
Comentário: Trata-se do quinto filme do diretor transformando-se em seu primeiro grande sucesso. Segundo Ritter Fan do Plano Crítico, o filme marca “o começo de uma trilogia existencialista do diretor que seria seguida de ‘A Trapaça’, terminando em ‘Noites de Cabíria’. Os três filmes contam com Giulietta Masina, esposa de Fellini por toda a vida, em papel de grande destaque e usam personagens como símbolos da luta para a recomposição moral da humanidade” inserindo-se no movimento neorrealista, que retrata a Itália do pós-guerra, decadente e pobre. Aliás, a atuação tanto dela quanto de Anthony Quinn, é esplêndida. Do lado dela está a fragilidade, a inocência e os sonhos, lembrando muito o personagem Carlitos de Charles Chaplin. Do outro está esse ator, o primeiro astro internacional que apostou em Fellini, representando a força bruta, a malícia e a realidade. O roteiro segue uma narrativa mais tradicional, com começo, meio e fim. A música é do Nino Rota, habitual colaborador de Fellini. Uma curiosidade é que, como era prática comum para os filmes italianos daquela época, as filmagens foram feitas sem som; o diálogo foi adicionado posteriormente junto com a trilha sonora e os efeitos sonoros. Então todas as falas foram dubladas, seja pelo próprio ator, seja, como no caso de Anthony Quinn, que não falava italiano tão bem, por outro ator. O filme ganhou o Leão de Prata de Veneza e foi o primeiro dos quatro Oscars do diretor na categoria Melhor Filme Estrangeiro. Imperdível.