
Comentário: Roy Andersson é um diretor sueco de 79 anos, que trabalha comercialmente com publicidade, do qual já assisti as obras-primas “Canções do Segundo Andar” (2000) e “Vocês, os Vivos” (2007) e ao ótimo “Um Pombo Pousou Num Galho Refletindo Sobre a Existência” (2014), que ganhou o Leão de Ouro do Festival de Veneza. Esse três filmes compõem a chamada Trilogia do Ser Humano. Elogiado pelo famoso diretor Ingmar Bergman como um grande diretor de comerciais suecos, ganhou tanto dinheiro com publicidade que conseguiu construir seu próprio estúdio: o Studio 24. Seguindo a mesma linha de criação dos anteriores temos agora “Sobre o Interminável” (2019) que mantém sua tradicional estética: um filme calmo com fotografia em tons pastéis cuja câmera enquadra personagens diversos envolvidos com situações do dia a dia e suas angústias. Tudo filmado com muito rigor em planos fixos que contemplamos como observadores distantes. Numa entrevista ao site português C7nema, Roy Andersson conta que é a primeira vez que ele coloca uma voz em off nos seus filmes. Segundo o site a grande inspiração veio das ‘1001 Noites’, particularmente da personagem de Sherazade. Esta tinha de entreter um rei com uma nova história todas as noites para não ser decapitada. Assim, todos os pequenos episódios e vinhetas, como a de um homem que inspeciona apaixonadamente a namorada a tomar champanhe, começam sempre com ‘Eu vi…’. ‘Nunca tinha usado esse recurso da voz em off’, diz. ‘Experimentei e decidi manter. Achei que dava outra dimensão à história’”.
O que disse a crítica: Charles Ealy do site Sight Lines disse: “Embora meticuloso, Andersson também imbui cada cena com um absurdo inexpressivo que faz você rir desconfortavelmente, principalmente porque você percebe que Andersson ama a humanidade por sua esperança, mas também acredita, em última análise, na desesperança”.
Lucas Pistilli do Cineset escreveu: “Pode parecer absurdo que um filme vigoroso de 76 minutos ouse ser intitulado ‘About Endlessness’ (‘Sobre o Infinito’, em tradução literal). Sendo este um filme de Roy Andersson (...), alguém poderia ser perdoado por pensar nisso como uma piada. Desta vez, no entanto, o impassível mestre sueco muda de marcha e desafia o público com seu retrato mais nítido da condição humana”.
Peter Bradshaw do The Guardian disse “Que experiência incrível é este filme: e Andersson, aliás, fez por Estocolmo nos filmes o que Godard fez por Paris e Allen por Manhattan. Os filmes de Andersson são infinitamente 'reassistíveis'. Vê-los é abolir a gravidade”.
O que eu achei: O resultado é o que já esperamos: um deleite visual com cada cena parecendo uma obra de arte. Este filme deu a Roy Andersson o Prêmio de Melhor Diretor no Festival de Veneza. Se jogue.