16.8.10

"Que Viva México!" - Sergei Eisenstein (México/URSS, 1932)

Sinopse: O filme é subdividido em quatro episódios, mais um prólogo e um epílogo. O prólogo apresenta imagens alegóricas do México pré-hispânico. O episódio "Sandunga" recria os preparativos de uma boda indígena em Tehuantepec. "Fiesta" aborda o ritual da "fiesta brava", enquanto "Maguey" encena a tragédia de um camponês vitimado por se rebelar contra o seu patrão. "Soldadera" (episódio não filmado) apresentaria o sacrifício de uma mulher revolucionária. O epílogo, também conhecido como "Dia de Mortos", refere-se ao sincretismo das diversas visões que coexistem no México sob o tema da morte.
Comentário: Trata-se de um projeto cinematográfico não terminado do cineasta vanguardista Sergei Eisenstein, sobre a cultura do México da época pré-hispânica até à revolução mexicana. Tudo começou em 1927, quando o cineasta teve a oportunidade de encontrar o muralista mexicano Diego Rivera, que estava de visita a Moscou para as celebrações do décimo aniversário da Revolução Russa de 1917. Rivera tinha visto o filme mais conhecido de Eisenstein, "O Encouraçado Potemkin", e louvara-o ao compará-lo ao seu próprio trabalho como muralista ao serviço da revolução mexicana. Além disso, Rivera falou obsessivamente da herança artística mexicana, descrevendo as maravilhas da arte e arquitetura dos antigos Astecas e Maias e essa foi a semente para o interesse naquele país. Eisenstein chegou ao México em dezembro de 1930, patrocinado por Upton Sinclair e pela sua esposa Mary Kimbrough Sinclair. Em 1933, preocupado pela ingerência do sobrinho da Sra. Sinclair, pediu aos Sinclair mais fundos, mas foram-lhe recusados. Esgotando-se o visto do passaporte, ele se viu obrigado a regressar à União Soviética enquanto os Sinclairs receberam o filme em Los Angeles. O material original nunca foi montado. O material filmado foi reconstruído por outros. Em 1979 Grigori Aleksandrov, a partir dos storyboards originais de Eisenstein, compilou uma aproximação à montagem que Eisenstein planejara. A produção hoje é descrita como o maior projeto de filme e a maior tragédia pessoal do cineasta. Apenas para cinéfilos.