31.10.26

“Save the Children” - Stan Lathan (EUA, 1973)

Sinopse: Documentário que mostra um festival musical beneficente de cinco dias que aconteceu em Chicago em 1972. O evento foi organizado pela Operation PUSH, liderada pelo reverendo Jesse Jackson, e reuniu artistas de grandes gravadoras de música negra, como Motown, Stax e Atlantic Records.
Comentário: Trata-se de um documentário musical que registra um importante encontro da música e da cultura afro-americana realizado em Chicago, entre 27 de setembro e 1º de outubro de 1972. O evento, chamado PUSH Expo, foi organizado pela Operation PUSH (People United to Save Humanity), entidade fundada e liderada pelo reverendo Jesse Jackson, que atuava na defesa dos direitos da população negra e na promoção de oportunidades sociais e econômicas para essa comunidade. Com o lema “Save the Children” (Salvem as Crianças), a iniciativa tinha como principal preocupação o futuro dos jovens negros, em um período marcado por desigualdades raciais e tensões sociais nos Estados Unidos.
O filme reúne apresentações de alguns dos grandes nomes da música negra norte-americana, abrangendo diferentes gêneros, como soul, gospel, jazz, blues e funk. Entre os artistas registrados estão Marvin Gaye, Roberta Flack, Bill Withers, Isaac Hayes, Curtis Mayfield, Gladys Knight, Wilson Pickett, Sammy Davis Jr., The Temptations, The Staple Singers e Jackson 5, com destaque para o ainda muito jovem Michael Jackson. As apresentações musicais são intercaladas com imagens da vida cotidiana da população negra de Chicago, cenas de bairros, atividades comunitárias, manifestações culturais e registros da própria exposição, que também reunia artistas, empresários e representantes de diferentes setores da comunidade afro-americana. O documentário inclui ainda momentos religiosos e manifestações de caráter social, reforçando a proposta de mobilização e valorização cultural que orientava o encontro.
Embora tenha sido filmado durante o evento de 1972, o longa-metragem foi lançado originalmente em setembro de 1973. Depois de uma circulação bastante limitada nos cinemas, acabou praticamente desaparecendo, permanecendo por décadas sem uma distribuição comercial significativa ou lançamento oficial em vídeo doméstico. Seu resgate ocorreu muitos anos depois, quando o diretor Stan Lathan e outros envolvidos no projeto trabalharam para recuperar o material original. A restauração digital, concluída em 2023, recuperou a imagem e o som, preservando o conteúdo e a montagem originais, sem alterações nas apresentações ou no sentido histórico do registro. A nova versão foi lançada internacionalmente em 2024.
O que eu achei: “Save the Children” (1973) é um registro musical e histórico que merece ser resgatado do esquecimento. Realizado em 1973, a partir de um grande encontro cultural promovido em Chicago no ano anterior, o filme reúne alguns dos mais importantes nomes da música afro-americana em apresentações que vão do soul ao gospel, passando pelo blues, funk e jazz. O elenco musical é de primeira: Marvin Gaye, Roberta Flack, Bill Withers, Isaac Hayes, Curtis Mayfield, Gladys Knight, Wilson Pickett, The Temptations, The Staple Singers, Jackson 5 e muitos outros. É uma oportunidade de rever artistas em plena atividade, alguns deles em momentos particularmente especiais de suas carreiras. Chama a atenção também o jovem Michael Jackson, que já demonstrava o talento e a presença de palco que o tornariam um dos maiores nomes da música mundial. Mas o filme não se limita a reunir grandes apresentações. Entre os números musicais, aparecem imagens da população negra de Chicago, de suas manifestações culturais, de atividades comunitárias e de discursos que ressaltam a importância da educação, da igualdade de oportunidades e da valorização da identidade afro-americana. O evento, organizado pela entidade Operation PUSH, liderada por Jesse Jackson, tinha justamente o propósito de mobilizar a comunidade em torno dessas questões. Gostei muito do que vi. Além da qualidade e da diversidade das apresentações, há algo particularmente interessante em observar artistas tão importantes reunidos em um mesmo acontecimento, compartilhando um momento histórico e cultural. O filme permite também perceber a força da música como instrumento de expressão, identidade e mobilização social. A restauração digital, realizada décadas depois de sua produção, devolve ao público um documento que poderia ter permanecido esquecido. A recuperação da imagem e do som permite apreciar melhor as apresentações e preservar um registro de grande valor para a história da música e da cultura afro-americana. É show, é retrato de época, de uma comunidade e de artistas que ajudaram a transformar a música popular do século XX. Muito bom.