Sinopse: O documentário apresenta as ideias e a obra musical do maior compositor brasileiro vivo de música erudita de vanguarda. Gilberto Mendes é precursor da bossa nova nos anos 40, introdutor no Brasil das músicas aleatória, concreta e eletrônica nos anos 60, criador da Música Teatro nos anos 70, do minimalismo nos anos 80 e considerado um dos pioneiros mundiais do pós-modernismo na música. Filmado na Rússia, Alemanha, Bélgica, Holanda e Brasil.
Comentário: Segundo Eduardo Viveiros do site Omelete, "'Música nova: procura de uma linguagem direta, utilizando os vários aspectos da realidade (física, fisiológica, psicológica, social, política, cultural) em que a máquina está incluída. Extensão ao mundo objetivo do processo criativo (indeterminação, inclusão de elementos ‘alea’, acaso controlado)'. Esse é um pequeno trecho do Manifesto Música Nova, publicado em 1963 e assinado por um grupo de maestros e compositores essenciais à cultura nacional moderna, como Rogério Duprat, Júlio Medaglia e Willy Correia de Oliveira. Neste grupo estava também o criador santista Gilberto Mendes, tema central do filme que carrega seu nome. Mendes (...) é uma encarnação da vanguarda brasileira. Aluno de Stockhausen, começou suas composições de destaque ao lado dos poetas concretos (Haroldo e Augusto de Campos, Décio Pignatari), partindo do movimento serialista para construir uma identidade própria, pervertendo a música clássica com elementos estranhos a ela (como a própria eletrônica, a performance teatral ou as construções aleatórias) e ganhando gigantesco respeito por quem acompanha o mundo da música de alto repertório". Eu mesma tive a oportunidade a assistir à uma de suas apresentações. Vi a execução da obra 'Santos Footbal Music', que depende da interação da plateia para transformar a câmara em um estádio de futebol. Mendes era um cara simples, desses que não se deslumbram com o reconhecimento que teve. Faleceu no primeiro dia do ano em 2016, aos 93 anos.
