18.10.22

“Meu Pai” - Florian Zeller (Reino Unido/França/EUA, 2020)

Sinopse:
 
Um homem idoso (Anthony Hopkins) recusa toda a ajuda de sua filha (Olivia Colman) à medida que envelhece. Ela está se mudando para Paris e, para garantir os cuidados dele enquanto estiver fora, ela procura encontrar alguém para cuidar do pai. Ao tentar entender a situação, ele começa a duvidar de seus entes queridos, de sua própria mente e até mesmo da estrutura da realidade.
Comentário: Trata-se de uma adaptação para o cinema de uma peça teatral do próprio diretor Florian Zeller, que narra o cotidiano de um pai (Anthony Hopkins) já idoso e com uma crescente perda de memória, e sua filha (Olivia Colman), que cuida dele. Ela precisa se mudar, junto com seu novo marido, de Londres para Paris e ele precisará aceitar a presença de uma cuidadora na casa ou ir para uma casa de idosos. 
O que disse a crítica: Robledo Milani do site Papo de Cinema diz, “Em ‘Meu Pai’, tão difícil quanto aceitar os fatos é discernir quais deles são de fato reais, e quais não passam de mera fantasia. Uma engenhosa mistura comandada com habilidade pelo diretor Florian Zeller, e executada à perfeição pelos não menos que geniais Anthony Hopkins e Olivia Colman. A absoluta maioria dos filmes que tratam da questão da perda da memória o fazem a partir da perspectiva daqueles ao redor dos acometidos pela doença. De dramas como ‘Longe Dela’ (2006) a romances como ‘Diário de uma Paixão’ (2004), todos possuem em comum o fato de mostrar o impacto desse retrato nas reações de maridos e esposas, amigos e filhos, colegas e vizinhos. Talvez essa seja a principal diferença de ‘Meu Pai’: tudo é percebido tendo como ponto de vista o olhar do protagonista, inclusive suas confusões, impressões e identidades. A filha tanto pode ser a mulher de mais de quarenta anos que agora se apresenta em seu socorro, como uma garota muito mais jovem e idealista. A cuidadora pode ser tanto uma estranha, como também a outra filha, perdida tempos atrás em um trágico acidente. O genro que se apresenta com respeito e distanciamento também pode se revelar agressivo e impiedoso. Sem ter no que se agarrar dentro da própria mente, qualquer registro é passível de dúvida e questionamento”. 
O que eu achei: É justamente aí que reside a força do filme. Ao invés de observarmos a reação da família frente à demência galopante do pai ou da mãe idosos, o ponto de vista se desloca para o próprio afetado que já não sabe mais distinguir o que é verdadeiro do que é ilusório. Muito tocante. Vale a pena prestar atenção nos sintomas como ilusão (eu posso morar sozinho, eu não preciso de ajuda), delírio (eu sou um grande sapateador) e alucinação (ver pessoas que não estão presentes, ouvir coisas) que, em geral, fazem parte desse quadro. “Meu Pai” é o longa de estreia do diretor, o que deixa o resultado ainda mais surpreendente. O filme concorreu a seis Oscars e abocanhou dois: Melhor Ator (Anthony Hopkins) e Melhor Roteiro Adaptado. Imperdível.