27.12.22

“A Garota Desconhecida” – Jean-Pierre Dardenne & Luc Dardenne (Bélgica/França, 2016)

Sinopse:
 
Jenny (Adèle Haenel) é uma médica dedicada, que há três meses passou a trabalhar na vaga deixada por um médico veterano (Yves Larec), que foi seu mentor. Bastante atenciosa com seus pacientes, ela fica abalada ao saber sobre o falecimento de uma jovem (Ângela-Deborah Goulehi) que procurou a clínica em que trabalha, mas não conseguiu atendimento por ter chegado uma hora após o horário de encerramento. Querendo saber mais sobre esta jovem, ela passa a realizar uma investigação pessoal em busca de sua identidade.
Comentário: Assisti quatro filmes dos irmãos belgas Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne: os ótimos “A Criança” (2005) e “Dois Dias, Uma Noite” (2014) e os bons “O Garoto da Bicicleta” (2011) e “O Jovem Ahmed” (2019). Em todos eles há uma coisa em comum: os dramas pessoais emoldurados pelos comentários sociais, as protagonistas femininas fortes, o registro naturalista, a ausência de trilha sonora e a câmera inquieta. Neste “A Garota Desconhecida” (2016) não é diferente, todas essas características estão lá. Segundo Leonardo Ribeiro do site Papo de Cinema, a diferença deste para os demais é que “desta vez, [os irmãos compõem] uma narrativa que flerta mais diretamente com o cinema de gênero, no caso o suspense policial. Mesmo não chegando a realizar um neo-noir, os Dardenne imprimem ares detetivescos à premissa sobre a jovem médica Jenny (Adèle Haenel), que certa noite se recusa a atender a campainha do consultório após o horário de expediente. Na manhã seguinte, ela é informada pela polícia que uma garota não identificada foi encontrada morta próximo ao seu local de trabalho. Sentindo-se culpada, acreditando que poderia ter salvado a vítima, Jenny inicia sua busca pela verdade sobre o incidente”. Ribeiro prossegue: “Pouco é apresentado sobre a vida privada de Jenny, como o relacionamento com familiares e amigos, ou até mesmo detalhes de seu lar, já que logo ela passa morar na impessoalidade do consultório. A ideia parece ser a de conceder ao espectador tantas informações sobre Jenny quanto sobre a garota desconhecida, o que em teoria soa interessante, mas na prática limita a conexão com a protagonista. [Além disso] na esfera do suspense policial, o desenvolvimento também apresenta irregularidades, muitas vezes sem a fluidez esperada”. 
O que disse a crítica: Na crítica especializada as notas variaram. Rubens Ewald Filho definitivamente não gostou. Ele escreveu: “Este é provavelmente o mais fraco dos inúmeros filmes que a dupla de Irmãos Dardenne fez depois de ganhar a Palma de Ouro de Cannes. [...] Além de ser o menos expressivo filme da dupla ainda é prejudicado pela atriz central, francesa, que parece um fantasma”. 
André Miranda de O Globo escreveu: “Uma obra menos impactante dos Dardenne. A busca incansável da médica, eventualmente se colocando em risco, ultrapassa o tom naturalista dos diretores. A metáfora, sem uma boa trama para apoiá-la, perde força”. 
Peter Bradshaw do The Guardian disse: “’A Garota Desconhecida’ é uma semi-trama de detetive esquisita e dramaticamente engessada sobre uma morte misteriosa”. Mas finalizou dizendo que “até os equívocos dos Irmãos Dardenne são interessantes”.
O que eu achei: O filme é mediano. Diferentemente de outros filmes da dupla de diretores, este padece de alguns problemas como a fotografia escura demais e as falas da jovem protagonista que beiram ao sussurro. Some-se a isso a ausência de trilha sonora e a falta de interesse pela película pode se estabelecer.