3.11.22

“Confiança” - Hal Hartley (EUA/Reino Unido, 1990)

Sinopse:
Quando Maria Coughlin (Adrienne Shelly), que abandonou o ensino médio, anuncia sua gravidez para seus pais, seu pai (Marko Hunt) cai morto no chão. Sua mãe (Merrit Nelson) a expulsa de casa e seu namorado (Gary Sauer) a abandona, então Maria fica sozinha e sem-teto. É quando ela conhece Matthew Slaughter (Martin Donovan), um técnico de computadores, e passam a se ajudar mutuamente.
Comentário: Hal Hartley é um cineasta norte-americano considerado um dos pioneiros do cinema independente americano. Em 2018 a Revista ISTOÉ o entrevistou por conta de uma mostra organizada na Caixa Cultural do RJ. A matéria diz que Hartley é um mestre do roteiro e um dos representantes mais consistentes do cinema dos anos 1990, com filmes que misturaram drama e comédia de humor negro, servindo de inspiração para muitos seriados atuais. Indagado sobre como ele define seu trabalho em termos de estética e influências, ele diz: “Neste ponto, minha estética está bastante estabilizada. Meus filmes são feitos de diálogos e atores, eles são estruturados por diálogo e interpretados por artistas. Eu seleciono atores que saibam ouvir a melodia e o ritmo do meu diálogo e que podem entrelaçar isso junto com o movimento coreografado e atividade física. Quero olhar para essa atividade de forma nova e sem complicações, sem recorrer a efeitos fáceis. As influências que me impulsionaram a seguir essa direção percorreram um longo caminho de volta. E continuo voltando a essas influências, embora possam parecer uma mistura estranha: Kubrick, Bresson, Brecht, Godard, Peter Brook, Wenders e Fassbinder”. Este filme, dos anos 90, já indica no título “Confiança” (Trust) sua temática: o salto no escuro que se dá ao acreditar em seu semelhante. Quando a rebelde Maria (Adrienne Shelly), que abandonou o ensino médio, anuncia sua gravidez para seus pais, seu pai cai morto no chão. Sua mãe e sua irmã a expulsam de casa, o namorado a abandona, e Maria se vê na rua quando conhece Matthew e passam a se ajudar mutuamente. 
O que eu achei: Razoável. O resultado é um filme cult, sem grandes resoluções ou finais felizes. Uma ode às vidas que se cruzam sem aparente sentido e que, todavia, alteram tudo à sua volta.