
Comentário: Clint Eastwood (1930) é um cineasta e ator americano. Assisti dele a obra-prima "Os Imperdoáveis" - Clint Eastwood (EUA, 1992); os ótimos "As Pontes de Madison" (1995), "Sobre Meninos e Lobos" (2003), "Menina de Ouro" (2004), "A Conquista da Honra" (2006) e "Cartas de Iwo Jima" (2006); os bons "A Troca" (2008), "Gran Torino" (2008), "Invictus" (2009), "J. Edgar" (2011) e "O Caso Richard Jewell" (2020) e os não tão bons "Além da Vida" (2010), "Jersey Boys: Em Busca da Música" (2014), "Sniper Americano" (2015), "Sully - O Herói do Rio Hudson" (2016), "15h17 - Trem para Paris" (2018) e "A Mula" - Clint Eastwood (EUA, 2018). Desta vez vou conferir "Cowboys do Espaço" (2000).
Imagine Clint Eastwood, conhecido por atuar como cowboy em diversos filmes ao longo de sua carreira, atuando como astronauta aos 70 anos de idade. Imaginou? Junte um Donald Sutherland, na pele de um tiozão garanhão divertido, e um Tommy Lee Jones mais um James Garner, todos já na terceira idade, aposentados, indo para o espaço participar de uma missão arriscada.
O que disse a crítica: Segundo Luiz Carlos Merten do site Terra Cinema, "O filme (...) foi recebido a pedradas. Tem mesmo uma subtrama anticomunista que parece despropositada. Mas o começo e o fim são deslumbrantes. Só isso já valeria [ver]. (...) Eastwood mistura humor e drama no que não deixa de ser um diálogo com 'Os Eleitos', de Philip Kaufman. Você se lembra, com certeza, daquele filme, um dos mais belos do cinema americano dos anos 80, adaptado do livro de Tom Wolfe. 'Os Eleitos' reconstituía, com raro vigor, a história da epopeia espacial americana. Eastwood subverte a epopeia, ora pelo riso, ora pela emoção. (...) A melhor parte (…) descreve o processo de preparação dos quatro velhinhos para seu voo espacial. O cinema contou muitas histórias sobre a formação de rapazes inexperientes, recrutas na caserna. O próprio Eastwood fez isso em 'O Destemido Senhor da Guerra'. Desta vez são os velhos que precisam aprender, às vezes desaprender, para adequar-se".
O que eu achei: Em "Cowboys do Espaço (2000)" Clint Eastwood assume um tom leve e assumidamente nostálgico, apostando mais no carisma de seus personagens do que em qualquer ambição temática ou formal. A premissa - veteranos da corrida espacial convocados para uma missão tardia - serve sobretudo como pretexto para reunir um elenco de atores maduros em situações de humor, autoironia e camaradagem. O resultado é um filme que não se leva muito a sério e tampouco exige isso do espectador. Narrativamente, tudo é bastante simples e previsível. O roteiro evita conflitos mais complexos e prefere soluções fáceis, apostando em piadas, rivalidades amistosas e na graça que surge do contraste entre idade avançada e aventura espacial. Nesse sentido, o filme se encaixa perfeitamente na definição: é um filme despretensioso, raso mas divertido, que serve para reunir a família e dar umas gargalhadas. A ciência é tratada de forma superficial, e o drama praticamente inexiste, o que limita qualquer impacto mais duradouro. Como cinema, "Cowboys do Espaço" acaba sendo mediano: não compromete, mas também não se destaca dentro da filmografia de Eastwood. Funciona melhor como entretenimento leve do que como obra memorável. É simpático, tem bons momentos e um charme próprio, mas se esgota rápido, deixando a sensação de um projeto feito mais por prazer e nostalgia do que por real necessidade artística.