
Comentário: O filme começa e acaba mostrando uma cena, linda por sinal, de uma vaca perfilada no pátio de uma prisão, fotografada como um ser imenso de contornos oníricos que divide homens e mulheres. João Garção Borges da Magazine HD, nos explica que o nome do filme em inglês, “Ballad of a White Cow” (Balada da Vaca Branca), “possui uma significativa carga simbólica que o desenvolvimento imagético-narrativo nos irá esclarecer, não de forma cabal, mas antes como proposta de reflexão sobre a atitude que a nossa consciência podia ou não ditar se estivéssemos no corpo e na alma de uma mulher, assombrada pela dor e pela revolta que se mantém a muito custo reprimida. De início parece estranha [essa] imagem, mesmo após a leitura da citação extraída do Corão, mais precisamente uma passagem da Al-Baqara, a Sura da Vaca, inserida como pré-genérico. Nela, Moisés, como reparação pela morte de um homem, pede ao seu povo para sacrificar uma vaca, e a resposta que o povo lhe dá faz pensar que o desígnio do profeta seria motivo de controvérsia. Deste modo, nos primeiros e derradeiros minutos do filme cabe-nos igualmente a nós, e não apenas aos que produziram o filme, interpretar a visão daquele plano". Só após esse preâmbulo é que o filme propriamente dito começa. O enredo vai contar a história de uma mulher, mãe de uma menina surda-muda, que acabou de perder seu marido por um erro do sistema judiciário que o condena à pena de morte considerando ter sido ele o responsável por assassinar um homem.
O que disse a crítica: Bruno Carmelo do Papo de Cinema disse: “Entre tantos problemas enfrentados pelo Brasil atualmente, felizmente a pena de morte não é um deles. No Irã, em contrapartida, o tema tem ocupado os maiores e mais premiados filmes do país: em 2020, o vencedor do Festival de Berlim foi “Não Há Mal Algum”, mosaico sobre o impacto da pena de morte em todos os segmentos da sociedade”. O resultado, para ele, impressionou “mais pelo roteiro e pelas atuações do que pela construção estética”.
Cecilia Barroso do Cenas de Cinema escreveu: “Em uma história que nega o básico e tira o mais essencial ao ser humano, há muita sensibilidade no retratar a dor e a ausência em uma sociedade que, além de tudo, invisibiliza e inviabiliza a mulher. Conto imoderado, ‘O Perdão’ perturba e aperta o coração pelo peso da injustiça e pela impossibilidade diante dos fatos. Um filme que faz com que a incredulidade se apresente não pela implausibilidade dos eventos, mas justamente por, ainda que não em um mesmo lugar e nem sob as mesmas vestes, existirem histórias assim”.
Para Rodrigo Fonseca do C7nema, “Mesmo com sazonais deslizes, Alireza e Maryam levam a narrativa para um ponto que asfixia a plateia, numa reflexão sobre escolhas e amarras”.
O que eu achei: Eu, particularmente, achei o filme um pouco lento, o sentimentalismo acabou se sobrepondo à oportunidade de uma crítica mais contundente ao sistema, mas ele vai te fazer refletir. Vale ver.