19.9.21

“A Pé Ele Não Vai Longe" – Gus Van Sant (EUA/França, 2018)

Sinopse:
 
John Callahan (Joaquin Phoenix) é um homem conturbado que bebe mais do que deveria. Após sofrer um acidente de carro, ele fica tetraplégico tendo que lidar com o alcoolismo e com suas limitações físicas. Com a ajuda de sua namorada e de um grupo de AA (Alcoólicos Anônimos) ele transforma sua vida, tornando-se um dos cartunistas mais improváveis, ácidos e perseverantes do mundo.
Comentário: Gus Van Sant (1952) é um cineasta e roteirista norte-americano. Formou-se pelo Rhode Island School of Design. Lá foi influenciado pela pintura e pelo cinema experimental. Em 1981, ele filmou com um baixo orçamento o filme "Alice in Hollywood", que nunca foi lançado. Trabalhou para uma agência de publicidade a fim de ganhar dinheiro. Com o dinheiro que ganhou, dirigiu o filme independente "Mala Noche" (1985) que contém alguns temas constantes de sua obra como a homossexualidade e uma abordagem do absurdo. "Mala Noche" foi bem recebido pelos críticos. Desde então ele dirigiu vários filmes. Assisti dele os ótimos "Elefante" (2003), "Paranoid Park" (2007) e "Milk - A Voz da Igualdade" (2008), os bons "Drugstore Cowboy" (1989), "Últimos Dias" (2005), "Inquietos" (2011), "Terra Prometida" (2012) e o não tão interessante “O Mar de Árvores” (2015). Desta vez vou conferir “A Pé Ele Não Vai Longe" (2018).
O cartunista John Callahan (1951-2010) realmente existiu. Segundo Luiz Zanin Oricchio do Estadão, ele "nasceu em Portland, Oregon. Sofreu [um] acidente que mudou sua vida aos 21 anos. Quem dirigia o veículo não era ele, e sim um beberrão que conhecera num boteco. De festa em festa, de bar em bar, acabaram esborrachando-se no carro de Callahan e este levou a pior. Após o acidente, seguiu com muita determinação um processo de fisioterapia e reabilitação e conseguiu readquirir, em parte, movimentos da parte superior do corpo. Desenhava com dificuldade, mas isso não aparecia na obra, com traços de grande leveza e também de extrema contundência. Mexia com temas tabus como a sexualidade, o racismo e própria enfermidade. Era um provocador e usava o desenho como forma de prospectar seus próprios demônios internos, como faz todo artista". 
O que eu achei: O filme ficcionaliza história do cartunista John Callahan (1951-2010), focando em como lidar com o alcoolismo e com as limitações físicas. Trata de coisas muito sérias, sem se levar a sério demais. Boa pedida.