22.6.22

"Atrás da Porta" - István Szabó (Hungria/Alemanha, 2012)

Sinopse:
 
Hungria, metade do século 20. O país da Europa Central ainda sente os efeitos da II Guerra Mundial, que devastou boa parte do continente e deixou marcas que nunca poderão ser apagadas. É neste cenário que a vida de duas mulheres bem diferentes se cruzam de uma maneira bem especial. Magda (Martina Gedeck) está ganhando cada vez mais notoriedade por seu trabalho como escritora quando conhece a reservada governanta Emerenc (Helen Mirren), que carrega na alma as cicatrizes do passado. As duas iniciam uma amizade que ultrapassa os limites das convenções sociais.
Comentário: Trata-se da adaptação do premiado romance homônimo da escritora húngara Magda Szabó, que não tem parentesco com o diretor apesar da coincidência de sobrenome. Conta a história de uma mulher que sofreu as agruras da guerra e que perdeu a fé e a alegria de viver, transformando-se numa pessoa amarga, mas não menos bondosa, que acaba indo trabalhar na casa de uma escritora travando uma forte amizade com ela. O resultado decepciona. Visualmente, lembra um filme feito para a TV e não um produto cinematográfico. 
O que disse a crítica: Segundo Pedro Henrique Gomes do Papo de Cinema, o filme agoniza. Ele diz: "sua história é murcha, despolitizada e resulta enfraquecida diante da 'estética'. Os planos não duram nada além da imagem do telejornal. Narração de reportagem. Estranhamente para um filme dramatizado (no sentido de que se pretende sóbrio), com os flashbacks, que mediam o acesso à memória, não há um retorno àquelas imagens, àquele passado sangrento, mais sim a um emboloramento de cenas incapazes de potencializar um conflito. O fade preenche as sequências de tal forma que retira a própria mobilidade pretendida pela montagem. Ritmo, fruição e durabilidade entram em curto-circuito. Aliás, é tudo apressado em 'Atrás da Porta': o fade realiza a transição quando não existe passagem alguma de tempo em uns momentos, e quando há, a elipse é mostrada através de legendas. São escolhas fracamente anacrônicas e que destituem do filme qualquer coisa que ele poderia explanar através de suas imagens, pois junto disso vem carregado um peso inconsequente nas costas na trilha sonora que, desfiguradamente, não substancia a doença tão particular do filme (o horror da guerra e da destruição dos sonhos), lhe deixando agonizar entre momentos constrangedores de banalização do passado histórico-político húngaro e de uma narrativa de cores e sabores bastante maltratados". 
O que eu achei: Tratando-se de  István Szábo - diretor de pérolas como "Mephisto", "Coronel Redl" e "Adorável Julia" - esperava muito mais. Dizem se tratar de um dos filmes mais fracos de István Szabó.