Sinopse: O jovem Jakie Rabinowitz (Al Jolson), desafiando as tradições de sua família judia, canta canções populares da época numa casa de diversões norte-americana. Punido por seu pai, um cantor litúrgico da sinagoga que queria ver o filho seguir seus passos, Jakie foge de casa. Anos depois se torna um cantor de jazz de sucesso, mas sempre em conflito com as relações com sua família e com sua herança cultural.
Comentário: Alan Crosland (1894-1936) foi um cineasta americano. Ativo principalmente nos anos 1920, Crosland transitou entre o cinema mudo e o sonoro, sendo um dos diretores que ajudaram a viabilizar essa transição tecnológica. "O Cantor de Jazz" (1927) é o primeiro filme que vejo dele. O filme marcou a consolidação do cinema falado em Hollywood.
"O Cantor de Jazz" é considerado o primeiro filme falado. Na verdade, para ser mais específica, é o primeiro de grande duração com falas e canto sincronizado com disco de acetato. A partir dele, os filmes mudos passaram a ser totalmente substituídos pelos filmes falados que se tornaram a grande novidade.
Al Jolson, famoso cantor de jazz da época, foi o ator principal e o primeiro a falar e cantar num filme, com sua voz gravada em banda sonora sincronizada. Até então, a fala e o canto no cinema até já existiam, mas funcionavam com atores e atrizes cantando escondidos atrás da tela como se fossem dubladores, e muitos pianistas ficavam improvisando enquanto a projeção seguia.
Por isto, "O Cantor de Jazz" é considerado o primeiro filme onde o som estava gravado, mesmo que separadamente, tocando em um disco de acetato enquanto o filme era projetado.
O filme foi produzido pela Warner Bros. com o sistema sonoro Vitaphone.
Foi um dos primeiros filmes a ganhar o Oscar, dividindo a premiação especial com "O Circo", de Charlie Chaplin. A história é baseada numa peça da Broadway de mesmo nome.
O que eu achei: Trata-se de um filme cuja importância histórica supera em muito suas qualidades propriamente cinematográficas. Visto hoje, ele chega a ser irregular, por vezes datado, mas absolutamente central para entender um momento de virada na história do cinema. Seu valor reside menos no drama encenado e mais no fato de inaugurar, de maneira decisiva, a transição do cinema mudo para o cinema falado. Narrativamente, trata-se de um melodrama bastante convencional, com conflitos familiares previsíveis e personagens pouco aprofundados. A encenação ainda carrega muitos traços do cinema mudo, enquanto o som surge de forma pontual e quase experimental, restrito a algumas canções e falas isoladas. Isso cria um filme híbrido, que parece sempre dividido entre dois mundos: o da expressividade silenciosa e o da novidade tecnológica, ainda engessada e pouco fluida. Ainda assim, "O Cantor de Jazz" (1927) vale muito a pena pela curiosidade histórica. Assistir ao filme é testemunhar o instante em que o cinema muda de linguagem diante dos nossos olhos, com todos os seus tropeços e limitações. Não é uma obra que se sustente plenamente como experiência estética contemporânea, mas como documento de transição ela é insubstituível: um marco que ajuda a entender por que o cinema nunca mais seria o mesmo depois de 1927.
