
Comentário: Trata-se do segundo filme de ficção científica do Spielberg. O primeiro foi “Contatos Imediatos do Terceiro Grau” (1977), mais voltado para o público adulto. “E.T. O Extraterrestre” (1982) é interpretado por muitos como “uma alegoria sobre ser uma criança em meio ao divórcio de seus pais, suas reações, sua solidão”. Dizem que Spielberg se inspirou na sua própria experiência por conta da separação dos pais, época em que ele inventou um amigo imaginário. Ele mesmo classifica o filme como uma espécie de autobiografia. O roteiro foi escrito por Melissa Mathison, que era esposa de Harrison Ford na época. A criatura foi desenhada por Carlo Rambaldi, que já havia trabalhado com o diretor. Conta-se que para desenhar a aparência do E.T. ele juntou os rostos de Carl Sandburg, Albert Einstein e Ernest Hemingway com cães pug. A ideia é a de que ele não fosse macho nem fêmea e tivesse mais de 10 milhões de anos de idade. Três atores se intercalaram para vestir a fantasia e dar vida ao E.T.: Matthew De Merritt (que nasceu sem as pernas), Tamara De Treaux e Pat Bilon (que tinham nanismo). A voz rouca da criatura é de Pat Welsh, uma fumante inveterada com 67 anos de idade. A trilha sonora é do mestre John Williams, o que lhe valeu sua 14ª indicação ao Oscar na categoria e sua quarta vitória, levando também, o Globo de Ouro, o Grammy e o BAFTA. Para quem não sabe ele é quem fez o famoso tema de abertura da série “Perdidos no Espaço” original, dentre inúmeros outros trabalhos. No papel principal está o ator Henry Thomas – na época com 11 anos de idade – que seguiu na carreira cinematográfica. Ele atuou posteriormente em "Os Heróis Não Têm Idade” (1984), "Lendas da Paixão" (1994), "Gangues de Nova York" (2002), "Querido John" (2010) e "Doutor Sono" (2019), dentre outros, além de participar, em 2018, da série "A Maldição da Residência Hill". Sua irmã caçula é interpretada pela Drew Barrymore, na época ela tinha 6 para 7 anos. Ela também seguiu na carreira tornando-se bem famosa em Hollywood atuando posteriormente em dezenas de filmes, dentre eles: "Quanto Mais Idiota Melhor 2" (1993), "Quatro Mulheres e um Destino" (1994), "Para Sempre Cinderela" (1998), "As Panteras" (2000), "Como Se Fosse a Primeira Vez" (2004) e "Garota Fantástica" (2009). Seu irmão mais velho é interpretado por Robert McNaughton – na época com 16 anos – que trabalhou como ator em “I Am The Cheese” (1983) e em alguns filmes para a TV, mas em 1994 ele se mudou para Phoenix, no Arizona, onde não conseguiu dar continuidade em sua carreira no cinema e trabalha atualmente como funcionário dos correios. Como o elenco principal é composto por crianças, conta-se que Spielberg resolveu filmar todas as cenas em ordem cronológica. Isso facilitou a compreensão e o envolvimento delas, tornando tudo mais verossímil. Funcionou tanto que as crianças se emocionaram de verdade na última cena. Vale observar que grande parte do filme é fotografado com a câmera a meia altura - como nos antigos desenhos de Tom & Jerry - representando literalmente o ponto-de-vista de uma criança sobre o que acontece ao seu redor. Isso transforma todos nós espectadores em crianças também, algo refletido da mesma forma no próprio E.T., que é da altura de Elliott. Quando o filme foi exibido no Festival de Cannes, apenas como um teste, todos os presentes aplaudiram de pé, já adiantando o sucesso que o filme faria. No Oscar, o filme recebeu nove indicações mas levou apenas quatro estatuetas técnicas: Som, Efeitos Visuais, Efeitos Sonoros e Trilha Musical. Na comemoração do seu vigésimo aniversário o filme sofreu algumas atualizações como retoques nos seus efeitos especiais e nas expressões do pequeno alienígena, a inclusão de uma cena na qual o E.T. brinca numa banheira e a substituição politicamente correta, por walkie-talkies, dos revólveres dos agentes federais. De resto, permanece inalterada a magia do filme.
O que eu achei: Trata-se de um conto terno que combina de forma magistral elementos complexos sobre a condição humana, nosso relacionamento com o diferente e a fértil imaginação infantil, simples e bela. Um clássico atemporal que toda criança e todo cinéfilo deveriam ver.