
Comentário: Hal Hartley é um cineasta norte-americano considerado um
dos pioneiros do cinema independente americano. Em 2018 a Revista ISTOÉ o entrevistou por conta
de uma mostra organizada na Caixa Cultural do RJ. A matéria diz que Hartley é
um mestre do roteiro e um dos representantes mais consistentes do cinema dos
anos 1990, com filmes que misturaram drama e comédia de humor negro, servindo de inspiração para muitos seriados atuais. Indagado sobre como ele define seu trabalho em termos de
estética e influências, ele diz: “Neste ponto, minha estética está bastante
estabilizada. Meus filmes são feitos de diálogos e atores, eles são
estruturados por diálogo e interpretados por artistas. Eu seleciono atores que
saibam ouvir a melodia e o ritmo do meu diálogo e que podem entrelaçar isso
junto com o movimento coreografado e atividade física. Quero olhar para essa
atividade de forma nova e sem complicações, sem recorrer a efeitos fáceis. As
influências que me impulsionaram a seguir essa direção percorreram um longo
caminho de volta. E continuo voltando a essas influências, embora possam
parecer uma mistura estranha: Kubrick, Bresson, Brecht, Godard, Peter Brook,
Wenders e Fassbinder”. Este filme, dos anos 90, já indica no título “Confiança”
(Trust) sua temática: o salto no escuro que se dá ao acreditar em seu
semelhante. Quando a rebelde Maria (Adrienne Shelly), que abandonou o ensino
médio, anuncia sua gravidez para seus pais, seu pai cai morto no chão. Sua
mãe e sua irmã a expulsam de casa, o namorado a abandona, e Maria se vê na rua
quando conhece Matthew e passam a se ajudar mutuamente.
O que eu achei: Razoável. O resultado é um filme cult, sem grandes resoluções ou finais felizes.
Uma ode às vidas que se cruzam sem aparente sentido e que, todavia, alteram
tudo à sua volta.