22.11.21

“Conto de Inverno” - Éric Rohmer (França, 1992)

Sinopse:
 
Félicie (Charlotte Véry) vive um dilema: se relaciona com dois homens, o livreiro Loic (Hervé Furic) e seu chefe, o cabeleireiro Maxence (Michel Voletti). Na verdade, ela não consegue se decidir entre os dois porque não esquece Charles (Frédéric van den Driessche), um homem que ela conheceu nas férias de verão e perdeu contato.
Comentário: Trata-se do segundo filme da série "Quatro Estações" do diretor Éric Rohmer. Em comparação com o primeiro - "Conto de Primavera" (1990) - este segundo não chega nem aos pés. A única coisa que me fez seguir até o final foi que, já sabendo que o diretor parte dos lugares para compor a história (e não o contrário como habitualmente se faz), eu pude observar mais claramente essa movimentação no espaço como aquilo que impulsiona o filme até a resolução final pois, o filme em si, não tem grandes atrativos. Segundo Inácio Araújo para a Folha de São Paulo, "Quem não descobriu o prazer desse cinema [o cinema de Rohmer], que, cada vez mais, parece buscar a superfície, dificilmente o descobrirá em 'Conto de Inverno' (...). Nesse conto, a história é talvez até mais superficial do que habitualmente (...). Não há nenhum segredo, nenhuma grande 'mensagem'. Ao contrário, ano após ano, filme após filme, Rohmer parece rarefazer cada vez mais o aspecto romanesco de seus filmes. Também não chegamos a nos emocionar (tudo, ao contrário, parece feito para que não sejamos cooptados pela emoção, ao menos no sentido habitual que se emprega para definir filmes emocionantes). E nem a nos encantar com as imagens ou a profundidade das histórias e personagens (idem idem). O que ganhamos ao ver um filme como 'Conto de Inverno'? (...). Trata-se, antes de tudo, de uma experiência na superficialidade. O cinema é uma arte da superfície - daquilo que se vê, nada mais. Rohmer nos conduz à superfície das coisas (...) e pessoas, ao ser estar no mundo. Mas é o trabalho na ambiguidade que faz de Rohmer um cineasta muito particular, na linhagem dos realistas que, em vez de dirigirem a realidade, procuram permitir que ela se manifeste plenamente".