Sinopse: Victor Frankenstein (Kenneth Branagh) é um estudante de medicina determinado a ganhar poder sobre a vida e a morte. Ele cria um ser vivo (Robert De Niro) a partir de partes de cadáveres, mas o medo e o espanto ante seu próprio feito o levam a rejeitar a criatura a quem deu origem. Abandonada e atordoada, a criatura acaba tornando-se o algoz de seu criador.
Comentário: Mais uma versão da clássica história do monstro Frankenstein, escrita por Mary Shelley. O título "Frankenstein de Mary Shelley" foi assim escolhido em função dos direitos autorais pertencerem à Universal, que não cedeu o título "Frankenstein", mas também por ser uma das mais fiéis adaptações da história original. Isto não quer dizer que o diretor Branagh tenha ignorado a longa trajetória da criatura no cinema pois é fácil detectar, em vários momentos, referências óbvias ao clássico de 1931 ou mesmo ao "A Noiva de Frankenstein" de 1935. Ator de formação shakespeareana Branagh adota um tom teatral na forma com que orquestra a narrativa, pontuando vários momentos dramáticos com trovões e relâmpagos e levando seus atores a declamar os diálogos de Shelley. Mas o principal aspecto reside em sua discussão moral que pode ser resumida em uma única pergunta: quem é, afinal, o “monstro” da história: a criatura sem nome ou o homem que a concebeu? Ou ainda a própria humanidade, que aqui é sempre retratada como uma turba violenta e irracional disposta ao linchamento e a expulsar aqueles a quem julga estranhos? Para Branagh, parece não haver dúvidas: embora inicialmente retrate seu personagem como um indivíduo com inabalável curiosidade científica, logo passamos a perceber a natureza egoísta e inconsequente de Victor Frankenstein – e, neste sentido, até mesmo o imenso ego de seu intérprete (que ganha asas graças ao fato dele também ser o diretor) ajuda a compor o protagonista como um sujeito vaidoso e arrogante.
