4.12.22

“Comer, Beber, Viver” - Ang Lee (Taiwan/China, 1994)

Sinopse:
 
O Sr. Chu (Sihung Lung), o maior cozinheiro de Taipei, anda com sérios problemas. Há alguns anos, com a morte da esposa, ele ficou responsável por suas três filhas: Jia-Jen (Kuei-Mei Yang), uma professora totalmente devotada a ele; Jia-Khien (Chien-lien Wu), uma executiva ambiciosa que não suporta a presença do pai, e Jia-Ning (Yu-Wen Wang), a mais jovem e mais romântica das três. A vida na casa se desenrola em torno do ritual do jantar de domingo e dos casos amorosos da família.
Comentário: Ang Lee é um cineasta, produtor e roteirista taiwanês radicado nos Estados Unidos. Assisti dele os excelentes "O Segredo de Brokeback Mountain" (2005) e "Aconteceu em Woodstock" (2009), o bom "As Aventuras de Pi" (2012) e o mediano "Hulk" (2003). Desta vez vou conferir “Comer, Beber, Viver” (1994), seu terceiro filme.
Lançado em 1994 o longa conta a história do Sr. Chu (Sihung Lung), o maior cozinheiro de Taipei. Há alguns anos, com a morte da esposa, ele ficou responsável por suas três filhas, cada uma com uma personalidade diferente. A vida na casa se desenrola em torno do ritual do jantar de domingo e dos casos amorosos da família.
O que disse a crítica 1: Nicholas Bell do site Ion Cinema achou o filme mediano. Ele disse: “o filme parece tão cheio de problemas pessoais que cada uma das filhas de Chu parece se anular, e até mesmo a aparente aversão do mestre-chef pelo ninho vazio que se aproxima parece silenciada”. E completa: “Lee parece ter fascínio por personagens que resistem à aparente diluição de suas culturas ou tradições quando forçados a se envolver com elementos inconvenientes. Infelizmente, apesar de visualmente suntuoso, o filme é um prato frio. Apresentando Sihung Lung, que estrelaria os três primeiros filmes de Lee e apareceria em ‘O Tigre e o Dragão’ antes de sua morte em 2002, o que começa como um exame comovente do relacionamento de um pai com suas três filhas se perde em uma série de tangentes”.
O que disse a crítica 2: Noel Murray do site The Dissolve gostou bastante. Ele escreveu: “Antes de Ang Lee ser conhecido o suficiente para ‘um filme de Ang Lee’ ter significado, seu terceiro longa, ‘Comer, Beber, Viver’, chegou aos Estados Unidos como mais um em uma linha de filmes em língua estrangeira que agradam ao público sobre comida. (...) O que faz deste um filme de Lee – e um dos melhores – é o quão bem ele e seus corroteiristas entendem todos os relacionamentos e o que não é dito. [Aqui] o verdadeiro conflito não é entre as filhas e o pai, mas entre a tradição e a modernidade. Lee mostra uma Taipei que, de certa forma, é indistinguível de qualquer grande cidade americana, onde a loja de brinquedos é abastecida com produtos da Disney, os jovens comem no Wendy's e as ruas estão repletas de pessoas ocupadas. A pergunta que o filme faz - e seu título responde - é o que todas essas pessoas querem. A grande reviravolta é que, por mais que as três mulheres falem sobre como desejam se livrar de seu pai taciturno e conservador, todas elas estão de alguma forma ligadas ao passado. Elas se lembram de quando o Sr. Chu era mais doce e engraçado, e lembram-se de observá-lo na cozinha, acrescentando um toque pessoal a cada pitada de sal e salpicos de óleo quente”.
O que eu achei: O filme me lembrou muito um outro longa, também chinês, chamado “Banhos” (1999) do diretor Zhang Yang. Em ambos temos a temática do pai viúvo que envelhece e sua relação com os filhos, além do embate entre o tradicional - em "Banhos" a tradicional casa de banhos e neste a cozinha e o ritual do preparo da comida chinesa - e o moderno. Ambos meio água com açúcar, candidatos à uma vaga na Sessão da Tarde, sendo que este me pareceu um pouco mais elaborado e menos previsível. Um filme com humor, sobre famílias e sobre como sobreviver a elas.