Sinopse: Enquanto estava sob prisão domiciliar em Pequim, Ai Weiwei transformou remotamente Alcatraz em uma expressão de arte engajada socialmente. Os visitantes podiam escrever mensagens para os ativistas presos. Ao final da exposição, mais de 90.000 cartões postais foram enviados. Então, surpreendentemente, os prisioneiros e suas famílias começaram a escrever de volta.
Comentário: Que grande oportunidade esta para conhecer melhor a exposição @Large que o artista chinês Ai Weiwei organizou em 2014 na penitenciária Alcatraz situada na baía de San Francisco. Segundo Rosa Jiménez Cano do El País, "Um ícone famosíssimo, próximo e ao mesmo tempo distante da civilização. A ilha de Alcatraz, com seu mítico presídio desativado em 1963, é um dos monumentos mais visitados dos EUA. O cinema, com suas fugas lendárias e carcereiros cruéis, assim como a sombra de Al Capone, fizeram desse local uma fortaleza de segurança máxima [na qual] os detentos tinham apenas quatro direitos: comida, teto, roupa e assistência médica". E foi assim, com essas ideias preconcebidas sobre a ilha, que Weiwei vai tratar da temática da carência de liberdade, algo que ele conhece tão bem. Por estar em prisão domiciliar na China e, portanto, sem poder sair do país, "Ai fez este caminho com uma proposta criativa, adaptando-se a um espaço ao qual não teve acesso. Quem explica isso é Cheryl Haynes, curadora da exposição [e diretora do documentário]: 'Foi fascinante. Seu Governo cassou o passaporte dele, então fui seis vezes ao seu ateliê para levar vídeos, filmes, livros, mapas...'". Foi preciso enviar vários assistentes ao local para finalizarem a montagem conforme seus desejos. O resultado impacta. A exposição, chamada @Large (lê-se at large, ou foragido), [foi] pensada para ser grande, mas cheia de pequenos detalhes. O percurso começava na lavanderia, que era um local de trabalho. (...) As pipas em forma de dragão que ocupavam o galpão central com frases de Julian Assange e Edward Snowden, deixavam clara qual era a sua mensagem". No segundo galpão da lavanderia foi construído um mosaico com reconhecidos defensores da liberdade. Nelson Mandela e Martin Luther King contaram com um lugar destacado. As latrinas, lavabos e banheiras foram convertidos em recipientes para acomodar flores de porcelana branca. Mas a cereja do bolo ficava no final da exposição: o refeitório. Neste local Weiwei colocou duas estantes repletas de cartões postais já com os nomes dos destinatários impressos. O visitante podia ler sobre cada um dos presos políticos do mundo todo e enviar para eles uma mensagem de apoio. Os selos já estavam pagos. E é aí que entra a parte mais emocionante: mais de 90 mil cartões postais foram enviados e o documentário vai mostrar a reação desses ativistas recebendo as mensagens. Prepare seu coração e se jogue. O documentário é imperdível e seu título "Atenciosamente" não poderia ser mais feliz.
