1.11.22

“O Oficial e o Espião” - Roman Polanski (França/Itália, 2019)

Sinopse:
 
Paris, final do século 19. O capitão francês Alfred Dreyfus (Louis Garrel) é um dos poucos judeus que faz parte do exército. No dia 22 de dezembro de 1884, seus inimigos alcançam seu objetivo: conseguem fazer com que Dreyfus seja acusado de alta traição. Pelo crime, julgado a portas fechadas, o capitão é sentenciado à prisão perpétua no exílio. Intrigado com a evolução do caso, o investigador Picquart (Jean Dujardin) decide seguir as pistas para desvendar o mistério por trás da condenação de Dreyfus.
Comentário: Quem nunca ouviu falar do famoso artigo escrito em 1898 por Émile Zola, intitulado “J’Accuse” (Eu Acuso) sobre o caso Dreyfus? Esse artigo, publicado no jornal francês L’Aurore, tinha a forma de uma carta endereçada ao então Presidente da República Francesa, Féliz Faure, denunciando o Exército por ter condenado o inocente judeu Alfred Dreyfus para poupar da prisão o oficial Marie Charles Ferdinand Walsin Esterházy. Esse artigo é muito fácil de encontrar na internet e vale a pena ser lido antes mesmo de ver o filme – cujo título original é o mesmo nome do artigo – para que você já embarque nessa jornada cinematográfica ciente do que virá pela frente. 
O que disse a crítica: Michel Gutwilen do site Plano Crítico, diz “Olhar para o passado é uma forma de entender o presente. Se o título internacional do novo filme de Roman Polanski, ‘O Oficial e o Espião’, remete apenas a um thriller genérico de espionagem (algo que o filme também não nega), a sua essência se encontra na versão original francesa: ‘J’Accuse’. Eu acuso. A poderosa afirmação não só remete ao artigo original escrito por Émile Zola para denunciar a injustiça histórica e antissemita no Caso Dreyfus, como também carrega todo o peso inerente da palavra. Ao ser acusado, tanto na França da Terceira República quanto no mundo cibernético atual, basicamente, você já está condenado”. 
Ygor Pires do site Cinema com Rapadura diz: “'O Caso Dreyfus' é uma das grandes manchas da história da França. Um misto de fraude jurídica e escândalo político que agitou o país entre 1894 e 1906, comprometendo a pretendida imagem de civilização exemplar e também a opinião pública em relação ao governo e ao Exército. A descida ao inferno começou com a prisão do capitão de artilharia Alfred Dreyfus, condenado por entregar informações militares sigilosas aos alemães, e se completou com a comprovação de que informações foram ocultadas e documentos forjados para aumentar a pena do homem. Essa trajetória vergonhosa é retratada em ‘O Oficial e o Espião’”. 
O que eu achei: O resultado é bem interessante do ponto de vista informativo. Com grande apuro técnico, fotografia impecável, mas um tanto verborrágico, o filme se conclui numa aula indispensável sobre antissemitismo, sobre como criar um bode expiatório na defesa de interesses corporativistas escusos. É um filme complexo, com alguns vai-e-vem na cronologia, um filme sem grandes catarses, mas uma aula de história que nos esclarece as bases das fake news.