28.12.22

"Democracia em Preto e Branco" - Pedro Asbeg (Brasil, 2014)

Sinopse:
 
Política, futebol e rock n'roll. Sócrates, Casagrande e Wladimir lideram um movimento histórico no esporte e adotam a democracia dentro de um time como exemplo de protesto ao regime militar no começo da década de 1980.
Comentário: Segundo Marcelo Janot do site Críticos, "Um popular clube de futebol desafia a ditadura militar de seu país, tendo como líderes um diretor e três jogadores de perfis bem diferentes. O diretor é um sociólogo de 32 anos que entende muito pouco de bola. Entre os jogadores, o intelectual é um médico com nome de filósofo grego, que só começou a jogar profissionalmente depois de formado; o proletário é negro, líder sindical, tem nome de poeta russo e cita Zumbi em entrevistas; quem completa o trio é o garotão rebelde, roqueiro e contestador. Além da consciência política, os três têm outro aspecto em comum: são cracaços da pelota. Eles criam um movimento democrático que destoa da estrutura rígida e hierárquica do futebol brasileiro. Conquistam títulos em campo, viram símbolos da resistência à ditadura e do clamor popular por mudança. Um deles, astro da Seleção, recebe proposta pra jogar no exterior, mas diz ao povo que fica caso a emenda das Diretas Já seja aprovada. Suspense. O final não é feliz, mas a semente está plantada. O argumento acima não é fruto da mente criativa de um bom roteirista de ficção. Tudo isso de fato aconteceu naquele agitado período entre 1982 e 1984, quando a Democracia Corintiana mostrou que o futebol poderia ter uso político oposto do que foi feito pelos militares na Copa de 70. Ao som do efervescente Rock Brasil, que se valeu da abertura para driblar a censura com letras engajadas e provocantes, Sócrates, Wladimir e Casagrande, sob a chancela do diretor Adilson Monteiro Alves, deram um show dentro e fora do gramado. É isso que o diretor Pedro Asbeg mostra no excepcional documentário 'Democracia em preto e branco'. A história é contada em ritmo de aventura, com depoimentos de jogadores, músicos, jornalistas e até ex-presidentes como Lula e Fernando Henrique, rico material de arquivo e narração de Rita Lee, que acerta o tom para o texto coloquial e envolvente de Arthur Mulenberg. Uma aula de cinema, uma aula de cidadania, e uma boa maneira de perceber que se na política o Brasil trilhou o caminho da democracia, no futebol a trajetória foi oposta. O movimento Bom Senso agoniza, a CBF está nas mãos de dirigentes ligados ao regime militar, políticos financiam a construção de estádios em troca de votos e os craques de hoje são, em sua quase totalidade, alienados que só pensam em dinheiro e no próprio ego. Já imaginaram Neymar dizendo que se a tão necessária reforma política de fato acontecer ele deixa de ir pro Barcelona? Pois é. Enquanto isso, mais um gol da Alemanha". 
O que eu achei: Excelente para compreender o que houve naquele momento do país. Uma aula de história.