
Comentário: Nietzchka Keene (1952-2004) é uma cineasta americana que produziu, no total, três curtas e três longas em sua breve carreira, vindo a falecer de câncer em 2004. “Quando Éramos Bruxas” (The Juniper Tree) é o primeiro desses longas. Os outros dois são um filme para a TV chamado “Heroine of Hell” (1996) e um terceiro postumamente concluído chamado “Barefoot to Jerusalem” (2008). “Quando Éramos Bruxas” é uma releitura feminista de um conto dos irmãos Grimm sobre uma madrasta malvada. Ele fala de canibalismo, de transformação de humano em pássaro e de uma árvore mágica. O conto serviu apenas como um ponto de partida, um escopo para o longa, cuja adaptação é uma recontagem livre, apesar de acadêmica. O filme foi estrelado pela cantora Björk, em seu primeiro papel no cinema. Keene fez tudo: escreveu o roteiro, dirigiu, produziu e editou o material. Como locação temos o sul da Islândia, incluindo alguns lugares que agora são famosos: os penhascos e cavernas de basalto em Reynisfjara e a cachoeira Seljalandsfoss. A parte filmada dentro da casa foi feita numa moradia de época preservada pelo museu da cidade de Reykjavík.
O que disse a crítica: Mark Asch da Film Comment Magazine disse: “Embora o filme se passe em um tempo e lugar deliberadamente não fixados, a insinuação de caça às bruxas continua sendo um poderoso símbolo de ginofobia (aversão às mulheres). Com isso, Keene exerce um tipo de revisionismo ao conto, adicionando ao invés de subtrair”.
Glenn Kenny do New York Times disse: “O filme tem um estilo que não participa das influências previstas - você pode esperar ressonâncias de Ingmar Bergman ou Carl Dreyer, mas ‘The Juniper Tree’, que foi filmado em inglês, tem uma voz própria”.
Luis Fernando Galván do En Filme resumiu: trata-se de “uma peça experimental, hipnótica e surreal”.
O que eu achei: O resultado, registrado numa belíssima fotografia em P&B, é delicado e sutil. Veja de preferência na ótima versão restaurada.