14.11.22

“O Homem Errado” – Alfred Hitchcock (EUA, 1956)

Sinopse:
 
Um músico (Henry Fonda) de uma casa noturna tem a vida remexida quando a esposa (Vera Miles) precisa de 300 dólares para o tratamento dentário e ele vai até a seguradora saber quanto pode conseguir de empréstimo com a apólice da sua mulher. Porém, ele é identificado erradamente pelas funcionárias como sendo o assaltante que tinha roubado o local um ano antes.
Comentário: Alfred Hitchcock (1899-1980) foi um diretor e produtor cinematográfico britânico. Amplamente considerado um dos mais reverenciados e influentes cineastas de todos os tempos, Hitchcock foi eleito pelo The Telegraph o maior diretor da história da Grã-Bretanha e, pela Entertainment Weekly, o maior do cinema mundial. Conhecido como "Mestre do Suspense", dirigiu em torno de 53 longas-metragens ao longo de seis décadas de carreira, parte dela na Inglaterra, parte nos EUA. Tornou-se também famoso também por conta das frequentes aparições em seus filmes e pela apresentação do programa "Alfred Hitchcock Presents" (1955-1965). Assisti dele 30 filmes dentre eles as obras-primas "Os Pássaros" (1936), "Festim Diabólico" (1948), "Janela Indiscreta" (1954), "Um Corpo Que Cai" (1958) e "Psicose" (1960) e os ótimos: "O Inquilino" (1927), "Chantagem e Confissão" (1929), "Sabotagem" (1936), "Jovem e Inocente" (1937), "A Dama Oculta" (1938), "A Sombra de Uma Dúvida" (1943), "Interlúdio" (1946), "Pacto Sinistro" (1951), "Disque M para Matar" (1954), "O Homem Que Sabia Demais" (1956), “Intriga Internacional” (1959) e "Frenesi" (1972). Desta vez vou conferir "O Homem Errado" (1956), um filme P&B baseado no livro “The True Story of Christopher Emmanuel Balestrero” de Maxwell Anderson.
A história é sobre um fato real de um homem inocente (interpretado por Henry Fonda) acusado por um crime que ele não cometeu. E isso logo após ele ter um diálogo com sua esposa (Vera Miles de "Psicose" e uma das atrizes favoritas do diretor) sobre o quão sortudos eles são por terem um ao outro, pelos dois filhos saudáveis, por terem um trabalho.
O que disse a crítica 1: Para Rubens Ewald Filho, “é dos filmes mais frios e depressivos dele. Sufocante, lento e sem a ironia característica de Hitchcock, tem fotografia escura e contrastada que acentua o clima de pesadelo”. 
O que disse a crítica 2: Para Wanderson Lima da revista RUA, “'O Homem Errado' é um filme sobre a capacidade humana de suportar o sofrimento; não um sofrimento qualquer, mas o padecer da vítima inocente cujo espelho é o sofrimento do Cristo. Apesar disso, o filme de Hitchcock não é uma apologética de um carola. Hitch trabalha num registro sutil, seja na inserção de objetos simbólicos no quadro, seja fazendo a câmera assumir, em alguns momentos, a perspectiva do protagonista“. 
O que disse a crítica 3: Para Luiz Santiago do site Plano Crítico, “Mantendo precisão dramática na primeira parte, cercando os fatos de maneira compassada e mostrando diferentes influências para as mais diversas pessoas ao longo dos estragos da falsa acusação, ‘O Homem Errado’ não termina em uma nota feliz e nos faz pensar bastante sobre o mote de ‘justiça para todos’. Uma obra para ficar tenso e se indignar”. 
O que eu achei: "O Homem Errado" (1956) é um filme que se destaca por trazer uma atmosfera mais sóbria e realista dentro da filmografia de Hitchcock. A questão religiosa, tão presente na narrativa, adiciona uma dimensão diferente à história, conferindo-lhe um peso emocional que não costuma ser tão explícito em outras obras do diretor. Esse aspecto, aliado à tensão crescente em torno da injustiça sofrida pelo protagonista, faz com que o público se envolva facilmente com a trama. A direção precisa de Hitchcock, somada à música marcante de Bernard Herrmann e à fotografia elegante de Robert Burks, cria um clima denso, mas sempre bem equilibrado. Embora não esteja entre os filmes mais lembrados do mestre, "O Homem Errado" mantém o padrão de qualidade característico dele e oferece uma experiência envolvente, com momentos de grande impacto visual e sonoro que reforçam a força da narrativa.