2.7.22

“Descerrando os Punhos” - Kira Kovalenko (Rússia/França, 2021)

Sinopse:
 
No alto das montanhas da Ossétia do Norte, na Rússia, está a cidadezinha mineira de Mizur. Após acontecimentos traumáticos, Zaur (Alik Karaev) se muda para lá com os filhos: Ada (Milana Aguzarova), Akim (Soslan Khugaev) e Dakko (Khetag Bibilov). Zaur é um pai severo e dominador que impõe uma disciplina rígida. Akim, o filho mais velho, fugiu para trabalhar em Rostov, a cidade mais próxima dali. Seu irmão mais novo, Dakko, ainda não sabe o que quer da vida, enquanto a irmã, Ada, planeja escapar desse ambiente. Embora seja uma mulher adulta, seu pai a trata como uma criança e ela logo percebe que será muito difícil se desvencilhar dos laços paternos para começar sua própria vida.
Comentário: Kira Kovalenko é uma diretora russa nascida em Nalchik, em 1989. Ela se formou pela Universidade Kabardino-Balkaria e realizou, até o momento, três curtas e um longa chamado “Sofichka” (2016). “Unclenching the Fists” (Descerrando os Punhos) é seu segundo longa. Em entrevista a diretora diz inspirar-se no neorrealismo italiano - um movimento que despontou nos anos 40 e que frequentemente usava atores não profissionais para capturar as histórias da população mais humilde - e, de fato, vemos em “Descerrando os Punhos” o uso de atores não profissionais como o irmão mais velho que é o atleta de luta-livre Soslan Khugaev. Na verdade, atores profissionais neste filme são apenas Alik Karaev, que faz o papel do pai, e a personagem principal Ada interpretada por uma estudante de teatro chamada Milana Aguzarova, que se sai muito bem no papel. José Vieira Mendes da HD Magazine nos conta que “O filme foi rodado no dialeto autóctone [dialeto local], na antiga cidade mineira de Mizur, na Ossétia do Norte, - uma república autônoma localizada na região do Cáucaso do Norte, da Federação Russa, com uma população de cerca de 3.000 pessoas ou melhor quase deserta. É uma cidade literalmente perdida no fim-do-mundo, cercada de penhascos, e de edifícios pré-fabricados ao estilo comunista, dispostos ao longo de um desfiladeiro de um rio castanho e poluído pela mineração”. É nesse ambiente que se encontra a família de Ada. 
O que eu achei: O filme chamou minha atenção pelo fato dele ter ganho, em 2021, o prêmio principal do Un Certain Regard no Festival de Cannes - primeira vez que uma mulher ganha - mas, apesar da premiação, da temática importante e da boa intenção ao tratar do destino e da vida das mulheres oprimidas nas sociedades em geral e na religião islâmica em especial, o filme é instável, carece de sutileza e se perde em informações que não ficam tão claras ao longo da trama, tornando-se no decorrer desgastante e desinteressante. A estranha e sufocante relação familiar com esse pai dominador, que é a espinha dorsal do filme, se dispersa e ele resulta numa experiência de visualização difícil. A crítica, de forma geral, gostou. Então talvez valha a pena ver e tirar suas próprias conclusões. Para mim ficou uma sensação de frustração pois eu esperava bem mais.