Sinopse: 1860, Sicília. Durante o período do "Risorgimento", o conturbado processo de unificação italiana, o príncipe Don Fabrizio Salina (Burt Lancaster) testemunha a decadência da nobreza e a ascensão da burguesia. Num cenário caótico de fortes contradições políticas, ele luta para preservar sua família e classe.
Comentário: Trata-se de mais um filme da lista dos 100 Filmes Essenciais que a Revista Bravo! elaborou em 2007. Ontem tive o prazer de ver esse espetáculo chamado “O Leopardo” (1963) de Luchino Visconti. A revista conta que o diretor nasceu “em uma das famílias mais ricas da Itália” e “começou sua carreira virando as costas para o berço aristocrático e abraçando sua grande paixão, a causa comunista. Seus primeiros títulos (...) possuem muito dos ideias marxistas e exploram as dificuldades e os sonhos das classes baixas e operárias”, citando nessa categoria “Obsessão” (1942), “Belíssima” (1951) e “A Terra Treme” (1948). Segundo eles, “com ‘Sedução da Carne’ (1954), o cineasta começa a voltar seu olhar para a nobreza, partindo de vez para o estudo da aristocracia com ‘O Leopardo’”. Ao procurar por informações sobre o livro encontrei uma matéria na Revista Bula, assinada por Euler de França Belém, que diz “’O Leopardo’, de Giuseppe Tomasi di Lampedusa (1896-1957), é um dos mais importantes romances da Itália. Não deixa de surpreender que tenha se tornado best seller e suas frases, principalmente ‘se quisermos que tudo continue como está, é preciso que tudo mude’, tenham caído no linguajar popular. (...) O filme do diretor Luchino Visconti, conde italiano, é uma adaptação tão perfeita que parece ter sido dirigida pelo ‘espírito’ do escritor siciliano. Fica-se com a impressão de que a película contém toda a história, ainda que condensada”. O romance – e obviamente o filme – contam a história do príncipe Don Fabrizio Salina (interpretado por Burt Lancaster). Estamos na metade do século 19, na Sicília (em Palermo e no feudo de Donnafugata), quando esse príncipe vai testemunhar os conflitos entre latifundiários e rebeldes pela unificação da Itália, liderados por Garibaldi. O príncipe, que era um aristocrata, vê seu próprio sobrinho, Tancredi Falconeri (Alain Delon) aderir à causa revolucionária e acaba ficando dividido entre manter lealdade à sua classe enquanto percebe que a queda da nobreza é iminente, assim como a ascensão da burguesia, que é bem mais produtiva que os nobres e, portanto, mais adequada aos novos tempos dominados pela indústria. Ao pesquisar se a história é verídica, Belém explica que ela é inspirada na família do escritor. O príncipe Don Fabrizio Salina, personagem principal, foi claramente inspirado no seu bisavô o príncipe Giulio di Lampedusa, que viveu na época do Risorgimento, durante o reinado de Francisco II das Duas Sicílias. Mas há muito da personalidade do próprio escritor nesse personagem, até por que ele nem conheceu seu bisavô tanto assim. O nome do romance teve origem no brasão da família Tomasi que possui um leopardo em sua estampa. No elenco estão, além do Burt Lancaster e Alain Delon, Claudia Cardinale e Giuliano Gemma. 3h05m de duração. Imperdível.