
Comentário: Este é mais um dos filmes da lista que a Revista Bravo! selecionou em 2007 como essencial para a história do cinema. Segundo a matéria, "provavelmente, [este filme] entraria em poucas listas pessoais de [filmes] favoritos: trata-se de um filme longo (mais de três horas), difícil, perturbador por seu tema polêmico, datado em vários aspectos. Ainda assim, é considerado o marco inicial do cinema clássico, por suas inovações técnicas e narrativas que se tornaram a gramática oficial do cinema americano e são usadas até hoje. E, mesmo que atualmente ele não pareça influente (...), na época causou comoção. Mais de um milhão de pessoas viram o longa em seu ano de lançamento. (...) Nele aparecem pela primeira vez artifícios hoje indispensáveis no cinema, como os close-ups faciais, os cortes rápidos, as câmeras em movimento, além do processo de montagem de sequencias paralelas que seu diretor já fazia em outros filmes e aqui se desenvolvem com perfeição. Por trás de tudo está D. W. Griffith, 'o pai de todos nós', na visão de Charles Chaplin. Sulista, filho de um ex-oficial confederado e apaixonado pelo tema Guerra Civil, o cineasta já havia dirigido 13 curtas sobre o assunto quando comprou os direitos da peça 'The Clansman', de Thomas Dixon, e a transformou em 'O Nascimento de Uma Nação'. A trama incitou sangrentos debates desde o início e deve continuar a fazê-lo indefinidamente, pois o filme aborda uma América recém-integrada pela guerra e agora livre da escravidão. Para eliminar os negros e outras raças supostamente inferiores surge a organização racista Ku Klux Klan, com um trabalho de higienização racial e religiosa. Em uma cena emblemática, um negro é linchado sem piedade, o que fez com que o filme fosse banido e repudiado em inúmeros lugares. Griffith (...) afirmou que pretendia apenas contar uma história da vida real. Em resposta aos críticos, filmou 'Intolerância' (1916), um ataque histórico ao preconceito".
O que eu achei: Apesar da importância do filme para a história do cinema, como o texto da Revista Bravo! esclarece, o filme não é fácil de assistir. O conteúdo racista é deplorável. Quem interpreta os afro-americanos são atores brancos com as caras pintadas de negro, o tempo todo retratados como ignorantes e sexualmente agressivos em relação às mulheres brancas. Ele glorifica a escravatura e justifica a segregação racial. Propaga a ideia de que a abolição da escravidão foi uma insanidade. Para completar, apresenta a Ku Klux Klan como uma força heroica. Li inclusive, que há indícios de que o filme tenha sido um dos fatores do ressurgimento da Ku Klux Klan em 1915 em Stone Mountain, na Geórgia e que o filme teria sido usado pela própria organização como ferramenta de recrutamento até meados da década de 1970. Resumindo, é um filme para ser colocado na lata do lixo da história do cinema.