26.6.22

“Lamb” - Valdimar Jóhannsson (Islândia/Suécia/Polônia, 2021)

Sinopse:
 
Maria (Noomi Rapace) e Ingvar (Hilmir Snær Guðnason) são um casal de islandeses que mora com seu rebanho de ovelhas em uma fazenda isolada de tudo. Quando descobrem um estranho recém-nascido na propriedade, híbrido meio homem meio cordeiro, decidem criá-lo. A perspectiva inesperada de formar uma família os deixa felizes, antes de finalmente destruí-los.
Comentário: Trata-se de um conto bizarro dirigido pelo estreante Valdimar Jóhannsson e corroteirizado pelo escritor, poeta e compositor islandês Sjón. Jóhannsson foi aluno da escola de cinema do húngaro Béla Tarr, que nos créditos aparece como produtor, e, de fato, pode-se notar uma certa influência do mestre Tarr em “Lamb”. Aliás, para um diretor estreante em longas, como ele, foi bem ousada a opção por um projeto tão diferente e provocador. O filme conta a história de um casal que perdeu sua filha ainda criança e agora resolve adotar uma ovelha “diferente” que nasceu na fazenda deles, cujo corpo é metade humano e metade ovino. O filme é dividido em 3 capítulos e tem no papel principal a atriz Noomi Rapace, que ficou conhecida por interpretar a personagem Lisbeth Salander na versão sueca da trilogia “Millennium”.
O que disse a crítica: A crítica especializada está bem dividida. Alan Fernandes do site Omelete gostou muito. Disse: “é uma fábula soturna que utiliza elementos do terror rural e folclórico para tecer uma trama alegórica envolta em luto, cuja premissa explora, entre outras temáticas, a maternidade e a relação homem-natureza”.
Alysson Oliveira do Cine Web achou bom, escreveu: “Pela abertura, no Natal, a sensação é a de que Jóhannsson abraçará com gosto a alegoria cristã do cordeiro que veio ao mundo para tirar os pecados, ou mesmo pelo nome da protagonista, Maria. Mas, na verdade, ele está interessado em alguma espécie de mitologia pré-cristã, possivelmente muito mais clara para os povos nórdicos do que para o restante do mundo. No sentido de um conto de terror, ‘Lamb’ também pode servir como uma leitura da maternidade e sua relação com a natureza, ou ainda quando a Mãe (ou talvez, estranhamente aqui, o 'Pai') Natureza decide cobrar de volta o preço dos anos de abuso que sofreu”.
O que eu achei: Você já deve imaginar o que vem pela frente: um filme diferente, indicado para um gosto específico, lento demais para quem quer assistir a um terror convencional, porém singular, atendendo às expectativas de quem busca algo fora do comum. A meu ver, sensacional. Este diretor promete.