20.11.22

“Os Olhos de Tammy Faye” - Michael Showalter (EUA, 2021)

Sinopse:
 
Nas décadas de 1970 e 80, Tammy Faye (Jessica Chastain) e seu marido Jim Bakker (Andrew Garfield), que vieram de origens humildes, conseguiram criar a maior rede de radiodifusão religiosa e o maior parque temático do mundo e eram reverenciados por sua mensagem de amor, aceitação e prosperidade. Tammy Faye era lendária por seus cílios indeléveis, seu canto peculiar e sua ânsia de abraçar pessoas de todas as esferas da vida. No entanto, não demorou muito para que impropriedades financeiras, rivais intrigantes e escândalos derrubassem seu império cuidadosamente construído.
Comentário: “Os Olhos de Tammy Faye” (2021) é uma cinebiografia baseada num documentário homônimo que conta a trajetória da pastora televangelista e cantora norte-americana que, junto com seu marido, o pastor Jim Bakker, pregava o amor e a aceitação em seus programas na TV religiosa chamada “The PTL Club”. Eles ganharam tanto dinheiro fazendo isso que se transformaram na maior rede de TV religiosa do mundo e de um parque temático cristão cujo império desmoronou no final dos anos 1980. A Revista Veja nos conta que o desmoronamento começou “após Tammy ser internada em uma clínica de reabilitação por problemas com medicamentos prescritos”, mas “o que realmente abalou a reputação de Tammy e Jim foram os escândalos sexuais e de fraude. Jim Bakker foi acusado de assédio sexual contra uma secretária da igreja de Long Island, na cidade de Nova York. (...) Mais tarde, foi alvo de alguns boatos que diziam que ele teria tido relacionamentos com homens - o que não era bem visto na comunidade cristã. No fim dos anos 1980, Jim foi indiciado com 23 acusações de fraude e condenado a 45 anos de prisão por se apropriar de US$ 3,7 milhões dos fundos da ‘PTL’ e também fraudar seus fiéis em um valor estimado de US$ 158 milhões”. O filme ganhou dois Oscars: Melhor Atriz para Jessica Chastain que interpreta Tammy Faye e Melhor Maquiagem/Penteados. 
O que disse a crítica: Para Iann Jeliel do site Plano Crítico, o filme quer “vender que Tammy e Jim eram tão puros que nem se tocavam sobre o que estavam fazendo, nem sabiam o quanto estavam sendo hipócritas e só perceberam isso depois de uma crise de relacionamento gerada por um ‘aprisionamento’ dessa índole pura à frente de desejos pessoais. Por mais que esse retrato possa ser verdadeiro e que exista a possibilidade dualista de criticar sem demonizar os erros (...), a execução soa indecisa, recheada de incoerências e incompetente no estudo de cada lado moral destacado”. 
Para Marcelo Müller do site Papo de Cinema, “Em determinado ponto da história, é difícil precisar se estamos assistindo a uma história sobre Tammy, se o principal é o casamento entre ela e Jim (Andrew Garfield) ou se o núcleo do enredo é a denúncia do funcionamento escuso dos impérios televangelistas. O longa tenta um pouco de tudo, com isso reforçando a leitura antes exposta de recorte amplo e dispersivo. Cada um desses aspectos poderia render uma trama bastante específica, com pontos relevantes e desdobramentos característicos. Porém, os idealizadores preferiram fazer um filme do tipo ‘cobrindo quase a vida inteira dos personagens’ e disso resulta a sensação de que muita coisa é dita e sugerida, mas nada é efetivamente esmiuçado ou tratado com a devida relevância”. 
Para Denis Le Senechal Klimiuc do Cinema com Rapadura, “Nesta cinebiografia requentada, é uma pena que o espectador não encontre a construção dos personagens em uma história tão atual nos Estados Unidos e no Brasil. É uma pena, também, que o roteiro não se preocupe em ir além de quaisquer convencionalidades para apresentar algo tão autêntico quanto os olhos de sua protagonista”. 
O que eu achei: Aquilo que poderia ser “o filme” para mostrar o crime que está por trás da exploração da boa-fé das pessoas, acaba por se transformar num retrato caricato e morno sobre esse negócio chamado religião. Que fim teve o casal? Após o divórcio, em 1993, Tammy Faye se casou com o empresário Roe Messner, vindo a falecer em 2007 devido a um câncer de cólon. Jim Bakker pegou uma pena de 45 anos de reclusão, mas teve esse tempo diminuído cumprindo apenas oito. Em 2003, ele começou a apresentar um novo programa cristão no canal CNT (Canal de Televisão Cristã) junto com sua nova esposa Lori Bakker. Ele também vende alimentos desidratados. Durante a pandemia de coronavírus em 2020 ele tentou um novo golpe: seu programa vendeu Silver Solution, um produto que eles diziam matar o coronavírus, mas que não tinha nenhum benefício comprovado para a saúde. Uma ação movida pelo gabinete do procurador-geral do Missouri levou a um acordo em junho de 2021 e sua empresa concordou em reembolsar as pessoas que compraram a solução.