
Comentário: Alain Resnais (1922-2014) foi um realizador, roteirista e montador francês. Ele dirigiu diversos filmes ao longo da vida, dentre eles "O Ano Passado em Marienbad" (1961) e "Medos Privados em Lugares Públicos" (2007), dentre outros. Assisti dele o bom "Amar, Beber e Cantar" (2014) e os curiosos “Hiroshima, Meu Amor” (1959) e "Meu Tio da América" (1980). Desta vez vou conferir o documentário “Noite e Neblina” (1956).
João Lanari Bo do site Vertentes do Cinema publicou: “’Noite e Neblina’, média metragem (32 min) realizado por Alain Resnais em 1956, é um marco na cinematografia sobre o Holocausto. O filósofo Theodor Adorno dizia que escrever poesia após Auschwitz é um ato bárbaro, pois a arte corre o risco de se tornar mero ornamento ou de silenciar o horror. Quando o filme foi feito, uma década após o fim da guerra e a descoberta dos campos, a memória era recente, embora o trauma histórico, diante de uma tal violência, parecesse recalcado, reprimido em algum lugar do inconsciente coletivo. Hoje, em que muitos insistem em negar o Holocausto, mais do que nunca o documentário de Resnais permanece atual e emocionalmente potente.
Conhecimento e a memória mudam com o tempo – essa é uma das preocupações temáticas de Resnais, neste e outros trabalhos. Mudam também países e pessoas, e o Estado de Israel, criado por meio de votação na ONU logo após a 2ª guerra – voto influenciado, entre outros aspectos, pelo Holocausto – empreende hoje uma ação sistemática de aniquilamento da população palestina em Gaza.
O projeto de ‘Noite e Neblina’ surgiu a partir de uma exposição no Instituto Pedagógico Nacional francês, em 1954. Olga Wormser e Henri Michel, os organizadores, convidaram o produtor Anatole Dauman, que aderiu à ideia do filme e chamou Alain Resnais para ser o diretor. Inicialmente, ele recusou: achava que sua falta de experiência direta nos campos de concentração tiraria qualquer índice de autenticidade. A saída foi integrar o poeta Jean Cayrol, sobrevivente do campo de Mauthausen, para escrever o texto. Cayrol, autor de ‘Poèmes de la Nuit et du Brouillard’, lançado em 1946, relutou a princípio – a ideia de revisitar essas experiências era dolorosa demais. Convenceu-o o amigo comum de ambos, Chris Marker.
A obsessão e destreza formal de Resnais certamente fazem com que o produto final tenha uma carga emocional única, seja em comparação a documentários convencionais, seja em relação a construções ficcionais. A narrativa do filme avança por meio de digressões, montadas com sutileza e precisão, acopladas a comentários dissonantes e quase irônicos, que captam a atenção da audiência. A confrontação entre passado e presente resulta que a pergunta final – Enfim, quem é o responsável? – pareça ser dirigida a qualquer espectador, no presente do lançamento do filme, como também em outras épocas. Resnais admitiu que a guerra na Argélia estava presente em seus pensamentos quando da produção em 1955, mas não seria a atual escalada hegemônica norte-americana do Presidente Trump também suscetível desse questionamento?
Henri Michel, um dos proponentes iniciais do projeto, terminou se distanciando do filme. Para ele, o ‘valor histórico’ de um filme de compilação se baseava na ‘autenticidade’ das imagens de arquivo e no rigor factual da narrativa, que deveria ser escrita por um historiador cuja competência e autoridade científica garantissem a ausência de quaisquer tendências ficcionais. O oposto do que imaginou Alain Resnais.
As sequências coloridas foram filmadas em 1955, Auschwitz e Majdanek, também campo de concentração, tiveram autorização e apoio do governo polonês. A narração, feita pelo ator Michel Bouquet, optou pela neutralidade, sem traços de emoção, de acordo com instruções do diretor. Cenas do passado, em preto e branco, foram editadas a partir de material de arquivo e fotografias coletadas em museus de campos de concentração.
A versão alemã de ‘Noite e Neblina’, obviamente um aspecto sensível, foi traduzida do francês pelo grande poeta Paul Celan, judeu que esteve internado nos campos nazistas. A tradução de Celan acentuou a identidade judaica das vítimas e a responsabilidade alemã de forma mais explícita que o original, usando seu estilo poético, mais hermético e opaco do que o texto de Cayrol.
Celan e Cayrol se conheceram quando o primeiro começou a traduzir o livro de poemas de Cayrol – embora possuíssem sensibilidades poéticas distintas, confluíram na percepção de que o fundamental seria transcender o aspecto histórico propriamente dito, e encontrar um modo de transmitir um ato que é, basicamente, inexprimível.
A recepção de documentário de Resnais foi intensa: ganhou o prestigiado Prêmio Jean Vigo em 1956, mas enfrentou resistências, inclusive tentativas de censura. O veterano crítico Jonathan Rosenbaum não tem dúvidas: para ele, ‘Noite e Neblina’ é o melhor filme já feito sobre os campos de concentração… ‘Shoah’ (1985), de Claude Lanzmann, deve tanto a este filme que jamais poderia ter sido concebido, muito menos realizado, sem o exemplo de Resnais. ‘A Lista de Schindler’, por seu turno, é uma caricatura perto do filme de Resnais”.
O que disse a crítica 1: Inácio Araujo da Folha SP avaliou com 4 estrelas, ou seja, ótimo. Disse: “Alain Resnais nos restitui nada menos que o Holocausto, com uma das montagens mais precisas do cinema moderno.
Daí nascer um filme desconcertante. À descrição minuciosa dos campos, com sua arquitetura, diversos departamentos, divisões sociais, clínicas e prisões - feitas a partir das ruínas preservadas dos campos de extermínio, dessas ruínas da morte -, intercalam-se as imagens que Godard um dia, e para sempre, definiu como pornográficas: as imagens dos prisioneiros, em filmes ou fotos, em seu caminho para a morte. Os cabelos ou óculos perdidos na rota para o cadafalso. A intercalação entre o presente (o de hoje ou qualquer outro) e a memória deixa o espectador em estado de perplexidade e impotência. Elas são signos do acontecido, do irreparável. Diante dessas imagens só podemos chorar e lembrar. Ou, antes, podemos chorar e não podemos deixar de lembrar. Elas servem para isso. Para a memória. Para que o intolerável não se repita. Para que alguns de nós, ao menos, nunca mais aceitem a ordem unida”.
O que disse a crítica 2: Luiz Santiago do site Plano Crítico avaliou com 5 estrelas, ou seja, obra-prima. Escreveu: “Acima de qualquer coisa, ‘Noite e Neblina’ é um filme para nos mostrar que aquilo que precedeu o Holocausto pode estar escondido em práticas e comportamentos de nosso momento político atual. A paz que alguns lugares vivem hoje pode fazer muitos se esquecerem de como ideias de segregação e superioridade são perigosas para a humanidade, e que não se deve flertar com elas, pois rapidamente farão apagar a memória de como essa grande máquina de extermínio começou a funcionar. E principalmente, como a ‘normalidade’, em seus problemas e felicidades cotidianas, tende a se esquecer de coisas que jamais deveriam ser esquecidas. Contundente e necessário, ‘Noite e Neblina’ é um documentário-lembrete. Uma viagem histórica e analítica por um período cujo espectro, queiramos ou não admitir, continua a nos rondar”.
O que eu achei: Trata-se de um documentário sobre o Holocausto com duração de 32 minutos que intercala imagens de arquivo em preto e branco - que mostram a ascensão do nazismo, a engrenagem do terror, o transporte dos prisioneiros e o horror brutal encontrado nos campos de concentração - com imagens coloridas e bucólicas dos campos vazios - como Auschwitz e Majdanek - uma década após o fim da guerra. A câmera se move lentamente pelo mato que cresceu e pelas ruínas abandonadas. Oras vemos imagens chocantes de 1933–1945 e oras vemos a quietude desses campos em 1955. Às imagens são acrescentados textos escritos pelo poeta e sobrevivente do campo de concentração Jean Cayrol, narrados pelo ator francês Michel Bouquet. Se hoje ver esse filme já é uma experiência dilacerante, o que dirá em 1956, quando ele foi lançado! O título do filme “Noite e Neblina” faz referência a um código secreto usado por Hitler que utilizava a sigla NN - 'Nacht und Nebel' em alemão – para identificar os prisioneiros políticos. Com isso, quando os guardas da SS vissem essa inscrição nas roupas de um prisioneiro, eles já sabiam tratar-se de um oponente da Alemanha nazista capturado secretamente, considerado de altíssima periculosidade para o regime e que deveria receber o tratamento mais severo possível. Essas pessoas não podiam ter seus nomes registrados em listas públicas. Elas deveriam ‘desaparecer na noite e na neblina’. É bastante interessante observar que a palavra ‘judeu’ só é usada uma única vez no filme. Ao invés dela usa-se a palavra ‘deportado’ já que o Holocausto e o sistema de campos de concentração foram projetados para exterminar qualquer grupo considerado indesejável. Não podemos esquecer que além dos 6 milhões de judeus, as vítimas incluíram prisioneiros políticos e membros da resistência (comunistas, socialistas, democratas e opositores de países ocupados como a França), ciganos (povos Roma e Sinti), testemunhas de Jeová (perseguidos por se recusarem a jurar lealdade a Hitler ou servir ao exército), homossexuais (presos sob leis de ‘indecência’), pessoas com deficiência (alvos do programa de eutanásia forçada que testou os primeiros métodos de extermínio por gás) e prisioneiros de guerra soviéticos. Com isso a declaração antigenocídio do curta acaba sendo mais abrangente, mostrando que o perigo do fascismo e da barbárie humana pode renascer em qualquer lugar, contra qualquer grupo, a qualquer momento. Há quem acredite que isso nunca mais vai se repetir, mas além do ressurgimento de grupos neonazistas, a comunidade internacional e organizações como a Genocide Watch monitoram outras crises onde há fortes evidências de práticas genocidas como a que Israel está fazendo em Gaza ou as que acontecem no Sudão, Mianmar (Rohingya), China (Uigures) e República Democrática do Congo. O filme se torna, então, atualíssimo, imprescindível, atemporal, difícil de ver, mas obrigatório pois toda a atenção é pouca.
João Lanari Bo do site Vertentes do Cinema publicou: “’Noite e Neblina’, média metragem (32 min) realizado por Alain Resnais em 1956, é um marco na cinematografia sobre o Holocausto. O filósofo Theodor Adorno dizia que escrever poesia após Auschwitz é um ato bárbaro, pois a arte corre o risco de se tornar mero ornamento ou de silenciar o horror. Quando o filme foi feito, uma década após o fim da guerra e a descoberta dos campos, a memória era recente, embora o trauma histórico, diante de uma tal violência, parecesse recalcado, reprimido em algum lugar do inconsciente coletivo. Hoje, em que muitos insistem em negar o Holocausto, mais do que nunca o documentário de Resnais permanece atual e emocionalmente potente.
Conhecimento e a memória mudam com o tempo – essa é uma das preocupações temáticas de Resnais, neste e outros trabalhos. Mudam também países e pessoas, e o Estado de Israel, criado por meio de votação na ONU logo após a 2ª guerra – voto influenciado, entre outros aspectos, pelo Holocausto – empreende hoje uma ação sistemática de aniquilamento da população palestina em Gaza.
O projeto de ‘Noite e Neblina’ surgiu a partir de uma exposição no Instituto Pedagógico Nacional francês, em 1954. Olga Wormser e Henri Michel, os organizadores, convidaram o produtor Anatole Dauman, que aderiu à ideia do filme e chamou Alain Resnais para ser o diretor. Inicialmente, ele recusou: achava que sua falta de experiência direta nos campos de concentração tiraria qualquer índice de autenticidade. A saída foi integrar o poeta Jean Cayrol, sobrevivente do campo de Mauthausen, para escrever o texto. Cayrol, autor de ‘Poèmes de la Nuit et du Brouillard’, lançado em 1946, relutou a princípio – a ideia de revisitar essas experiências era dolorosa demais. Convenceu-o o amigo comum de ambos, Chris Marker.
A obsessão e destreza formal de Resnais certamente fazem com que o produto final tenha uma carga emocional única, seja em comparação a documentários convencionais, seja em relação a construções ficcionais. A narrativa do filme avança por meio de digressões, montadas com sutileza e precisão, acopladas a comentários dissonantes e quase irônicos, que captam a atenção da audiência. A confrontação entre passado e presente resulta que a pergunta final – Enfim, quem é o responsável? – pareça ser dirigida a qualquer espectador, no presente do lançamento do filme, como também em outras épocas. Resnais admitiu que a guerra na Argélia estava presente em seus pensamentos quando da produção em 1955, mas não seria a atual escalada hegemônica norte-americana do Presidente Trump também suscetível desse questionamento?
Henri Michel, um dos proponentes iniciais do projeto, terminou se distanciando do filme. Para ele, o ‘valor histórico’ de um filme de compilação se baseava na ‘autenticidade’ das imagens de arquivo e no rigor factual da narrativa, que deveria ser escrita por um historiador cuja competência e autoridade científica garantissem a ausência de quaisquer tendências ficcionais. O oposto do que imaginou Alain Resnais.
As sequências coloridas foram filmadas em 1955, Auschwitz e Majdanek, também campo de concentração, tiveram autorização e apoio do governo polonês. A narração, feita pelo ator Michel Bouquet, optou pela neutralidade, sem traços de emoção, de acordo com instruções do diretor. Cenas do passado, em preto e branco, foram editadas a partir de material de arquivo e fotografias coletadas em museus de campos de concentração.
A versão alemã de ‘Noite e Neblina’, obviamente um aspecto sensível, foi traduzida do francês pelo grande poeta Paul Celan, judeu que esteve internado nos campos nazistas. A tradução de Celan acentuou a identidade judaica das vítimas e a responsabilidade alemã de forma mais explícita que o original, usando seu estilo poético, mais hermético e opaco do que o texto de Cayrol.
Celan e Cayrol se conheceram quando o primeiro começou a traduzir o livro de poemas de Cayrol – embora possuíssem sensibilidades poéticas distintas, confluíram na percepção de que o fundamental seria transcender o aspecto histórico propriamente dito, e encontrar um modo de transmitir um ato que é, basicamente, inexprimível.
A recepção de documentário de Resnais foi intensa: ganhou o prestigiado Prêmio Jean Vigo em 1956, mas enfrentou resistências, inclusive tentativas de censura. O veterano crítico Jonathan Rosenbaum não tem dúvidas: para ele, ‘Noite e Neblina’ é o melhor filme já feito sobre os campos de concentração… ‘Shoah’ (1985), de Claude Lanzmann, deve tanto a este filme que jamais poderia ter sido concebido, muito menos realizado, sem o exemplo de Resnais. ‘A Lista de Schindler’, por seu turno, é uma caricatura perto do filme de Resnais”.
O que disse a crítica 1: Inácio Araujo da Folha SP avaliou com 4 estrelas, ou seja, ótimo. Disse: “Alain Resnais nos restitui nada menos que o Holocausto, com uma das montagens mais precisas do cinema moderno.
Daí nascer um filme desconcertante. À descrição minuciosa dos campos, com sua arquitetura, diversos departamentos, divisões sociais, clínicas e prisões - feitas a partir das ruínas preservadas dos campos de extermínio, dessas ruínas da morte -, intercalam-se as imagens que Godard um dia, e para sempre, definiu como pornográficas: as imagens dos prisioneiros, em filmes ou fotos, em seu caminho para a morte. Os cabelos ou óculos perdidos na rota para o cadafalso. A intercalação entre o presente (o de hoje ou qualquer outro) e a memória deixa o espectador em estado de perplexidade e impotência. Elas são signos do acontecido, do irreparável. Diante dessas imagens só podemos chorar e lembrar. Ou, antes, podemos chorar e não podemos deixar de lembrar. Elas servem para isso. Para a memória. Para que o intolerável não se repita. Para que alguns de nós, ao menos, nunca mais aceitem a ordem unida”.
O que disse a crítica 2: Luiz Santiago do site Plano Crítico avaliou com 5 estrelas, ou seja, obra-prima. Escreveu: “Acima de qualquer coisa, ‘Noite e Neblina’ é um filme para nos mostrar que aquilo que precedeu o Holocausto pode estar escondido em práticas e comportamentos de nosso momento político atual. A paz que alguns lugares vivem hoje pode fazer muitos se esquecerem de como ideias de segregação e superioridade são perigosas para a humanidade, e que não se deve flertar com elas, pois rapidamente farão apagar a memória de como essa grande máquina de extermínio começou a funcionar. E principalmente, como a ‘normalidade’, em seus problemas e felicidades cotidianas, tende a se esquecer de coisas que jamais deveriam ser esquecidas. Contundente e necessário, ‘Noite e Neblina’ é um documentário-lembrete. Uma viagem histórica e analítica por um período cujo espectro, queiramos ou não admitir, continua a nos rondar”.
O que eu achei: Trata-se de um documentário sobre o Holocausto com duração de 32 minutos que intercala imagens de arquivo em preto e branco - que mostram a ascensão do nazismo, a engrenagem do terror, o transporte dos prisioneiros e o horror brutal encontrado nos campos de concentração - com imagens coloridas e bucólicas dos campos vazios - como Auschwitz e Majdanek - uma década após o fim da guerra. A câmera se move lentamente pelo mato que cresceu e pelas ruínas abandonadas. Oras vemos imagens chocantes de 1933–1945 e oras vemos a quietude desses campos em 1955. Às imagens são acrescentados textos escritos pelo poeta e sobrevivente do campo de concentração Jean Cayrol, narrados pelo ator francês Michel Bouquet. Se hoje ver esse filme já é uma experiência dilacerante, o que dirá em 1956, quando ele foi lançado! O título do filme “Noite e Neblina” faz referência a um código secreto usado por Hitler que utilizava a sigla NN - 'Nacht und Nebel' em alemão – para identificar os prisioneiros políticos. Com isso, quando os guardas da SS vissem essa inscrição nas roupas de um prisioneiro, eles já sabiam tratar-se de um oponente da Alemanha nazista capturado secretamente, considerado de altíssima periculosidade para o regime e que deveria receber o tratamento mais severo possível. Essas pessoas não podiam ter seus nomes registrados em listas públicas. Elas deveriam ‘desaparecer na noite e na neblina’. É bastante interessante observar que a palavra ‘judeu’ só é usada uma única vez no filme. Ao invés dela usa-se a palavra ‘deportado’ já que o Holocausto e o sistema de campos de concentração foram projetados para exterminar qualquer grupo considerado indesejável. Não podemos esquecer que além dos 6 milhões de judeus, as vítimas incluíram prisioneiros políticos e membros da resistência (comunistas, socialistas, democratas e opositores de países ocupados como a França), ciganos (povos Roma e Sinti), testemunhas de Jeová (perseguidos por se recusarem a jurar lealdade a Hitler ou servir ao exército), homossexuais (presos sob leis de ‘indecência’), pessoas com deficiência (alvos do programa de eutanásia forçada que testou os primeiros métodos de extermínio por gás) e prisioneiros de guerra soviéticos. Com isso a declaração antigenocídio do curta acaba sendo mais abrangente, mostrando que o perigo do fascismo e da barbárie humana pode renascer em qualquer lugar, contra qualquer grupo, a qualquer momento. Há quem acredite que isso nunca mais vai se repetir, mas além do ressurgimento de grupos neonazistas, a comunidade internacional e organizações como a Genocide Watch monitoram outras crises onde há fortes evidências de práticas genocidas como a que Israel está fazendo em Gaza ou as que acontecem no Sudão, Mianmar (Rohingya), China (Uigures) e República Democrática do Congo. O filme se torna, então, atualíssimo, imprescindível, atemporal, difícil de ver, mas obrigatório pois toda a atenção é pouca.