7.11.21

“Conto de Primavera” - Éric Rohmer (França, 1990)

Sinopse:
 
Jeanne (Anne Teyssèdre) pode ter as chaves de dois apartamentos diferentes, mas ela sente que não tem onde dormir. Enquanto isso, tudo que Natasha (Florence Darel) quer é alguém para dividir seu apartamento em Paris, onde seu pai, Igor (Hugues Quester), raramente fica. Elas se encontram uma noite em que as duas se sentem particularmente incomodadas e, em poucos dias, tornam-se inseparáveis. Natasha já não gosta mais da namorada de seu pai e ela não se importaria se o amor florescesse entre o pai e a amiga.
Comentário: Este filme faz parte da série "Quatro Estações" do diretor Éric Rohmer. "Conto de Primavera" (1990) foi o primeiro a ser rodado. O filme começa dentro de um apartamento onde está acontecendo uma festa e mostra duas mulheres, que acabam de se conhecer, dividindo suas angústias sobre o lugar onde moram: uma porquê acabou de emprestar o apartamento para a prima - e ficar na casa do namorado que está viajando não a agrada - e a outra que mora com o pai, mas não se sente feliz de ficar sozinha enquanto este está ausente. As locações então migram de apartamento para apartamento, de casa em casa. Tiago Mata Machado, crítico da Folha SP, explica que tanto Rohmer quanto Jacques Rivette (outro diretor francês, seu comparsa da nouvelle vague), "são de uma geração que, tendo trocado os estúdios de cinema pelas ruas de Paris e declarado seu direito de posse sobre elas ('Paris nos Pertence', dizia o título do primeiro longa de Rivette), inverteu a relação lugar/história ao criar suas narrativas a partir das locações, e não mais o inverso. De todos os artistas do grupo, Rohmer foi possivelmente aquele para quem essa inversão mais fez sentido. 'Conto de Primavera' é uma prova de que o cinema, para Rohmer, foi mais do que uma forma de exercitar essa sua especial sensibilidade para os espaços". Vale avisar, como disse Inácio Araújo também para a Folha SP, que "não se deve esperar enquadramentos preciosos ou movimentos audazes. A fotografia é limpíssima, mas nunca deslumbrante. No estilo Rohmer, o encanto, se existe, deve vir das coisas, não da imagem. Também a música não vem, jamais, em auxílio do filme para despertar nossas emoções. As personagens falam muito, como sempre nesse autor", então prepare-se para muita verborragia. Disponível no site do SESC Digital.