
Comentário: As listas variam, mas dizem que o diretor de 87 anos possui em sua filmografia entre 49 e 57 títulos. Este é do ano de 2020 e integra, segundo a Revista de Cinema, “a safra de filmes não nova-iorquinos de Wood Allen. Fase que começou quando o cinema-videogame, protagonizado por super-heróis movidos a efeitos especiais, transformou-se na força motriz da indústria norte-americana”. Além disso, conta-se que ele vem sofrendo um certo cancelamento desde as denúncias feitas contra ele por sua filha Dylan Farrow, então qualquer oportunidade, mesmo que fora dos EUA, acaba sendo abraçada pelo diretor. Se olharmos em retrospectiva, ele começou indo para Inglaterra onde realizou “Match Point” (2005), “Scoop – O Grande Furo” (2006) e “O Sonho de Cassandra” (2007). Depois ele foi para a Espanha rodar “Vicky Cristina Barcelona” (2008). Na França ele fez “Meia-Noite em Paris” (2011). Na Itália, “Para Roma, com Amor” (2012) e agora, de volta à Espanha, ele lança “O Festival do Amor” (2020). O filme conta a história de Mort Rifkin (Wallace Shawn), um professor de cinema de meia-idade que viaja para Espanha para acompanhar o festival de cinema de San Sebastian. Ele precisa ir pois sua esposa Sue (Gina Gershon) é assessora de imprensa de um jovem cineasta francês (Louis Garrel), então sua presença é fundamental para auxiliá-lo. Rifkin sente ciúmes da relação dela com o diretor e desconfia que os dois tem um caso. Porém, durante a viagem, ele mesmo se vê interessado por uma médica local (Elena Anaya) e seu casamento será, portanto, posto em risco. Rifkin é claramente o alter-ego de Allen: inteligente, feio, deslocado, crítico, engraçado, hipocondríaco... Isolado de todos ele sonha com trechos de filmes clássicos diversos como “Cidadão Kane” de Orson Welles, “8 1/2” de Fellini, “Jules et Jim” do Truffaut, “O Anjo Exterminador” do Buñuel, “O Sétimo Selo”, “Morangos Silvestres” e “Persona” do Bergman e “Acossado” do Godard, fazendo uma bela homenagem ao cinema.
O que disse a crítica: Marcelo Hessel do site Omelete achou o filme regular. Ele disse: “Cancelado ao redor do mundo, Allen provavelmente escolheu o festival de San Sebastian como cenário porque foi o único lugar que o acolheu. Seu filme tem um tom de despedida que fica muito bem marcado na metalinguagem, em passagens anedóticas de cinefilia em que Rifkin sonha com trechos reencenados de filmes que marcaram a juventude de Allen”.
Luiz Santiago do site Plano Crítico está achando Woody Allen um pouco acomodado. Ele diz: “que ‘Woody Allen não tem mais nada a provar para ninguém’, (...) isso é um fato. Mas daí até o mais puro comodismo vindo de alguém como ele, é outra história. (...) O problema é que são filmes cada vez mais indulgentes com seus elementos recorrentes, mais fechados nessa teia referencial tão conhecida do universo woodyano e que almejamos que ultrapasse certa linha dramática - como fez inúmeras vezes no passado -, mas isso, infelizmente, não vem acontecendo”.
Maria do Rosário Caetano da Revista de Cinema gostou. Ela disse: “’O Festival do Amor’ é um filme de encomenda. Não há como negar. Mas que bela encomenda. O resultado deixa o público satisfeito, pois é puro Woody Allen, e os patrocinadores idem (na tela estão impressas todas as belezas turísticas de San Sebastian). A Dra. Rojas se dispõe a levar Mort a um passeio pela cidade. Tudo flui de forma serena, jocosa e em cores arrebatadoras, graças ao talento do diretor e a seu parceiro de tantos filmes, o genial diretor de fotografia, o italiano Vittorio Storaro”.
O que eu achei: Eu acabo concordando com todos. Achei o filme leve, engraçado, bem feito. Os clássicos aparecendo nos sonhos de Rifkin são puro deleite. Mas não espere nada além disso. É filme para se ver naqueles dias em que não se quer esquentar a cabeça. Você vai rir enquanto passeia pela bela San Sebastian.