
Comentário: Trata-se de um documentário que conta a história inusitada que aconteceu com a artista tcheca Barbora Kysilkova. Ela é pintora e, duas pinturas de sua autoria, que estavam guardadas na galeria Nobel em Oslo, foram levadas por dois ladrões. Em busca desses trabalhos, Barbora consegue uma aproximação com um deles e daí nasce uma amizade improvável. A história começou a ser gravada em 2016, era para ser um curta, mas no fim, o diretor Benjamin Ree acabou optando por seguir os personagens até 2019, registrando ao vivo cada ocorrência.
O que disse a crítica: Segundo Bruno Carmelo do site Papo de Cinema, “O documentário desperta a curiosa impressão de onipresença e onisciência, algo permitido, de costume, somente às ficções. A possibilidade de registrar os fatos conforme eles acontecem soa extraordinária: Ree não apenas obtém autorização para filmar dentro da cadeia, mas o faz no exato momento em que o ladrão é conduzido à sua cela. Ele acompanha Barbora enquanto ela pinta cada quadro, ao longo de horas. O dispositivo cinematográfico desperta a impressão de ter convivido diariamente com seus personagens durante muitos anos, a ponto de criar uma intimidade rara, e o consequente senso de invisibilidade. A partir do momento em que os protagonistas se tornam grandes amigos, há meia dúzia de cenas potentes com reações de Karl Bertil-Nordland ao retrato feito pela artista, e desta quando reencontra um objeto perdido. A câmera está colada aos corpos, aos rostos, ao lado da tela sendo pintada e das confissões mais preciosas. Entretanto, jamais desperta a impressão de incomodar os personagens, nem de ser percebida por eles. O cinema se torna ao mesmo tempo espião (por observar aquilo que ninguém mais vê) e cúmplice (por estar junto deles, na posição de um amigo a mais na sala de estar). O cineasta obtém uma combinação improvável de proximidade e distanciamento”.
O que eu achei: O resultado acabou valendo a pena pois mostra o lado humano de cada um deles sem se valer de sensacionalismo nem grandes julgamentos sobre os dois. A obra, que recebeu o Prêmio do Júri no Festival de Sundance 2020 na categoria escrita criativa, é uma lição de vida e de amor ao próximo.