Sinopse: Um projeto militar ultrassecreto contrata os melhores estudantes universitários para criar uma super célula alterada geneticamente, a gammasphere. O grupo é liderado por um prepotente cientista (Nick Nolte), acompanhado de perto pela bela Betty Ross (Jennifer Connelly). Tudo transcorre calmamente, até que ocorre um erro com o experimento e Bruce Banner (Eric Bana), o filho do cientista, é contaminado pela gammasphere. Após o contágio, o rapaz passa a se transformar em uma estranha criatura, o Hulk, uma manifestação de seus demônios internos. Dotado de um força extraordinária, o mutante pode ser encarado como uma ameaça ou como um novo herói para a sociedade.
Comentário: Ang Lee é um cineasta, produtor e roteirista taiwanês radicado nos Estados Unidos. "Hulk" (2003) é o primeiro filme que vejo dele.
Hulk é um dos personagens da Marvel mais conhecidos das histórias em quadrinhos. Foi o super-herói da segunda série de histórias criada por Jack Kirby e Stan Lee, em 1962, dando continuidade à revolução dos quadrinhos iniciada com o Quarteto Fantástico.
Neste filme, há um embate entre o belicismo estúpido, autoritário e negligente com seus deveres do poder constituído (o pai de Betty Ross, alta patente da Segurança Nacional americana) e o cientista louco que procura uma fórmula para criar uma máquina de guerra perfeita, poderosa e sem comparação (o pai de Hulk). Nesta batalha está o mundo dos filhos: um mundo triste, que precisa ser reconstruído contra o poder dos capitalistas e do estado bélico – Bruce e Betty, ex-namorados, recusam-se a trabalhar numa grande empresa que lhes oferece um salário dez vezes maior porque acreditam que fazem ciência para o bem da humanidade.
O que eu achei: "Hulk" (2003) é uma tentativa curiosa de conciliar o universo dos super-heróis com uma abordagem mais introspectiva e autoral. Baseado no personagem da Marvel Comics, o filme se afasta do tom mais leve e aventuresco comum ao gênero e investe em um drama psicológico centrado em Bruce Banner. Interpretado por Eric Bana, o protagonista é retratado como um homem marcado por traumas de infância e conflitos internos, o que transforma sua condição em algo mais simbólico do que simplesmente espetacular. Ang Lee busca explorar a dualidade do personagem e suas origens emocionais, apostando em uma narrativa que, em vários momentos, prioriza o desenvolvimento dramático em detrimento da ação. Essa escolha, no entanto, pode afastar quem espera um filme mais dinâmico. O ritmo é irregular e a história demora a engrenar, especialmente na primeira metade. Quando as sequências de ação finalmente ganham espaço, elas vêm acompanhadas de um uso intenso de efeitos digitais que, hoje, soam datados. Visualmente, o diretor tenta inovar com enquadramentos inspirados em quadrinhos, dividindo a tela e criando transições pouco convencionais. Embora interessante como proposta, o recurso nem sempre funciona e por vezes quebra a imersão. Para quem, como eu, não tem tanto interesse em filmes de super-heróis, "Hulk" acaba sendo uma experiência mediana. Há uma tentativa legítima de fazer algo diferente dentro do gênero, mas o resultado não se sustenta plenamente, ficando em um meio-termo entre o blockbuster e o estudo de personagem, sem se destacar totalmente em nenhum dos dois.
