Sinopse: Em meados de 1950, em uma fatídica noite no Novo México, a jovem telefonista Fay (Sierra McCormick) e o carismático radialista Everett (Jake Horowitz) descobrem uma estranha frequência de rádio que pode mudar a cidade onde moram e o futuro de todos para sempre.
Comentário: Segundo a revista Rolling Stone, "o filme, antes de estrear, foi rejeitado por 18 festivais de cinema antes de ser exibido no Slamdance, em 2019, e receber o prêmio do público na categoria Melhor Narrativa. (...)
A história de 'Vastidão da Noite' acompanha Everett (Jake Horowitz), um carismático radialista, e Fay (Sierra McCormick), uma jovem que trabalha na central telefônica. Eles moram na pacata e fictícia Cayuga, Novo México, e descobrem um sinal misterioso aparentemente transmitido via rádio. Então, os dois passam a investigar esse fato".
O filme é uma homenagem ao seriado "Além da Imaginação" (1959).
O próprio nome da cidade - Cayuga - se refere à Cayuga Productions, a produtora de Rod Serling, criador e apresentador do antigo seriado.
A estação de rádio onde Everett trabalha se chama "WOTW" em homenagem à "War of the Worlds", um romance de H.G. Wells e, mais propriamente, a sua adaptação para a peça de rádio de Orson Welles.
O que eu achei: "A Vastidão da Noite" (2020) aposta em uma atmosfera retrô inspirada na ficção científica dos anos 1950, evocando diretamente o espírito de "Além da Imaginação" (The Twilight Zone). A proposta estética é clara desde o início: fotografia escura, textura granulada e uma encenação que busca recriar o clima de mistério típico da época. No entanto, embora essa escolha dialogue bem com a temática, ela acaba prejudicando a fruição já que a imagem frequentemente escura e desfocada dificulta a imersão em vez de reforçá-la. A narrativa acompanha dois jovens que investigam um misterioso sinal sonoro, mas o que poderia render um suspense enxuto e envolvente se dilui em um roteiro que parece esticado além do necessário. Se a história fosse desenvolvida em cerca de 25 minutos, como um episódio clássico do seriado, talvez o resultado fosse mais eficiente. Em vez disso é criado um longa de quase uma hora e meia, preenchido sobretudo por diálogos extensos. Esses diálogos até apresentam alguns momentos interessantes, mas, em grande parte - especialmente no início - se resumem a longos discursos do personagem Everett que pouco acrescentam à trama. O ritmo se torna irregular e a sensação é de que o filme gira em torno de si mesmo antes de avançar. Assim, o principal motor para seguir até o fim acaba sendo a curiosidade de saber onde a história pretende chegar. Quando finalmente chega à conclusão, o filme não entrega um impacto proporcional à expectativa construída. No fim das contas, "A Vastidão da Noite" funciona mais como exercício de estilo e nostalgia do que como narrativa consistente. Retiradas as referências e a ambientação, sobra relativamente pouco de substância, resultando em uma experiência bem mediana.
