12.9.26

“Orion e o Escuro” – Sean Charmatz (França/EUA, 2024)

Sinopse:
Com uma imaginação fértil, um garoto encara seus medos em uma jornada inesquecível pela noite ao lado do novo amigo Escuro, uma criatura gigante e sorridente.
Comentário: Mattheus Goto da Revista Veja publicou: “’Orion e o Escuro’ (...) não é um filme só para crianças. A nova animação da DreamWorks surpreende ao gerar reflexões profundas. Orion é um menino solitário que sente muito medo de muitas coisas.
Apesar das aflições causadas por esse traço, ele vive sua vida como estudante de Ensino Fundamental, até a aparição de um ‘monstro’ chamado Escuro, que é justamente a personificação de seu maior medo. A criatura sombria gigante chega para tentar mostrar ao garoto que a escuridão pode ser divertida, o que pode ser percebido logo de cara por seu carisma.
Para isso, ele leva Orion para uma aventura em seu universo para conhecer outras entidades da noite e do dia, como Insônia, o Sonho e a Luz. A forma como elas são apresentadas lembra muito ‘Divertidamente’ (2015), da Pixar (...), mas a inspiração do longa da DreamWorks é o livro homônimo de 2014 de Emma Yarlett.
A jornada, repleta de elementos fantásticos, vira uma verdadeira aula sobre a vida. Os dilemas do cotidiano são explicados de forma didática para os pequenos - e, para os adultos, proporcionam um novo olhar para questões naturalizadas ou pequenos detalhes do dia a dia. É, sem dúvidas, uma boa opção para assistir e se divertir em família”.
Vale salientar que o roteiro foi escrito pelo Charlie Kaufman (1958). São dele os roteiros dos filmes “Como Ser John Malkocich” (1999), “Natureza Humana” (2001), “Adaptação” (2002), “Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças” (2004), e outros. Como diretor ele assina “Sinédoque, Nova York” (2008), a animação “Anomalisa” (2015) e “Estou Pensando em Acabar com Tudo” (2000).
O que disse a crítica 1: Ritter Fan do Plano Crítico avaliou com 2,5 estrelas, ou seja, regular Disse: “O retorno de Charlie Kaufman a um longa animado, mesmo que mais infantil, tinha tudo para dar certo, mas a chama da criatividade do roteirista demora a acender, ainda que ele certamente não seja o único culpado aqui. Mesmo que seja louvável ‘esconder o jogo’ narrativo, de certa maneira invertendo a lógica tradicional da própria natureza da obra, faltaram atrativos para laçar de verdade o espectador e fazê-lo mergulhar no mundo criado. E isso é frustrante, pois ‘Orion e o Escuro’ tinha potencial, mas acaba ali na incômoda fronteira entre o genérico simpático e o ousado diferente, ou, mais apropriadamente, apenas no famoso lusco-fusco cinematográfico”.
O que disse a crítica 2: Raphael Camacho do Cine POP avaliou com 4 estrelas, ou seja, excelente. Escreveu: “Dedicado ao público infanto-juvenil, por aqui também há espaço para os adultos conseguirem tirar lições. As surpresas do roteiro, que traz um choque de linhas temporais surpreendente, formando um dinamismo fundamental para alimentar o fôlego criativo, esbarram num existencialismo em busca de um real sentido da vida. A fórmula dá muito certo, liga o terror do desconhecido às novas maneiras de enxergar um conflito”.
O que eu achei: Trata-se de uma adaptação do livro infantil homônimo da escritora e ilustradora britânica Emma Yarlett. Meu interesse aqui foi por conta do roteiro ter sido escrito por Charlie Kaufman, um grande nome no cinema, conhecido por suas histórias excêntricas e premiadas. Só que desta vez não deu muito certo. A premissa principal é a seguinte: Orion é um menino que tem medo de várias coisas, especialmente do escuro. Um dia, o Escuro ganha vida, pega Orion pela mão e o leva para mostrar que a noite não é assustadora, mas sim mágica e cheia de sons e sombras interessantes. Eles ficam amigos, o medo de Orion diminui e ele consegue dormir. Enquanto o livro se atém a essa trama básica, o filme é cheio de subtramas complexas. Há a inclusão de outros elementos da natureza (como a Insônia, o Sono, os Barulhos Inexplicáveis, Bons Sonhos e Silêncio), uma mistura confusa de tempos (Orion é um menino, mas ao mesmo tempo é um adulto contando a história para sua filha) e, no terço final, o filme junta Orion criança com sua filha também criança e, para completar, finaliza com a filha já crescida contando a história para o neto de Orion. Essa estrutura se torna tão complexa que quebra completamente a ilusão e o ritmo para o público infantil. A decisão de fazer a filha entrar na história do pai para salvá-lo cria uma confusão de linhas temporais difícil de engolir. Em vez de focar no menino superando o medo do escuro de forma simples, o filme gasta muito tempo resolvendo crises existenciais do próprio ‘Escuro’ e brigas entre os elementos da natureza. O filme sofre de uma crise de identidade: é complexo demais para as crianças e bobo demais para os adultos. No final das contas, o desenho perde a mão ao tentar ser ‘inteligente’ e esquece que a beleza da história original estava justamente na sua simplicidade e no acolhimento. Dá para ver, mas não espere nenhuma grande obra.