12.12.22

“Sonata de Outono” - Ingmar Bergman (Suécia/Alemanha/França, 1978)

Sinopse:
 
Após ter sido uma mãe ausente por anos, Charlotte (Ingrid Bergman), uma renomada pianista, vai até a casa de sua filha Eva (Liv Ullmann) para lhe fazer uma visita. Ela se surpreende ao encontrar sua outra filha, Helena (Lena Nyman), que tem problemas mentais. Eva tirou Helena da instituição que Charlotte a havia internado para cuidar dela em casa. A tensão entre mãe e filha começa a crescer devagar até elas colocarem tudo em pratos limpos, dizendo aquilo que sempre gostariam de dizer.
Comentário: Ingmar Bergman (1919-2007) é um diretor de cinema sueco famoso pela abordagem psicológica que ele dá a seus filmes. Sua produção engloba em torno de uns 60 filmes. Assisti dele 11 filmes, dentre eles as obras-primas "O Sétimo Selo" (1957), "Morangos Silvestres" (1957), "Persona" (1966) e "O Ovo da Serpente" (1977). Desta vez vou conferir "Sonata de Outono" (1978).
O filme trata do relacionamento entre uma mãe pianista bem sucedida (Ingrid Bergman) e sua filha emocionalmente fragilizada (Liv Ullmann). Essa mãe sempre foi relapsa na criação de sua filha que, quando fica adulta, decide fazer um acerto de contas com sua genitora. Robledo Milani do site Papo de Cinema nos conta que “Ao contrário do que qualquer estudioso da obra de Ingmar poderia apontar, ‘Sonata de Outono’ não se tornou concreto apenas por se identificar dentro da filmografia do realizador, seja pela história que desenvolve ou ainda pelos elementos narrativos que apresenta. Foi em sua protagonista, no entanto, que tal roteiro repercutiu com ainda mais força. Os dois [Ingmar Bergman e Ingrid Bergman], que não dividiam parentesco, tiveram uma relação complicada durante a elaboração deste longa. Ele demonstrava os primeiros sinais de cansaço com a indústria cinematográfica - o que o levou, logo em seguida, a abandoná-la de vez, restringindo-se a partir de certo momento somente ao teatro e à televisão. Ela, por sua vez, descobriu ainda no início das filmagens ser portadora do câncer que a mataria poucos anos depois, com apenas 67 anos. Este é, portanto, seu último filme”. 
O que disse a crítica 1: Heitor Romero do site Cineplayers disse, “Outros temas como a morte, o perdão e a religião são pincelados, mas a essência está nessa ousada investida do diretor nas entranhas do universo feminino. As cores outonais, ressaltadas pela fotografia sempre crucial de Sven Nykvist, tingem o tom de redenção da obra, enquanto a trilha sonora erudita realça essa atmosfera quase bucólica e tristonha sobre as verdades por trás das relações aparentemente mais inabaláveis do ser humano”. 
O que disse a crítica 2: Para Natasha Moura do site Cineset, “‘Sonata de Outono’ é um retrato acurado da mulher, a maternidade e sua vida, como sobre o impacto dos pais nos filhos e vice-versa. Algo que ele conhecia muito bem“. 
O que disse a crítica 3: Para o site Cinema em Cena, “’Sonata de Outono’ é uma brilhante obra-prima, um rico estudo de personagens que se torna mais interessante e instigante à cada visualização. É um filme universal e atemporal, que continua relevante e desafiador”. 
O que eu achei: Eu, que já havia visto esse filme em 1979, aos 19 anos de idade, me recordo que, na época, sofri uma catarse emocional com a película. Tudo o que Eva (Liv Ullmann) disse àquela mãe são coisas que, em algum momento da vida, precisaríamos externar para alguma mãe, algum pai ou mesmo algum parente mais distante. Interessante que revendo agora, aos 62 anos de idade, entendo um pouco mais o lado da mãe. Ausente? Sim. Mas nem todo mundo nasceu para a maternidade e nem sempre ter a mãe cem por cento presente pode ser sinônimo de crescer de forma psicologicamente mais saudável. O filme, profundo e imprescindível, vale uma sessão de psicanálise. Atenção à atuação - não só das duas estrelas máximas - mas também de Lena Nyman, que interpreta Helena, a filha com problemas mentais. Obra-prima.