
Comentário: Este filme rendeu a Jane Campion a Palma de Ouro no Festival de Cannes, coisa que nunca tinha acontecido à uma mulher antes. A atriz Holly Hunter também venceu, como melhor atriz. No Oscar, o filme venceu em 3 categorias das 8 a que concorria: levou o de Melhor Atriz para Holly Hunter, Melhor Atriz Coadjuvante para Anna Paquin e Melhor Roteiro Original para Jane Campion. Paquin tinha 11 anos na época e continua sendo uma das pessoas mais jovens a ganhar um Oscar. O filme, de fato, impressiona. A história se passa no século 19 e gira em torno de uma mulher muda que se expressa unicamente através de seu piano mas, ao se casar, seu marido resolve não transportar o instrumento para casa. Nada mais simbólico para representar a histórica opressão às mulheres. Não vale a pena contar tudo que irá ocorrer na sequência pois você vai ver sem piscar até o final, frente às excelentes interpretações dos competentes atores – vale dizer que a própria Holly Hunter toca o piano na maioria das sequências - e extremamente bem dirigidos, à fotografia impecável de Stuart Dryburgh, à música de Michael Nyman que dispensa apresentações e à montagem de Veronika Jenet. É daqueles filmes que você assiste e ele nunca mais sai da sua mente. É mais uma obra-prima desta diretora de quem recentemente assisti o excepcional “Ataque dos Cães” (2021). Fazendo uma breve pesquisa sobre a filmografia da diretora li no site Cineweb, numa resenha assinada pela Neusa Barbosa, que antes de “O Piano” Jane Campion já “havia realizado os notáveis ‘Sweetie’ (1989) e ‘Um anjo em minha mesa’ (1990), sem dúvida ele aconteceu num ano que, para a diretora, seria marcado também pela tragédia, com a morte de um filho. Esse corte inevitável pode ter prejudicado de imediato aquela que se mostrava uma irresistível ascensão, muito embora Jane tenha realizado outros filmes admiráveis depois - caso de ‘Retrato de uma mulher’ (1996), ‘Fogo Sagrado’ (1999) e ‘Brilho de uma Paixão’ (2009), que a levou a competir novamente em Cannes". Nem preciso dizer que todos esse vão para minha lista de filmes para ver com urgência enquanto Jane Campion segue para minha lista de diretores que mais amo.