2.9.21

“Berlin Alexanderplatz” - Rainer Werner Fassbinder (Alemanha/Itália, 1980)

Sinopse:
 
Berlim, final da década de 1920. Franz Biberkopf (Günter Lamprecht) é liberto da prisão após ter cumprido sua pena de quatro anos por homicídio culposo pelo assassinato de sua namorada em um ataque de ciúmes. Ele promete seguir sua vida de maneira íntegra, contudo ele rapidamente se envolve no submundo do crime na cidade.
Comentário: "Berlin Alexanderplatz" é o nome de um romance escrito em 1929 por Alfred Döblin, que conta a história de um homem que trabalhava como transportador até ser preso. Rainer Werner Fassbinder adaptou a história para a TV em 1980. São 14 episódios que totalizam 15h31m. Segundo Luiz Zanin para o Estadão, "Há quem diga que se trata do maior filme de Rainer Werner Fassbinder. E sempre aparece alguém para comentar: é mesmo o maior, dura quase 16 horas! Piadas à parte, 'Berlim Alexanderplatz', tirado da obra de Alfred Döblin, é mesmo um monumento. Um painel gigantesco da Alemanha nos anos 20, visto pelos olhos do malandro Franz Biberkopf, interpretado de maneira magistral por Günther Lamprecht. (...) É filme para ver e rever". Sérgio Rizzo da Folha de SP diz:  "Não verás Alexanderplatz quase nenhuma: a praça Alexander, no lado oriental de Berlim, emblema da modernidade urbana nas primeiras décadas do século 20, mal é entrevista em "Berlin Alexanderplatz" (1980). (...) O paradoxo já havia sido estabelecido pelo romance homônimo de Alfred Döblin (1878-1957), marco da literatura dedicada à vida feérica das metrópoles, cujo subtítulo é 'A História de Franz Biberkopf'. Dele e de muitos outros berlinenses comuns na Alemanha durante a crise da República de Weimar (1919-1933). Adaptar o livro era um 'sonho de infância' para Fassbinder, então no auge da carreira. A leitura de Döblin, segundo ele, o transformou; era um 'romance barato' em que prevalecia a forma, por meio de colagem e narrativas sobrepostas, expondo terrivelmente os personagens, mas 'com ternura'. (...) Prolífico, Fassbinder sempre foi: morto aos 37, realizou mais de 40 filmes, além de escrever peças de teatro. Mas o período que cerca 'Berlin Alexanderplatz' foi especial, o da maturidade precoce, combinando talento e ousadia - que o levou, na adaptação de Döblin, a escrever e dirigir uma produção para a TV que definia como um 'filme antitelevisão'. (...) Recebeu críticas severas na estréia por ser 'escuro demais'. Depois, foi lançado nos cinemas e, hoje, alcançou o status de obra-prima do cineasta". Em 2007 o Instituto Goethe restaurou a série e chegou a promover a apresentação do filme de uma vez só, em maratonas que atravessavam a noite.