Sinopse: Honey O'Donahue (Margaret Qualley) é uma investigadora particular de uma pequena cidade, que averigua uma série de mortes estranhas ligadas a uma igreja misteriosa, comandada por um padre chamado Dean (Chris Evans). Quando a jovem investigadora é chamada para a cena de um acidente de carro fatal, rapidamente peças de um misterioso quebra-cabeças começam a aparecer e ela descobre que a vítima era uma potencial cliente que, naquele dia, havia ligado para contratar seus serviços.
Comentário: Ethan Coen (1957) é um cineasta americano. Trabalhando ao lado de seu irmão Joel, ele dirigiu, escreveu, editou e produziu muitos filmes. Assisti da dupla a obra-prima "Fargo" (1996), os ótimos “Barton Fink - Delírios de Hollywood” (1991), "O Homem Que Não Estava Lá" (2001), "Queime Depois de Ler" (2008), "Onde os Fracos Não Têm Vez" (2008), "Um Homem Sério" (2009), "Inside Llewyn Davis: Balada de um Homem Comum" (2013), "The Ballad of Buster Scruggs" (2018) e "E aí, Meu Irmão, Cadê Você?" (2000), dentre outros. Desta vez vou assistir um filme dirigido apenas pelo Ethan chamado “Honey, Não!” (2025).
O site do Festival do Rio publicou: “A obra reafirma o processo de renovação criativa que tem marcado a fase artística atual do realizador. Vencedor dos principais prêmios do cinema mundial, entre eles o Oscar, o Globo de Ouro e a Palma de Ouro, o diretor foi responsável, ao lado do irmão Joel, por alguns dos títulos mais celebrados do cinema estadunidense das últimas quatro décadas. Agora, em pausa nessa parceria, o cineasta apresenta o segundo capítulo da chamada ‘trilogia lésbica de filmes B’ iniciada em ‘Garotas em Fuga’ (Drive Away Dolls), lançado em 2024.
Como no filme anterior, ‘Honey, Não!’ traz uma trama focada em protagonistas sáficas [termo usado para descrever qualquer mulher ou pessoa não-binária que sente atração afetiva ou sexual por mulheres], é estrelado por Margaret Qualley (‘A Substância’) e conta com um roteiro escrito por Coen em parceria com Tricia Cooke, sua esposa.
Qualley interpreta a detetive particular Honey O’Donahue, que atua em Bakersfield, uma pequena cidade da Califórnia. Acostumada a investigar casos de infidelidade conjugal, ela se vê diante de uma trama muito mais perigosa após acompanhar a morte misteriosa de uma mulher em um acidente de carro. Seguindo as pistas do caso, ela descobre uma série de óbitos em circunstâncias estranhas ligadas a uma excêntrica igreja liderada por um carismático pastor, interpretado por Chris Evans. Conforme se aprofunda na investigação, Honey se depara com segredos, sedução e mentiras, embarcando em uma narrativa que mistura elementos de thriller policial com humor ácido e sátira social.
O elenco traz ainda a presença de Aubrey Plaza no papel da policial MG Falcone, que se torna aliada de Honey no caso e na cama, e de Charlie Day no papel do detetive Marty Metakawich.
Para interpretar a detetive particular Honey O’Donahue, Margaret Qualley conta que precisou conter o que chama de seu lado ‘Scooby-Doo’, mais brincalhão, para adotar uma postura mais enigmática, contou a atriz em entrevista para a revista i-D. ‘Precisei ser um pouco mais suave do que eu realmente sou, mais misteriosa. Tenho a tendência de querer neutralizar os conflitos antes mesmo deles surgirem. Já Honey é como o próprio mel - habilidosa, fluida, deslizando despercebida’, afirmou.
A atriz também destacou a experiência de colaborar novamente com Ethan Coen e Tricia Cooke, dupla responsável pelo filme, foi ‘algo diferente de tudo’ o que já viveu num set de cinema. ‘Eles se respeitam e se amam muito. Eu adoro o mundo em que eles vivem’, disse a atriz, que já torce para retornar no terceiro trabalho da trilogia. ‘Não li nenhum roteiro e não fui contatada. Mas que fique registrado: se eu não estiver, vou ficar ofendida e chateada’, brincou.
Para o papel, a atriz disse ainda que mergulhou no universo do cinema noir, revisitando filmes clássicos e livros sobre o tema, buscando inspiração tanto nas femme fatales quanto nos galãs masculinos para compor sua personagem. ‘Tentei me inspirar em Lauren Bacall e Humphrey Bogart. Li a autobiografia de Bacall e ela falava sobre como ela deixava sua voz mais grave. Certa vez, ela subiu numa montanha e gritou até perder a voz. Eu não fui tão longe, mas tentei me aproximar desse timbre’, conta.
Cooke, corroteirista do filme, já declarou que encarou ‘Honey, Não!’ como uma forma de ‘inverter as normas de gênero’ de produções sobre detetives, colocando no centro da narrativa uma ‘femme fatale clássica, meio sedutora, uma detetive muito envolvente’, que pudesse ser a estrela dessa obra focada em protagonistas lésbicas. ‘Queríamos fazer esse jogo butch-femme [Butch define a pessoa que expressa sua identidade de forma mais masculina e Femme define a pessoa que expressa sua identidade de forma mais feminina], brincando com as normas de gênero das histórias de detetive clássicas’, disse a autora em entrevista para o site Deadline”.
O que disse a crítica 1: Robledo Milani do site Papo de Cinema avaliou com 2 estrelas, ou seja, fraco. Disse: “Prometendo muito, mas entregando pouco, ‘Honey, Não!’ é não mais do que uma coletânea de piadas curiosas, algumas engraçadas, outras apenas bem colocadas, mas ainda assim um tanto desconexas, que em nenhum dos contextos propostos consegue se colocar à altura das expectativas levantadas. Eis, portanto, um longa formado por partes dignas de atenção, mas que quando juntas se revelam soltas, ligadas fragilmente por meio de ruídos e tropeços que mais atrapalham a fruição do que convencem como um todo. Sem apontar um destino a seguir, eis um diretor tentando se mostrar completo, uma deficiência que conseguiu disfarçar por muito tempo, mas que agora, sozinho, se torna bastante evidente”.
O que disse a crítica 2: Ygor Monroe do Caderno Pop avaliou com 3,5 estrelas, ou seja, muito bom. Escreveu: “‘Honey, Não!’ encontra relevância justamente na maneira como provoca sensações contraditórias. É irregular, desordenado, ousado e provocador. É também engraçado, estiloso, exagerado e consciente de sua própria estética. A obra confirma a força de Margaret Qualley em personagens que pedem presença e ironia, enquanto Aubrey Plaza reforça sua capacidade de ocupar narrativas com intensidade magnética. Chris Evans, por sua vez, entrega um antagonista que diverte e perturba na mesma medida”.
O que eu achei: Quem nunca ouviu falar nos filmes dos irmãos Ethan e Joel Coen, responsáveis por longas premiados, incluindo-se aí a obra-prima "Fargo" (1996)? Ocorre que desde 2019 ambos vêm investindo em carreiras solo. Em 2021 Joel dirigiu sozinho o ótimo “A Tragédia de Macbeth”, enquanto Ethan comandou em 2024 “Garotas em Fuga” e em 2025 “Honey, Não!”, ambos partes de uma trilogia de filmes B voltados ao protagonismo lésbico. “Garotas em Fuga” eu não cheguei a ver, mas o que se diz na crítica especializada é que foi um filme que passou batido, despertando pouco interesse. O complicado é que “Honey, Não!” também não empolgou ninguém. Para se ter uma ideia “A Tragédia de Macbeth” do Joel teve 92% de aprovação no Rotten Tomatoes e foi indicado a Melhor Fotografia e Melhor Direção de Arte no Oscar. Enquanto “Garotas em Fuga” obteve 63% de aprovação e “Honey, Não!” 47%. Muitos já estão afirmando que essa separação serviu para deixar claro qual dos irmãos era a grande mente criativa por trás de seus excelentes trabalhos. “Honey, Não!” – cujo roteiro foi escrito pelo Ethan em parceria com sua esposa Tricia Cooke - acompanha a história de Honey O'Donahue (Margaret Qualley), uma detetive particular que resolve investigar a morte de uma mulher ocorrida em um acidente automobilístico. Ao puxar o fio dessa investigação, ela se depara com uma teia de mortes estranhas conectadas a uma igreja misteriosa comandada pelo egocêntrico reverendo Dean. Para desvendar o quebra-cabeça repleto de crimes, mafiosos e mentiras, Honey ganha o apoio da policial MG Falcone com quem acaba se envolvendo romanticamente. O filme tinha tudo para dar certo: o elenco - com destaque para Margaret Qualley -; o visual marcante que conta com uma excelente fotografia ensolarada da Califórnia, sequências de ação viscerais, sangrentas na medida certa e uma atmosfera estilosa de ‘filme B trash’ que remete ao cinema de crime clássico; o humor ácido e a premissa ousada. Entretanto o resultado é no máximo mediano. O roteiro é vazio e sem rumo, é tipo uma coleção de piadas e esquetes desconexos. A trama principal de investigação perde o fôlego rapidamente, dando a sensação de que o filme não tem uma história real para contar. O excesso de subtramas deixa o todo mal desenvolvido terminando sem uma conclusão satisfatória, resultando fatalmente num longa esteticamente decorativo e emocionalmente raso. Com duração de pouco mais de 1h30m, o final abrupto frustra, soando apressado e sem o peso dramático - ou mesmo cômico - que o mistério inicial prometia. Com isso o longa acabou confirmando o que muitos temiam: Joel se segura sozinho, mas Ethan não. Felizmente há rumores de que, em algum momento, eles voltem a trabalhar juntos.
O site do Festival do Rio publicou: “A obra reafirma o processo de renovação criativa que tem marcado a fase artística atual do realizador. Vencedor dos principais prêmios do cinema mundial, entre eles o Oscar, o Globo de Ouro e a Palma de Ouro, o diretor foi responsável, ao lado do irmão Joel, por alguns dos títulos mais celebrados do cinema estadunidense das últimas quatro décadas. Agora, em pausa nessa parceria, o cineasta apresenta o segundo capítulo da chamada ‘trilogia lésbica de filmes B’ iniciada em ‘Garotas em Fuga’ (Drive Away Dolls), lançado em 2024.
Como no filme anterior, ‘Honey, Não!’ traz uma trama focada em protagonistas sáficas [termo usado para descrever qualquer mulher ou pessoa não-binária que sente atração afetiva ou sexual por mulheres], é estrelado por Margaret Qualley (‘A Substância’) e conta com um roteiro escrito por Coen em parceria com Tricia Cooke, sua esposa.
Qualley interpreta a detetive particular Honey O’Donahue, que atua em Bakersfield, uma pequena cidade da Califórnia. Acostumada a investigar casos de infidelidade conjugal, ela se vê diante de uma trama muito mais perigosa após acompanhar a morte misteriosa de uma mulher em um acidente de carro. Seguindo as pistas do caso, ela descobre uma série de óbitos em circunstâncias estranhas ligadas a uma excêntrica igreja liderada por um carismático pastor, interpretado por Chris Evans. Conforme se aprofunda na investigação, Honey se depara com segredos, sedução e mentiras, embarcando em uma narrativa que mistura elementos de thriller policial com humor ácido e sátira social.
O elenco traz ainda a presença de Aubrey Plaza no papel da policial MG Falcone, que se torna aliada de Honey no caso e na cama, e de Charlie Day no papel do detetive Marty Metakawich.
Para interpretar a detetive particular Honey O’Donahue, Margaret Qualley conta que precisou conter o que chama de seu lado ‘Scooby-Doo’, mais brincalhão, para adotar uma postura mais enigmática, contou a atriz em entrevista para a revista i-D. ‘Precisei ser um pouco mais suave do que eu realmente sou, mais misteriosa. Tenho a tendência de querer neutralizar os conflitos antes mesmo deles surgirem. Já Honey é como o próprio mel - habilidosa, fluida, deslizando despercebida’, afirmou.
A atriz também destacou a experiência de colaborar novamente com Ethan Coen e Tricia Cooke, dupla responsável pelo filme, foi ‘algo diferente de tudo’ o que já viveu num set de cinema. ‘Eles se respeitam e se amam muito. Eu adoro o mundo em que eles vivem’, disse a atriz, que já torce para retornar no terceiro trabalho da trilogia. ‘Não li nenhum roteiro e não fui contatada. Mas que fique registrado: se eu não estiver, vou ficar ofendida e chateada’, brincou.
Para o papel, a atriz disse ainda que mergulhou no universo do cinema noir, revisitando filmes clássicos e livros sobre o tema, buscando inspiração tanto nas femme fatales quanto nos galãs masculinos para compor sua personagem. ‘Tentei me inspirar em Lauren Bacall e Humphrey Bogart. Li a autobiografia de Bacall e ela falava sobre como ela deixava sua voz mais grave. Certa vez, ela subiu numa montanha e gritou até perder a voz. Eu não fui tão longe, mas tentei me aproximar desse timbre’, conta.
Cooke, corroteirista do filme, já declarou que encarou ‘Honey, Não!’ como uma forma de ‘inverter as normas de gênero’ de produções sobre detetives, colocando no centro da narrativa uma ‘femme fatale clássica, meio sedutora, uma detetive muito envolvente’, que pudesse ser a estrela dessa obra focada em protagonistas lésbicas. ‘Queríamos fazer esse jogo butch-femme [Butch define a pessoa que expressa sua identidade de forma mais masculina e Femme define a pessoa que expressa sua identidade de forma mais feminina], brincando com as normas de gênero das histórias de detetive clássicas’, disse a autora em entrevista para o site Deadline”.
O que disse a crítica 1: Robledo Milani do site Papo de Cinema avaliou com 2 estrelas, ou seja, fraco. Disse: “Prometendo muito, mas entregando pouco, ‘Honey, Não!’ é não mais do que uma coletânea de piadas curiosas, algumas engraçadas, outras apenas bem colocadas, mas ainda assim um tanto desconexas, que em nenhum dos contextos propostos consegue se colocar à altura das expectativas levantadas. Eis, portanto, um longa formado por partes dignas de atenção, mas que quando juntas se revelam soltas, ligadas fragilmente por meio de ruídos e tropeços que mais atrapalham a fruição do que convencem como um todo. Sem apontar um destino a seguir, eis um diretor tentando se mostrar completo, uma deficiência que conseguiu disfarçar por muito tempo, mas que agora, sozinho, se torna bastante evidente”.
O que disse a crítica 2: Ygor Monroe do Caderno Pop avaliou com 3,5 estrelas, ou seja, muito bom. Escreveu: “‘Honey, Não!’ encontra relevância justamente na maneira como provoca sensações contraditórias. É irregular, desordenado, ousado e provocador. É também engraçado, estiloso, exagerado e consciente de sua própria estética. A obra confirma a força de Margaret Qualley em personagens que pedem presença e ironia, enquanto Aubrey Plaza reforça sua capacidade de ocupar narrativas com intensidade magnética. Chris Evans, por sua vez, entrega um antagonista que diverte e perturba na mesma medida”.
O que eu achei: Quem nunca ouviu falar nos filmes dos irmãos Ethan e Joel Coen, responsáveis por longas premiados, incluindo-se aí a obra-prima "Fargo" (1996)? Ocorre que desde 2019 ambos vêm investindo em carreiras solo. Em 2021 Joel dirigiu sozinho o ótimo “A Tragédia de Macbeth”, enquanto Ethan comandou em 2024 “Garotas em Fuga” e em 2025 “Honey, Não!”, ambos partes de uma trilogia de filmes B voltados ao protagonismo lésbico. “Garotas em Fuga” eu não cheguei a ver, mas o que se diz na crítica especializada é que foi um filme que passou batido, despertando pouco interesse. O complicado é que “Honey, Não!” também não empolgou ninguém. Para se ter uma ideia “A Tragédia de Macbeth” do Joel teve 92% de aprovação no Rotten Tomatoes e foi indicado a Melhor Fotografia e Melhor Direção de Arte no Oscar. Enquanto “Garotas em Fuga” obteve 63% de aprovação e “Honey, Não!” 47%. Muitos já estão afirmando que essa separação serviu para deixar claro qual dos irmãos era a grande mente criativa por trás de seus excelentes trabalhos. “Honey, Não!” – cujo roteiro foi escrito pelo Ethan em parceria com sua esposa Tricia Cooke - acompanha a história de Honey O'Donahue (Margaret Qualley), uma detetive particular que resolve investigar a morte de uma mulher ocorrida em um acidente automobilístico. Ao puxar o fio dessa investigação, ela se depara com uma teia de mortes estranhas conectadas a uma igreja misteriosa comandada pelo egocêntrico reverendo Dean. Para desvendar o quebra-cabeça repleto de crimes, mafiosos e mentiras, Honey ganha o apoio da policial MG Falcone com quem acaba se envolvendo romanticamente. O filme tinha tudo para dar certo: o elenco - com destaque para Margaret Qualley -; o visual marcante que conta com uma excelente fotografia ensolarada da Califórnia, sequências de ação viscerais, sangrentas na medida certa e uma atmosfera estilosa de ‘filme B trash’ que remete ao cinema de crime clássico; o humor ácido e a premissa ousada. Entretanto o resultado é no máximo mediano. O roteiro é vazio e sem rumo, é tipo uma coleção de piadas e esquetes desconexos. A trama principal de investigação perde o fôlego rapidamente, dando a sensação de que o filme não tem uma história real para contar. O excesso de subtramas deixa o todo mal desenvolvido terminando sem uma conclusão satisfatória, resultando fatalmente num longa esteticamente decorativo e emocionalmente raso. Com duração de pouco mais de 1h30m, o final abrupto frustra, soando apressado e sem o peso dramático - ou mesmo cômico - que o mistério inicial prometia. Com isso o longa acabou confirmando o que muitos temiam: Joel se segura sozinho, mas Ethan não. Felizmente há rumores de que, em algum momento, eles voltem a trabalhar juntos.
