11.12.22

“A Crônica Francesa” – Wes Anderson (EUA/Alemanha, 2021)

Sinopse:
 Na ocasião da morte do editor Arthur Howitzer Jr. (Bill Murray), a equipe da Crônica Francesa, uma revista americana de ampla circulação sediada na cidade fictícia de Ennui-sur-Blasé, na França, se reúne para escrever o obituário do jornalista. As memórias de Howitzer permitem a criação de um diário de viagens pelas partes mais degradadas da cidadezinha e três histórias: “The Concrete Masterpiece”: uma matéria sobre um pintor (Benicio Del Toro) criminalmente insano; “Revisions to a Manifesto”: uma crônica de amor e morte durante o ápice da revolta estudantil e “The Private Dining Room of the Police Commissioner”: uma fábula de suspense sobre drogas, sequestro e jantares de luxo.
Comentário: A história é a seguinte: em 1900 nasce Arthur Howitzer Jr, filho do dono do jornal americano Evening Sun de Liberty. Ainda jovem, ele convence seu pai a lhe pagar uma excursão num transatlântico com a finalidade de produzir uma série de resenhas sobre viagem para serem publicadas na revista Sunday Picnic. O rapaz se sai tão bem que, em 10 anos, ele já possui uma equipe formada pelos melhores jornalistas de seu tempo, fazendo-o transformar a revista Picnic na revista The French Dispatch (A Crônica Francesa), um periódico semanal que fala sobre política, arte, moda, culinária, bebidas e conta diversas histórias de bairros distantes. A revista, apesar do nome, é americana, mas numa licença poética ela é vendida como sendo publicada na cidade francesa fictícia de Ennui-sur-Blasé. Quando Arthur morre, em 1975, sua equipe precisa lançar o último número. Então, em homenagem ao editor-chefe, eles publicam um guia de viagens, três reportagens e o obituário de Arthur, encerrando assim suas atividades. 
O que disse a crítica: Ciro Araujo do site Vertentes do Cinema, diz que bem ao estilo Anderson, os “personagens (...) se movem e se comportam em uma mistura de Jacques Tati, Truffaut e Buster Keaton”. Ele “aproveita o orçamento agora quase ilimitado, o que era um obstáculo para todos seus outros longas-metragens, e incorpora em um departamento de arte simplesmente impecável. Tudo está nos moldes que ele deseja”. 
Bruno Carmelo do site Papo de Cinema, diz que “o cineasta permite que atores consagrados por filmes clássicos desconstruam suas personas através de figuras patéticas e gentis”, resultando num “exercício de escola de teatro, onde são convidados a posarem, rejeitarem a psicologia dos personagens, abraçarem as caricaturas”. O filme “constrói uma série de tableaux vivants, com muitas dezenas de figurantes encarando a câmera com seus rostos oblíquos, pontiagudos, estranhos. ‘A Crônica Francesa’ sublinha o deleite plástico, ao invés de narrativo: enquanto as imagens, cuidadosamente decoradas, iluminadas e enquadradas, oferecem o humor em sua construção improvável, o roteiro se converte numa alegre bagunça”. 
Marcelo Hessell do site Omelete diz: “Ao retornar a temas, linguagens e lugares do eurocentrismo (passeando por referências que vão desde o Maio de 68 até as aventuras desenhadas por Hergé), Wes Anderson está prestando tributo à cultura popular que o inspirou (...). Mas convém não subestimar essa homenagem, nem o olhar nostálgico e romântico sobre a imprensa”. 
A Revista Rolling Stone listou seis motivos para se assistir ao filme: ele é uma carta de amor ao jornalismo; mistura variadas linguagens com maestria (há cenas coloridas, p&b e animações); é o filme mais ambicioso do diretor em termos de estética, direção de arte e fotografia; possui um elenco de primeira linha (Bill Murray, Frances McDormand, Adrien Brody, Owen Wilson, Léa Seidoux, Tilda Swinton, Timothée Chalamet, Benicio Del Toro, Edward Norton e William Defoe); reúne diversas boas histórias em um único longa e possui uma magnífica trilha sonora assinada por Alexandre Desplat.
O que eu achei: O filme é bem a cara do Wes Anderson. Quem já viu algum filme dele e gostou, com certeza vai gostar deste também. Imperdível.