17.6.22

“Impasse” - Zhang Yimou (China, 2021)

Sinopse:
 
No estado fantoche de Manchukuo na década de 1930, quatro agentes especiais do Partido Comunista - Zhang (Zhang Yi), Lan (Liu Haocun), Yu (Qin Hailu) e Chuliang (Zhu Yawen) - após retornar à China, embarcam em uma missão secreta. Entregue por um traidor, a equipe se vê cercada por ameaças de todos os lados.
Comentário: Trata-se de um filme de espionagem dirigido por Zhang Yimou de quem já assisti “Herói” (2002), “O Clã das Adagas Voadoras” (2004) e “Flores do Oriente” (2011). O que dá pra observar neste diretor é que em todos há uma preocupação muito grande com a fotografia, sempre impecável, extremamente bem cuidada, um deleite visual cujo diretor de fotografia - Zhao Xaioding – é o responsável com quem Zhang Yimou já trabalhou em 11 filmes. Então beleza é o que não falta em “Impasse” (2021). O roteiro entretanto é um pouco confuso. Requer uma atenção redobrada para acompanhar quem é quem nesse jogo de espionagem entre chineses e japoneses, sendo que todos obviamente tem traços orientais e utilizam como vestuário capas e chapéus pretos que camuflam bastante a identificação de cada um, aumentando a complexidade da trama. O título original “Xuan Ya Zhi Shang” significa “No Penhasco”, em inglês alteraram para “Cliff Walkers” (Caminhantes do Penhasco) e em português há traduções como “Impasse” ou “Luta Pela Liberdade”. O filme conta que em 1931 o Japão invadiu a China, criando campos secretos no nordeste do país, onde crimes hediondos foram cometidos contra os chineses. No filme, quatro agentes chineses são treinados na Rússia para acessar o local e retirar de lá um homem chamado Wang Ziyang. A ideia é que eles levem esse homem até a fronteira para que ele possa falar com a imprensa e denunciar o que se passa. Essa operação possui o nome russo de “Operação Utrennya” que significa “Operação Amanhecer”. O filme é dividido em 7 partes, cada uma com um título diferente: O Código, A Operação, A Sombra, O Enigma, O Perigo, A Borda e A Continuação. E termina com uma dedicação a todos os heróis da Revolução. Entretanto, como na maioria dos filmes do diretor, a beleza supera o conteúdo e tudo fica parecendo meio irreal. Como disse Jessica Kiang no site Variety, “’Cliff Walkers’ não é político o suficiente para ofender, ou emocionante o suficiente para durar, mas é bonito o suficiente para passar o tempo com prazer”. A trilha sonora emotiva demais também não ajuda. Enfim um filme belo, com pouco conteúdo, que me parece mais um produto oriental para ocidental consumir.