação de déjà-vu”.
Vitor Velloso do site Vertentes do Cinema também não gostou. Ele diz: “Reflexo ou desejo histórico, essa aventura acaba sendo uma projeção pouco criativa de um gênero de grandes capacidades. A maior dificuldade aqui, é encontrar um ponto que garanta o interesse nessa jornada lenta e arrastada com estranhos personagens. (...) O contexto social de ‘Mar Infinito’ não é desenvolvido ao ponto de compreendermos como as divisões se estabeleceram”. Há pequenos recortes na história, que “até são capazes de redimensionar algumas sequências e provocar algum sentido distinto, mas não conseguem sustentar a curta projeção arrastada de um longa [com 78 minutos de duração] que parece não saber para onde caminha. (...) Em suma, o projeto sabe o que está propondo como discussão basilar, mas é incapaz de levar a temática para além de um ponto rasteiro que não sobrevive ao desenvolvimento das ideias”. E conclui: o filme “encontra muitas dificuldades no ritmo e empaca a cada novo elemento introduzido. Próximo ao fim da projeção, o espectador se vê em um imbróglio temporal que vai e volta na intenção de criar uma dialética particular de como as coisas se desenrolaram. Porém, a obviedade das resoluções e desinteresse exponencial, faz com que o fim da projeção seja marcado pela expectativa dos créditos finais”.
O que eu achei: Enfadonho resume. Não perca seu tempo.