Sinopse: No ano de 1870, o Capitão Jefferson Kyle Kidd (Tom Hanks), um viúvo que já lutou em duas guerras, viaja através do Texas lendo notícias do mundo para as pessoas, apesar dos jornais estarem se tornando cada vez mais acessíveis. Em um desses trajetos ele acaba encontrando uma menina órfã de 10 anos, Johanna (Helena Zengel), e acaba assumindo a missão de levá-la até seus familiares. Criada pela tribo Kiowa, ela não conhece sua família e tem um comportamento hostil com as pessoas ao seu redor, mas acaba criando um vínculo com Kidd, forçando os dois a lidarem com as difíceis escolhas sobre o futuro.
Comentário: O inglês Paul Greengrass é um diretor que conheço pouco. O único filme que vi dele foi o ótimo "Domingo Sangrento" (2002), mas ele é mais conhecido pela franquia "Bourne" ou por "Capitão Phillips" (2013) que, assim como este, também tem o Tom Hanks no papel principal. Por conta dele ter sido indicado aos Oscars de Melhor Fotografia (Dariusz Wolski), Melhor Design de Produção, Melhor Som e Melhor Trilha Sonora Original (James Newton Howard), ele acabou indo parar na minha lista de interesses e o resultado não decepciona. É aquele velho cinemão americano: um filme linear, com começo, meio e fim, do gênero faroeste, rodado nas belas paisagens do Novo México, e que conta com esse grande ator como protagonista contracenando com a atriz-mirim alemã Helena Zengel, que já mostrou sua competência em "Transtorno Explosivo" (2019). Bom para assistir naqueles dias em que você quer ver algo "normal" para variar um pouco. O roteiro se baseia no romance de Paulette Jiles cuja história, como escreveu Julia Sabbaga para o site Omelete, "não é exatamente partidária. Ao fazer de nosso protagonista um veterano confederado (que sutilmente deixa claro que se arrepende da luta), Greengrass se afasta do propriamente político para focar no humano, e em uma sociedade que se recusou a aceitar o progresso. A jornada de Greengrass se assemelha ao de seu protagonista, no sentido que sua ideia é evitar conflito, mas 'Relatos do Mundo' sabe fazer deste discurso uma empreitada nobre. Kidd pode parecer ingênuo em sua defesa de união acima de tudo, mas sua tese principal é de que informação é o essencial para este fim. Fazendo de forma bem explícita um paralelo com nossa atualidade, Greengrass retrata as bases de fake news em uma pequena cidade do Texas em 1870, em uma das cenas mais bem-construídas do longa". Vale ver.
