9.1.22

“Marnie, Confissões de Uma Ladra” – Alfred Hitchcock (EUA, 1964)

Sinopse:
 
Marnie Edgar (Tippi Hedren) é uma mentirosa e ladra que trabalha como secretária contábil. Ela dá golpes nas empresas em que trabalha, foge com o dinheiro, muda de identidade e de cidade e assim vai levando a vida. Num desses empregos, o dono da empresa Mark Rutland (Sean Connery), se apaixona por ela e, ao saber que ela lhe roubou, ele resolve investigar seu passado, buscando descobrir as razões para a sua compulsão cleptomaníaca.
Comentário: Alfred Hitchcock (1899-1980) foi um diretor e produtor cinematográfico britânico. Amplamente considerado um dos mais reverenciados e influentes cineastas de todos os tempos, Hitchcock foi eleito pelo The Telegraph o maior diretor da história da Grã-Bretanha e, pela Entertainment Weekly, o maior do cinema mundial. Conhecido como "Mestre do Suspense", dirigiu em torno de 53 longas-metragens ao longo de seis décadas de carreira, parte dela na Inglaterra, parte nos EUA. Tornou-se também famoso também por conta das frequentes aparições em seus filmes e pela apresentação do programa "Alfred Hitchcock Presents" (1955-1965). Assisti dele 28 filmes, dentre eles as obras-primas "Os Pássaros" (1936), "Festim Diabólico" (1948), "Janela Indiscreta" (1954), "Um Corpo Que Cai" (1958) e "Psicose" (1960) e os ótimos: "O Inquilino" (1927), "Chantagem e Confissão" (1929), "Sabotagem" (1936), "Jovem e Inocente" (1937), "A Dama Oculta" (1938), "A Sombra de Uma Dúvida" (1943), "Interlúdio" (1946), "Pacto Sinistro" (1951), "Disque M para Matar" (1954), "O Homem Que Sabia Demais" (1956) e "Frenesi" (1972). Desta vez vou conferir "Marnie, Confissões de Uma Ladra" (1964), um filme baseado em um livro do escritor Winston Graham que conta a história de uma cleptomaníaca que rouba as empresas nas quais trabalha enveredando para uma investigação psicanalítica de suas motivações.
Segundo Rafael W. Oliveira do site Plano Crítico, "Em 1960, Alfred Hitchcock lançou aquela que é considerada, pela maioria dos críticos e do público, sua obra-prima máxima, e logicamente, estou me referindo ao clássico 'Psicose', que assustou e assombrou plateias com a famosa cena do assassinato no chuveiro. Três anos depois, Hitchcock lançaria outra obra também muito respeitada em sua filmografia, 'Os Pássaros'. E é uma afirmação quase unânime que a carreira de Hitchcock começou a deslanchar após este período de boa safra. 'Marnie, Confissões de Uma Ladra' marca o início da descida de Hitch na qualidade de seus filmes, mas verdade seja dita: apesar de estar longe das grandes obras do diretor, ainda consegue ser um bom suspense, que carrega consigo muitas das marcas que fizeram de Hitch o Mestre do Suspense'".
O que eu achei: O filme tem seus atrativos habituais: uma pegada artificial agradável nos cenários pintados à mão facilmente identificáveis e extremamente bem feitos, as evidentes montagens analógicas, a luz de estúdio em ambientes externos, as roupas e cabelos de época que dão um ar de assepsia ao conjunto de imagens e uma excelente trilha sonora assinada por Bernard Herrmann. A dupla de protagonistas - Tippi Hedren e Sean Connery - é de tirar o chapéu. Li que Hitchcock havia oferecido o papel de Marnie, primeiramente, para Grace Kelly, que na época estava afastada de Hollywood pelo casamento com o Príncipe de Mônaco. A atriz acabou desistindo do papel, pois acreditava que retornar às telas como uma ladra não seria bom para sua imagem. Melhor para Tippi Hedren, que está excelente no papel, criando uma Marnie que somente aos poucos mostra sua vulnerabilidade. Entretanto há pontas soltas na trama e um certo excesso que poderiam ser enxugados. Não é melhor filme que vi do diretor, mas, ainda assim, é bom e vale ser visto.