
Comentário: Trata-se de mais um filme da lista dos essenciais elaborada pela Revista Bravo! em 2007. A matéria diz: "A história que envolve o documentário 'Olympia', sobre a Olimpíada de 1936, em Berlim [a matéria diz Munique mas é Berlim], é, em grande parte, o relacionamento da jovem cineasta Leni Riefenstahl com o alto comando do regime nazista. Além deste filme, ela foi encarregada também da gravação de reuniões políticas do partido na Alemanha, o que resultou no impressionante 'O Triunfo da Vontade', sobre o Congresso do Partido Nazista, em Nuremberg (1934), umas das grandes peças cinematográficas de propaganda política da história. Desde essa época até sua morte, em 2003, Riefenstahl foi acusada e bombardeada de perguntas sobre seu envolvimento com a cúpula de Hitler. Ela costumava responder que apenas fazia filmes para eles, apelando para conceitos discutíveis de objetividade e isenção na produção artística. Em 'Olympia' - obra apresentada em duas partes (Glória do Povo ou Festa das Nações e Glória da Beleza ou Festa da Beleza) - não é fácil distinguir o quanto o filme é um produto da ideologia nazista ou o retrato de um evento planejado por Adolf Hitler para a afirmação de seus valores. Os jogos olímpicos de 1936 estavam integrados à política populista do governo alemão. Hitler e seus assessores mais próximos estavam o tempo todo em cena perto dos atletas. Não seria simples produzir um filme sem que eles tivessem destaque. Pode-se dizer que os pontos de vista escolhidos pela diretora não excluem as imagens das vitórias de homens e mulheres considerados não arianos. O recorte dos fatos não foi feito pelo critério da contagem de medalhas, dos recordes ou das vitórias (embora o filme não os exclua), mas pelo critério da beleza plástica. Para o espectador, têm impacto as imagens que ignoram tal relação política, como as dos longilíneos nadadores japoneses, ou aquelas que confrontam a figura política do 'patrão' Hitler, como as veias pulsando na testa de Jesse Owens, negro e norte-americano, vencedor de quatro medalhas de ouro diante da tribuna com diversos representantes da cúpula nazista. Os defensores da cineasta costumam apontar o close no rosto do líder alemão durante uma das vitórias de Owens como um dos maiores exemplos de sua isenção na direção dos documentários. Resta a dúvida se a busca da beleza e da perfeição privilegiando os corpos e as acrobacias não guarda os valores de superioridade proclamados pela ideologia dos nazistas".
O que eu achei: Ao assisti-lo fica a pergunta: é possível apreciar o documentário de forma artística, tanto pelas imagens, quanto pela música que cultuam a plasticidade dos corpos dos atletas em movimento? Alguns dizem que “Olympia” transcende à política, que trata-se de um filme para cinéfilos, para fãs de esportes olímpicos, jornalistas, historiadores e pesquisadores. O documentário é, de fato, muito bem feito. Há tomadas extremamente criativas e bem executadas e chama a atenção a incrível montagem produzida com o material. Entretanto fica impossível você não ser fustigado pela realidade que compunha o pano de fundo da barbárie do regime.