
Comentário: Richard Fleischer (1916-2006) foi um cineasta norte-americano. Seu pai era Max Fleischer, também cineasta e criador de séries de desenhos animados. Estudou arte dramática e dirigiu o grupo teatral "Arena Players" entre 1937 e 1940. Iniciou-se no cinema a partir de 1940 com numerosos documentários para a RKO, recebendo o Oscar de Melhor Documentário pelo filme “Design for Death” (1947). Assisti dele o ótimo “Viagem Fantástica” (1966). Desta vez vou conferir “20.000 Léguas Submarinas” (1954).
O site português A Janela Encantada publicou: “Para muitos o pai da ficção científica foi o visionário escritor francês Jules Verne. Autor de uma prodigiosa imaginação, Verne ficou célebre pelos romances de aventuras com que espantou os seus leitores do século XIX, falando de feitos prodigiosos, e viagens incríveis que empurravam o homem para onde nunca tinha ido. Exemplo disso são as viagens à lua, ao centro da terra, à volta do mundo em 80 dias, aos polos e, claro, a aventura submarina do Capitão Nemo e do submersível Nautilus.
Definindo desde logo o que é importante na ficção científica, Verne falava de desafios então tidos como impossíveis (alguns já concretizados), e das consequências que eles trariam ao pensamento e comportamento humano. Surge nessa série [de livros] um dos seus mais curiosos personagens, o Capitão Nemo, um homem amargurado pelos crimes da humanidade, que resolve tomar a lei nas suas mãos, como um tirano ou um deus de um outro mundo (o subaquático), onde se comporta, ora com benevolência e sabedoria, ora com crueldade.
Este negrume [escuridão das profundezas do oceano] é reciclado pela Walt Disney na sua superprodução natalícia de 1954, realizada por Richard Fleischer. Fazendo pleno uso das técnicas então em voga, a cor da Technicolor, e a tela alargada do Cinemascope, o próprio Walt Disney produziu este filme marcado pela grandiosidade da aventura, pelos efeitos especiais revolucionários (o filme ganharia o Oscar desse ano nesta categoria), e pela espetacularidade das imagens subaquáticas. Destaca-se ainda o original decòr, com um submarino que faria história, e toda uma decoração marcante, em arte deco, que seria aliás responsável pelo Oscar de direção artística que o filme também receberia.
Filmado usando, sempre que possível, cenários naturais, o filme levou a equipe de várias centenas de pessoas a vários locais do Caribe. Embora mantendo a atmosfera negra que rodeava a figura de Nemo (interpretado com segurança por James Mason), o filme tem sempre um lado aventureiro, muito querido a Disney, e representado principalmente pela interação de tons cómicos entre os personagens de Kirk Douglas e Peter Lorre. Não falta por isso um início que lembra um western, várias cenas de ação, o humor conseguido com uma foca, e até alguns momentos musicais, com Kirk Douglas a cantar.
Apesar das concessões feitas ao imaginário (e público pretendido) da Disney, ‘20.000 Léguas Submarinas’ não deixa de ser uma muito boa adaptação do romance de Verne, mantendo-se fiel em espírito, quer pelo lado de aventura, quer pelo desafio lançado pelas conquistas científicas sugeridas por um homem em colisão com o resto da humanidade.
O filme foi a terceira adaptação para cinema do romance Júlio de Verne, depois das versões mudas ‘20.000 Lieues Sous Les Mers’ (1907) de Georges Méliès e de ‘20,000 Leagues Under the Sea’ (1916) de Stuart Paton. Além destas houve já várias versões para televisão (...).
‘20000 Léguas Submarinas’ de Richard Fleischer foi o primeiro filme de ficção científica da Walt Disney Productions, o primeiro longa-metragem da Disney distribuído pela Buena Vista Distribution, e um dos primeiros filmes de não animação da companhia. Foi também um enorme sucesso de bilheteira em 1954, permanecendo até hoje como a mais popular versão cinematográfica da obra do escritor francês”.
O que disse a crítica 1: Luiz Santiago do site Plano Crítico avaliou com 3,5 estrelas, ou seja, muito bom. Disse: “Com esperados momentos musicais - alguns orgânicos na trama, outros nem tanto -, uma hilária foquinha e uma relação muito boa entre Kirk Douglas e Peter Lorre em cena, ‘20.000 Léguas Submarinas’ encanta pelas imagens e diverte, mas não é um filme de roteiro fechadinho e personagens ou temática perfeitamente construídas. Mesmo assim, seu saldo final é muito positivo e com toda a certeza vale a sessão”.
O que disse a crítica 2: Thomas Boeira do site Papo de Cinema avaliou com 4 estrelas, ou seja, ótimo. Escreveu: “Funcionando como entretenimento, sem para isso sacrificar os temas mais sérios que ajudaram o livro de Jules Verne a ser tão marcante, ‘20.000 Léguas Submarinas’ enfatiza as palavras de seu Capitão Nemo, ‘Há esperança para o futuro’, indicando que seus conhecimentos talvez sejam compartilhados quando estivermos prontos. Mas considerando que ainda nutrimos certo gosto pela autodestruição e pelo ódio, fica a pergunta: estaremos prontos algum dia?”
O que eu achei: Trata-se de uma adaptação do livro “20.000 Léguas Submarinas”, escrito pelo francês Jules Verne em 1870. Conta a viagem do misterioso submarino Nautilus, comandado por Nemo, um engenheiro, cientista e inventor, amargurado e misterioso. Ele renegou a sociedade terrestre para viver em total isolamento nos oceanos, construindo o Nautilus em segredo. Ao mesmo tempo em que demonstra um intelecto brilhante e paixão pelas artes e ciências, Nemo é movido por um desejo implacável de vingança contra o imperialismo e as nações que tiraram dele sua família e sua liberdade. Vão juntar-se a ele na viagem, três outros personagens: o Professor Pierre Aronnax, um naturalista e biólogo marinho francês; Conselho, seu fiel e dedicado assistente; e Ned Land, um destemido e impulsivo arpoador canadense. O trio estava a bordo de um navio quando viu o submarino e o atacou, acreditando ser um terrível monstro marinho. Como o submarino revidou o ataque, o navio afundou e o trio acabou a bordo do Nautilus, tornando-se prisioneiros e, ao mesmo tempo, testemunhas das maravilhas e perigos do mundo subaquático de Nemo. O elenco é liderado por James Mason, Kirk Douglas, Paul Lukas e Peter Lorre, quatro atores aclamados, que dão conta de deixar a história ainda mais interessante. O resultado é um filme daqueles bem despreocupados, ótimo pra assistir num feriado ou domingo à tarde com a família. Em comparação com o livro que tive oportunidade de ler na pré-adolescência, no geral, o filme mantém a premissa básica, mas o roteiro de Earl Felton estruturou a trama quase como uma história de ‘fuga de prisão’ do trio, dando mais ritmo cinematográfico do que o livro, que é mais episódico e contemplativo. Ele é considerado o primeiro grande blockbuster em live-action produzido inteiramente nos estúdios da Disney nos Estados Unidos, além de ter sido o pioneiro do estúdio no formato CinemaScope. Essa superprodução marcou um ponto de virada para a empresa, provando que Walt Disney poderia rivalizar com os maiores estúdios de Hollywood em filmes com personagens de carne e osso, e não apenas em animações. O design icônico do submarino Nautilus, com visual vitoriano/industrial, foi concebido por Harper Goff. Excelente para ver lindas paisagens submarinas e esfriar a cabeça.
O site português A Janela Encantada publicou: “Para muitos o pai da ficção científica foi o visionário escritor francês Jules Verne. Autor de uma prodigiosa imaginação, Verne ficou célebre pelos romances de aventuras com que espantou os seus leitores do século XIX, falando de feitos prodigiosos, e viagens incríveis que empurravam o homem para onde nunca tinha ido. Exemplo disso são as viagens à lua, ao centro da terra, à volta do mundo em 80 dias, aos polos e, claro, a aventura submarina do Capitão Nemo e do submersível Nautilus.
Definindo desde logo o que é importante na ficção científica, Verne falava de desafios então tidos como impossíveis (alguns já concretizados), e das consequências que eles trariam ao pensamento e comportamento humano. Surge nessa série [de livros] um dos seus mais curiosos personagens, o Capitão Nemo, um homem amargurado pelos crimes da humanidade, que resolve tomar a lei nas suas mãos, como um tirano ou um deus de um outro mundo (o subaquático), onde se comporta, ora com benevolência e sabedoria, ora com crueldade.
Este negrume [escuridão das profundezas do oceano] é reciclado pela Walt Disney na sua superprodução natalícia de 1954, realizada por Richard Fleischer. Fazendo pleno uso das técnicas então em voga, a cor da Technicolor, e a tela alargada do Cinemascope, o próprio Walt Disney produziu este filme marcado pela grandiosidade da aventura, pelos efeitos especiais revolucionários (o filme ganharia o Oscar desse ano nesta categoria), e pela espetacularidade das imagens subaquáticas. Destaca-se ainda o original decòr, com um submarino que faria história, e toda uma decoração marcante, em arte deco, que seria aliás responsável pelo Oscar de direção artística que o filme também receberia.
Filmado usando, sempre que possível, cenários naturais, o filme levou a equipe de várias centenas de pessoas a vários locais do Caribe. Embora mantendo a atmosfera negra que rodeava a figura de Nemo (interpretado com segurança por James Mason), o filme tem sempre um lado aventureiro, muito querido a Disney, e representado principalmente pela interação de tons cómicos entre os personagens de Kirk Douglas e Peter Lorre. Não falta por isso um início que lembra um western, várias cenas de ação, o humor conseguido com uma foca, e até alguns momentos musicais, com Kirk Douglas a cantar.
Apesar das concessões feitas ao imaginário (e público pretendido) da Disney, ‘20.000 Léguas Submarinas’ não deixa de ser uma muito boa adaptação do romance de Verne, mantendo-se fiel em espírito, quer pelo lado de aventura, quer pelo desafio lançado pelas conquistas científicas sugeridas por um homem em colisão com o resto da humanidade.
O filme foi a terceira adaptação para cinema do romance Júlio de Verne, depois das versões mudas ‘20.000 Lieues Sous Les Mers’ (1907) de Georges Méliès e de ‘20,000 Leagues Under the Sea’ (1916) de Stuart Paton. Além destas houve já várias versões para televisão (...).
‘20000 Léguas Submarinas’ de Richard Fleischer foi o primeiro filme de ficção científica da Walt Disney Productions, o primeiro longa-metragem da Disney distribuído pela Buena Vista Distribution, e um dos primeiros filmes de não animação da companhia. Foi também um enorme sucesso de bilheteira em 1954, permanecendo até hoje como a mais popular versão cinematográfica da obra do escritor francês”.
O que disse a crítica 1: Luiz Santiago do site Plano Crítico avaliou com 3,5 estrelas, ou seja, muito bom. Disse: “Com esperados momentos musicais - alguns orgânicos na trama, outros nem tanto -, uma hilária foquinha e uma relação muito boa entre Kirk Douglas e Peter Lorre em cena, ‘20.000 Léguas Submarinas’ encanta pelas imagens e diverte, mas não é um filme de roteiro fechadinho e personagens ou temática perfeitamente construídas. Mesmo assim, seu saldo final é muito positivo e com toda a certeza vale a sessão”.
O que disse a crítica 2: Thomas Boeira do site Papo de Cinema avaliou com 4 estrelas, ou seja, ótimo. Escreveu: “Funcionando como entretenimento, sem para isso sacrificar os temas mais sérios que ajudaram o livro de Jules Verne a ser tão marcante, ‘20.000 Léguas Submarinas’ enfatiza as palavras de seu Capitão Nemo, ‘Há esperança para o futuro’, indicando que seus conhecimentos talvez sejam compartilhados quando estivermos prontos. Mas considerando que ainda nutrimos certo gosto pela autodestruição e pelo ódio, fica a pergunta: estaremos prontos algum dia?”
O que eu achei: Trata-se de uma adaptação do livro “20.000 Léguas Submarinas”, escrito pelo francês Jules Verne em 1870. Conta a viagem do misterioso submarino Nautilus, comandado por Nemo, um engenheiro, cientista e inventor, amargurado e misterioso. Ele renegou a sociedade terrestre para viver em total isolamento nos oceanos, construindo o Nautilus em segredo. Ao mesmo tempo em que demonstra um intelecto brilhante e paixão pelas artes e ciências, Nemo é movido por um desejo implacável de vingança contra o imperialismo e as nações que tiraram dele sua família e sua liberdade. Vão juntar-se a ele na viagem, três outros personagens: o Professor Pierre Aronnax, um naturalista e biólogo marinho francês; Conselho, seu fiel e dedicado assistente; e Ned Land, um destemido e impulsivo arpoador canadense. O trio estava a bordo de um navio quando viu o submarino e o atacou, acreditando ser um terrível monstro marinho. Como o submarino revidou o ataque, o navio afundou e o trio acabou a bordo do Nautilus, tornando-se prisioneiros e, ao mesmo tempo, testemunhas das maravilhas e perigos do mundo subaquático de Nemo. O elenco é liderado por James Mason, Kirk Douglas, Paul Lukas e Peter Lorre, quatro atores aclamados, que dão conta de deixar a história ainda mais interessante. O resultado é um filme daqueles bem despreocupados, ótimo pra assistir num feriado ou domingo à tarde com a família. Em comparação com o livro que tive oportunidade de ler na pré-adolescência, no geral, o filme mantém a premissa básica, mas o roteiro de Earl Felton estruturou a trama quase como uma história de ‘fuga de prisão’ do trio, dando mais ritmo cinematográfico do que o livro, que é mais episódico e contemplativo. Ele é considerado o primeiro grande blockbuster em live-action produzido inteiramente nos estúdios da Disney nos Estados Unidos, além de ter sido o pioneiro do estúdio no formato CinemaScope. Essa superprodução marcou um ponto de virada para a empresa, provando que Walt Disney poderia rivalizar com os maiores estúdios de Hollywood em filmes com personagens de carne e osso, e não apenas em animações. O design icônico do submarino Nautilus, com visual vitoriano/industrial, foi concebido por Harper Goff. Excelente para ver lindas paisagens submarinas e esfriar a cabeça.